A passagem de R$ 2,80 e o modo sub-reptício da ” política”


Paulo Nunes- 5Uma das vantagens mais interessantes da hipocrisia, vício preferido dos parlapatões, é o baixo custo do ataque vil, sem nenhum compromisso com a verdade. A rigor, fazendo a conta na ponta do lápis, a hipocrisia não custa nada quando se considera que o hipócrita jamais pretende cumprir suas promessas, nem se comportar com as virtudes que atribui a si mesmo diante do público numa eleição. Encerrada a disputa à qual se submeteu, dará por zeradas todas as dívidas que parecia estar contraindo quando tinha que pedir votos aos eleitores. A disputa pela Prefeitura de Vitória da Conquista torna-se uma oportunidade grande para aventureiros administrativamente despreparados, mas muito bem articulados na arte de desconstruir, sem qualquer dado concreto, toda atividade que envolva a administração municipal. Sempre apresentam uma solução em outra cidade do Brasil para que sirva de exemplo para nossa cidade. Todas as iniciativas de obras e serviços apresentadas pelo governo de situação não são adequadas, na visão do adversário irresponsável.

Vitória da Conquista possui 45 conselhos que ajudam a administração municipal na organização do município. Mesmo que não sejam deliberativos, colaboram, esclarecem e é lógico que as decisões do prefeito consideram a opinião dos conselhos, cada um com sua devida importância na administração. Um desses conselhos é o Conselho Municipal de Transportes, a quem cabe analisar as planilhas de custos desse serviço público. Esse Conselho decidiu pelo último aumento da tarifa para o transporte coletivo da cidade e estabeleceu o valor de R$ 2,80. Evidentemente, compete ao prefeito municipal em exercício, eleito em assembleia popular regulamentada em lei, vetar, modificar e aprovar o valor estabelecido pelo Conselho. Saliente-se que a responsabilidade dos estudos feitos pelo Conselho garante a segurança dos dados que orientam o prefeito municipal em sua decisão. Lastreado nessas informações, o prefeito Guilherme Menezes aprovou o aumento da tarifa que começou a vigorar no dia 1º de julho.

É interessante frisar que a cidade dispõe de 160 ônibus novos circulando, veículos adaptados para portadores de necessidades especiais, com câmeras de segurança e horários controlados rigorosamente pela Prefeitura. Segundo dados fornecidos pela própria Prefeitura, são  em média, 100 mil pessoas diariamente transportadas em Conquista, o que representará, em tese, uma receita de R$ 2..800.000 por mês. Porém, desse montante é necessário abater os valores dos passageiros que pagam metade da passagem e dos passageiros que nada pagam e, desse montante, subtrair ainda o pagamento dos insumos, tais como combustível, salários, impostos, peças, além do cálculo do desgaste dos veículos e o pagamento das parcelas devidas à Prefeitura em função da outorga pela licitação ganha. Todos nós gostaríamos de utilizar o transporte coletivo pagando o mínimo possível, mas não podemos exigir de quem se propõe a fornecer o serviço que nada receba por isso. Que o valor é caro para alguns temos certeza que sim e cabe ao governo administrar esse conflito, adequando as condições e as necessidades das partes. O que não é concebível é que sem nenhum dado, nenhum estudo e, principalmente, sem nenhuma responsabilidade, alguém conteste o aumento sem analisar as variáveis envolvidas, como observamos em opiniões contrárias ao último acréscimo.

A Prefeitura encaminhou um projeto à Câmara de Vereadores reduzindo o ISSQN – Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza – do valor de 5% para 2%, com o fim de manter a tarifa num preço mais acessível à maioria da população. A oposição e alguns vereadores da situação condicionaram a aprovação da redução do imposto à manutenção do valor da passagem em 2,40 por um ano. Em nota pública, a Câmara de Vereadores agregou ao rol de condições a reforma do terminal de ônibus, a concessão do Passe Livre Estudantil e a implementação do Bilhete Único. Ora, a geração de novas despesas anularia a economia conseguida com a redução do imposto. A medida não reduziria o custo das empresas e não haveria, então, reflexo positivo no valor das passagens que era o fim da proposta do Executivo. O dinheiro economizado não seria suficiente para implementar as mudanças propostas. Muito embora sintamos que alguns pensam estar agindo de forma correta e acreditam estar ajudando os usuários do transporte coletivo com a medida tomada, os vereadores não resolveram a situação, mas complicaram ainda mais esse sério problema que afeta diretamente o proletariado da nossa cidade.embora sentimos que alguns pensam que estão agindo de forma correta e acreditam que estão ajudando os usuários do transporte coletivo com a medida tomada.
Na cena entra, então, o deputado faz tudo, resolve tudo, entende de tudo e resolve simplesmente defenestrar todos os integrantes do Conselho de Transporte que votaram a favor do aumento da tarifa e colocar no céu os conselheiros que votaram contra, mesmo sabendo da necessidade, em função dos custos demonstrados, de se estabelecer o aumento. Como faz todos os dias em sua rádio, providenciou seu verbo mal colocado para desmoralizar o prefeito municipal, atribuindo a este, adjetivos que são perfeitamente cabíveis ao agressor contumaz.
Infelizmente não temos o áudio onde o parlamentar deu as justificativas mais humilhantes ao voto dos conselheiros que aprovaram o aumento, algo de envergonhar qualquer homem de bem, uma vez que coloca como vassalos todos os votantes favoráveis ao aumento, que tanto quanto os contrários merecem o nosso respeito. Afinal, se há um Conselho é para que este se manifeste em conformidade com seu convencimento, ou seja, com sua ciência e consciência e devem, seus membros, serem respeitados nesse particular, principalmente porque não cabe ao deputado nenhuma ilação sobre a conduta moral dos conselheiros no exercício de seus mandatos, pois não há na sociedade nenhum reconhecimento legal à crítica do ilustre senhor. Na opinião colocada pelo deputado em relação aos conselheiros no exercício de seus votos, todos que votaram pelo aumento seriam safados e a vestal seria o Excelentíssimo Senhor Deputado. Entretanto, é bom lembrar que em Roma, vez por outra aparecia uma vestal parida.