{"id":108371,"date":"2022-04-06T05:36:00","date_gmt":"2022-04-06T08:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=108371"},"modified":"2022-04-06T05:36:00","modified_gmt":"2022-04-06T08:36:00","slug":"tempos-dificeis-para-os-jornalistas-nesta-data-comemorativa-do-dia-7-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2022\/04\/06\/tempos-dificeis-para-os-jornalistas-nesta-data-comemorativa-do-dia-7-de-abril\/","title":{"rendered":"Tempos dif\u00edceis para  os jornalistas nesta data comemorativa do dia 7 de abril"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\nLembro quando comecei a dar os primeiros passos na profiss\u00e3o como revisor, no in\u00edcio de 1973, ano da minha gradua\u00e7\u00e3o como bacharel em jornalismo para Universidade Federal da Bahia (Ufba). Eram tempos dif\u00edceis em pleno cerco da ditadura civil-militar, anos de chumbo contra a liberdade de express\u00e3o quando os homens da farda faziam o papel de c\u00e3o de guarda para censurar os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, especialmente o jornal impresso onde atuava.<br \/>\nApesar de toda morda\u00e7a, os jornalistas eram mais combativos e participativos e tudo faziam para driblar a opress\u00e3o dos generais. Os sindicatos, a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e as associa\u00e7\u00f5es brasileiras de jornalismo (ABIs) eram mais fortes e unidas. Naquela \u00e9poca, nem se falava de \u201cfake news\u201d, que passaram a brotar com a chegada da internet e, consequentemente, das redes sociais, o chamado jornalismo virtual onde grande parte da atividade foi banalizada, e a maioria perdeu a responsabilidade maior de informar.<br \/>\nNada contra a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica onde a not\u00edcia \u00e9 mais veloz que uma bala e pode ser mortal. Passados mais de 50 anos, onde cada um se acha jornalista (n\u00e3o precisa ser diplomado), o neoliberalismo de mercado estreitou os espa\u00e7os da profiss\u00e3o, e poucos que optaram pela \u00e1rea e passaram a frequentar as escolas seguem a carreira. Caiu o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o e aumentou o notici\u00e1rio de mat\u00e9rias infundadas, mal apuradas pela falta de uma maior investiga\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQuando aqui cheguei, em 199,1 fui o primeiro jornalista formado da cidade e logo passei a assumir a diretoria regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), chegando a vice-presidente. Atualmente, como graduado sou o decano e, durante essa longa caminhada, j\u00e1 enfrentei muitos desafios. Continuo escrevendo porque \u00e9 o alimento da minha vida e, se tivesse que recome\u00e7ar, seria novamente jornalista.<!--more--><br \/>\nDIA DO JORNALISTA<br \/>\nToda essa abertura, em forma de \u201cnariz de cera\u201d, \u00e9 para lembrar do 7 de abril, Dia do Jornalista (quinta-feira), infelizmente menos comemorado que at\u00e9 no per\u00edodo duro do regime militar onde existia mais uni\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o com aqueles memor\u00e1veis encontros, dos quais muito ajudei a realizar. \u00c9 dia de reflex\u00e3o e protestos porque hoje vivemos num governo federal que, com sua tropa antidemocr\u00e1tica belicosa, desvaloriza, amea\u00e7a, menospreza, ataca, agride e xinga jornalistas com palavras de baixo cal\u00e3o. Ser\u00e1 que n\u00e3o estamos num per\u00edodo mais dif\u00edcil ou igual \u00e0queles vividos h\u00e1 mais de 50 anos?<br \/>\nVamos dar uma pequena pausa nesse coment\u00e1rio para focar propriamente no Dia do Jornalista, pouco rememorado pela pr\u00f3pria classe (casa de ferreiro, espeto de pau). O dia foi criado pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI) e foi estabelecido por alguns motivos, como numa reuni\u00e3o de coletiva de imprensa. Uns dos motivos \u00e9 que no dia 7 de abril de 1908, foi criada a pr\u00f3pria ABI. Idealizada pelo jornalista Gustavo Lacerda, a associa\u00e7\u00e3o situa-se no Rio de Janeiro, e \u00e9 um centro de a\u00e7\u00e3o que tem como objetivo assegurar os direitos \u00e0 classe jornal\u00edstica.<br \/>\nTamb\u00e9m no dia 16 de fevereiro foi comemorado o \u201cDia do Rep\u00f3rter\u201d, que est\u00e1 ligado a um epis\u00f3dio da nossa hist\u00f3ria do Brasil. A data foi designada em homenagem ao jornalista e m\u00e9dico Giovanni Battista L\u00edbero Badar\u00f3, morto no dia 22 de novembro de 1830. Ele participou de diversas lutas a favor da Independ\u00eancia do Brasil. Era propriet\u00e1rio do jornal \u201cObservador Constitucional\u201d e um dos principais motivadores da liberdade de imprensa, hoje t\u00e3o vilipendiada, bem como a nossa Carta Magna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Libero Badar\u00f3 teve uma morte misteriosa, mas, segundo a hist\u00f3ria, inimigos pol\u00edticos atentaram contra a sua vida. O falecimento dele causou descontentamento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e culminou na abdica\u00e7\u00e3o do trono de Dom Pedro I, justamente no 7 de abril de 1831.