{"id":108565,"date":"2022-04-13T03:39:38","date_gmt":"2022-04-13T06:39:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=108565"},"modified":"2022-04-13T03:39:38","modified_gmt":"2022-04-13T06:39:38","slug":"uma-categoria-enfraquecida-por-causa-do-individualismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2022\/04\/13\/uma-categoria-enfraquecida-por-causa-do-individualismo\/","title":{"rendered":"Uma categoria enfraquecida por causa do individualismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\nSempre foi vista, at\u00e9 certo tempo, como o quarto poder por ser formadora de opini\u00e3o, tida por muitos como \u201co c\u00e3o de guarda\u201d em defesa da liberdade de express\u00e3o e a voz por uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria. Era para ser uma das categorias mais fortes e respeitadas do pa\u00eds, com sindicatos bem estruturados e com grande poder de barganha sobre os patr\u00f5es.<br \/>\nClaro que estou falando da classe jornal\u00edstica, que depois de passar por tantas adversidades, como ser censurada durante o regime militar de 1964; fazer hist\u00f3ria; romper com barreiras; e ser guardi\u00e3 da democracia quando levanta mat\u00e9rias investigativas sobre corrup\u00e7\u00e3o e compl\u00f4s na pol\u00edtica, vive hoje uma crise de identidade, a come\u00e7ar pelo enfraquecimento de suas entidades, sem falar dos xingamentos de um presidente da Rep\u00fablica que odeia as cr\u00edticas e abomina a liberdade.<br \/>\nNa minha concep\u00e7\u00e3o particular, essa falta de fortalecimento da categoria est\u00e1 no individualismo, naquele ego\u00edsmo do cada um cuidando de si para sobreviver. Sempre foi uma profiss\u00e3o mal paga em termos de remunera\u00e7\u00e3o e, para preencher essa defici\u00eancia, o trabalhador ou oper\u00e1rio da not\u00edcia (jornalista n\u00e3o gosta de ser assim chamado) tem dois ou tr\u00eas empregos por fora, alguns deles at\u00e9 chamados de bicos. A prepot\u00eancia \u00e9 outro mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>CADA UM QUE SE VIRE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAt\u00e9 hoje ainda persiste aquela ideia fechada de que cada um que se vire no mercado. Quando comecei a atuar na atividade, l\u00e1 pelos anos 70, ouvia muita essa conversa de que o sindicato s\u00f3 faz atrapalhar. Somente poucos falavam o contr\u00e1rio e me apoiaram quando resolvi me filiar. Outro problema que atrapalhava na busca pelos interesses do profissional era a politiza\u00e7\u00e3o em demasia. Muitos preferiam se afastar.<!--more--><br \/>\nNaqueles anos ainda existia uma milit\u00e2ncia mais robusta que foi definhando at\u00e9 os dias de hoje, principalmente com o fim da obrigatoriedade do diploma, por volta de 2009\/10, mas a decad\u00eancia j\u00e1 havia batido na porta bem antes disso. N\u00e3o s\u00e3o propriamente os dirigentes que s\u00e3o culpados.<br \/>\nEstou falando no geral em termos de Brasil, a partir da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), mas quero trazer esse problema para a quest\u00e3o local, no caso o nosso Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), que s\u00f3 consegue arrecadar seis mil reais por m\u00eas dos seus minguados associados.<br \/>\nSer\u00e1 que foi a tecnologia da internet e a diversifica\u00e7\u00e3o do mercado que provocaram esse enfraquecimento? Ou a pr\u00f3pria desuni\u00e3o? As redes sociais t\u00eam alguma culpa nisso? Atualmente, para ser jornalista \u00e9 s\u00f3 abrir um site, ou mesmo um perfil na internet. Numa discuss\u00e3o sobre jornalismo, todos se acham entendidos no assunto.<br \/>\nSem uni\u00e3o, uma rede de prote\u00e7\u00e3o e uma regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o, os sindicatos tendem a se esvaziar, ficando apenas alguns abnegados na trincheira da resist\u00eancia. A realidade baiana n\u00e3o \u00e9 diferente da de outros estados. Aqui mesmo em Vit\u00f3ria da Conquista, faz quantos anos que n\u00e3o se teve uma reuni\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>CASA E MUSEU<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nN\u00e3o deveria estar falando isso, mas quando aqui cheguei, nos anos 90, a diretoria regional e de outras cidades maiores eram bem mais atuantes. Digo isso porque fui diretor por v\u00e1rias vezes e at\u00e9 vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas. Recordo dos memor\u00e1veis encontros onde se discutia e se \u201cbrigava\u201d por melhorias. Est\u00e1vamos sempre vigilantes no combate aos desvios de conduta, os chamados \u201cpicaretas\u201d.<br \/>\nFoi nesse idos que juntos conseguimos um terreno, doado pela Prefeitura Municipal, com intuito de construirmos a \u201cCasa dos Jornalistas\u201d, uma esp\u00e9cie de clube onde ali ter\u00edamos uma local de reuni\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es de realizarmos atividades culturais, de esporte e lazer. O lote, com planta e tudo, est\u00e1 localizado, isto \u00e9, se ainda existe, no Bairro Santa Cec\u00edlia.<br \/>\nH\u00e1 muitos anos que n\u00e3o se fala mais nisso, e o Sindicato n\u00e3o se pronuncia a respeito do assunto. Infelizmente, a classe \u00e9 desunida e individualista. Outra ideia que nasceu daqueles movimentos de outrora foi a implanta\u00e7\u00e3o do Museu da Imprensa de Vit\u00f3ria da Conquista, um tipo de resgate da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre foi vista, at\u00e9 certo tempo, como o quarto poder por ser formadora de opini\u00e3o, tida por muitos como \u201co c\u00e3o de guarda\u201d em defesa da liberdade de express\u00e3o e a voz por uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria. 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