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 para reportar a hist\u00f3ria, a primeira faculdade de Jornalismo foi criada em 1912, na Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos. A faculdade foi fundada por meio da doa\u00e7\u00e3o de dinheiro do jornalista Joseph Pulitzer, que ajudou a tornar a imprensa conhecida como o quarto poder e que d\u00e1 nome ao principal pr\u00eamio concedido a jornalistas.<br \/>\nNo Brasil, a primeira escola de jornalismo foi criada em 1947. Atualmente, a institui\u00e7\u00e3o chama-se Faculdade G\u00e1sper Liber\u00f3 e localiza-se no pr\u00e9dio da Gazeta, na Avenida Paulista.<br \/>\nTEORIA E PR\u00c1TICA<br \/>\nQuando adentrei na reda\u00e7\u00e3o era um dos poucos graduados pela Faculdade de Jornalismo da Ufba. Existiam os antigos jornalistas registrados no Minist\u00e9rio do Trabalho. Na d\u00e9cada de 70, o diploma passou a ser exigido e isso criou uma animosidade entre os chamados velhos e novos. Dizia-se que jornalismo era uma voca\u00e7\u00e3o, uma forma de dom que se aprendia no dia a dia da not\u00edcia, o que n\u00e3o deixava de ser uma verdade, mas a forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica com a pr\u00e1tica fortalecia ainda mais a profiss\u00e3o.<br \/>\nA briga gerou uma disputa de a\u00e7\u00f5es na justi\u00e7a para derrubar a obrigatoriedade do diploma, isso, se n\u00e3o me engano, entre as d\u00e9cadas de 80 e 90. A a\u00e7\u00e3o caiu nas m\u00e3os do Superior Tribuna Federal, em 2009. Recordo que um dos ministros, contr\u00e1rio ao diploma, fez uma leviana compara\u00e7\u00e3o entre a culin\u00e1ria e o jornalismo, dizendo que a pessoa para cozinhar n\u00e3o precisava ter diploma. Aquilo foi de uma insanidade sem tamanho.<br \/>\nAs faculdades continuaram emitindo os atestados profissionais, como a pr\u00f3pria Facom da Ufba, a Uesb que come\u00e7ou seu curso em 1998 (fui um dos incentivadores e ajudei na sua estrutura\u00e7\u00e3o) e tantas outras particulares. Mesmo com a n\u00e3o obrigatoriedade do diploma, vejo que as empresas d\u00e3o mais prefer\u00eancia aos formados, valorizando a forma\u00e7\u00e3o escolar e o conhecimento.<br \/>\nPara marcar a data, a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os sindicatos dos jornalistas do Brasil e profissionais da \u00e1rea costumam fazer reflex\u00f5es importantes sobre a carreira, o mercado de trabalho, os sal\u00e1rios e o futuro da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O curso de Jornalismo \u00e9 ministrado nas principais universidades do pa\u00eds durante quatro anos ou oito per\u00edodos. Os estudantes t\u00eam aulas te\u00f3ricas, como teoria da comunica\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria da imprensa e \u00e9tica e legisla\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria da arte, pr\u00e1ticas, como telejornalismo, jornalismo impresso e webjornalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jornalista \u00e9 o profissional que informa fatos \u00e0 sociedade. Ele pode atuar em meios de comunica\u00e7\u00e3o, como r\u00e1dio, TV, jornal, revista e internet. Tamb\u00e9m \u00e9 comum que jornalistas trabalhem como assessores de comunica\u00e7\u00e3o e imprensa e, mais recentemente, em m\u00eddias digitais, tais como redes sociais e blogs.<br \/>\nTEMPOS DIFICEIS E O ESTRESSE<br \/>\nDe acordo com pesquisa entre cerca de sete mil profissionais no Brasil, 66,2% dos jornalistas se sentem estressados. Dos entrevistados, 34,1% foram diagnosticados clinicamente com les\u00f5es por esfor\u00e7os repetitivos; 40,6% sofreram ass\u00e9dio moral no trabalho; 11,1% ass\u00e9dio sexual. A categoria \u00e9 formada por maioria de mulheres (58%), inclusive negras.<br \/>\n\u00c9 esse, mais ou menos, o perfil do jornalista brasileiro. Da amostragem, 44,2% disseram que seus esfor\u00e7os no trabalho n\u00e3o s\u00e3o reconhecidos. Os dados ainda confirmam que houve uma redu\u00e7\u00e3o do volume de v\u00ednculos empregat\u00edcios pela CLT, bem como, 24% prestam servi\u00e7os de freelancers, MEI, pessoa jur\u00eddica ou sem contrato. De toda classe, 42,2% trabalham mais que oito horas por dia. O estudo da Fenaj (Rede de Estudos sobre Trabalho e Identidade dos Jornalistas), de agosto a outubro de 2021, conseguiu coletar mais de sete mil respostas, sendo 6.594 v\u00e1lidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembro quando comecei a dar os primeiros passos na profiss\u00e3o como revisor, no in\u00edcio de 1973, ano da minha gradua\u00e7\u00e3o como bacharel em jornalismo para Universidade Federal da Bahia (Ufba). 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