Verdade sobre o CEASA e o espírito dos aproveitadores


DSC01277Diante dos últimos acontecimentos envolvendo o setor atacadista de hortigranjeiros de nossa Cidade, li com a devida atenção o artigo do jornalista Paulo Nunes sobre o CEASA de Vitória da Conquista, e fiquei bastante pensativo em relação aos entraves porque ora passa esse importante segmento. Inicialmente, diria que é nosso dever manter preocupações na linha de defesa de quem trabalha para melhorar a oferta de produtos e serviços para a Comunidade, onde quer que eles sejam realizados. No caso específico, o dos hortigranjeiros, trata-se de um segmento muito especial, que em última análise pode ser considerado tão ou quase tão importante quanto os problemas que emergem da [e na] área de saúde.

As tribulações diárias, as rotinas que inquietam os trabalhadores, grandes atores das áreas pública e privada, trazem consequências que concorrem de forma pouco esclarecedoras sobre questões que nos pegam inadvertidamente sem boas reflexões na liça quotidiana. O embate com o dia a dia, a preocupação com o bem estar pessoal, envolvendo questões financeiras, econômicas e patrimoniais, nem sempre contribuem para que tomemos atitudes corretas ou nos expressemos de modo que nossas decisões sejam melhor ajuizadas.

Lendo o artigo do respeitado jornalista (Leia aqui a opinião de Paulo Nunes) e considerando que há no texto uma série de informações sobre pressões que os grandes atacadistas fazem sobre os pequenos, o sentimento é estarrecedor. A determinação de alguns dos grandes atacadistas é que os pequenos não aceitem nenhuma proposta feita pela Prefeitura, a não ser aquela imposta pelos seus interesses. Levando em conta que essa informação vem de um jornalista experiente como Paulo Nunes, fica claro para todos que alguns de alguns dos grandes atacadistas tentam emparedar o Poder Público Municipal fazendo uma espécie de ultimato que se resume ao seguinte: ou a Prefeitura aceita o que eles impõem ou a Cidade sofrerá uma sabotagem em seu processo de abastecimento de alimentos naturais. O que a Sociedade pensa disso?

Ora, a Sociedade deve estar perplexa com as exigências dos grandes atacadistas do CEASA. A Comunidade sabe que as atividades exercidas por pequenos ou grandes atacadistas de hortigranjeiros é uma Atividade Comercial (não Filantrópica) e como tal, tem que estar submetida a todas as regras de mercado. Trata-se uma atividade privada, lucrativa, sujeita a todo tipo de dispositivos legais, tributários, além dos administrativos, econômicos, financeiros operacionais e patrimoniais. Portanto, não cabe à Prefeitura a construção de nenhum Equipamento, pequeno ou grande para que esses empresários exerçam suas atividades comerciais.

Imaginemos uma Sociedade de Mercado (e o Brasil é um País de Economia de Mercado) com o Poder Público tendo o dever de construir Imóveis para que comerciantes exerçam suas atividades empreendedoriais. Isso seria muito bom (se pudesse ser feito para todos). Como não é possível fazer isso para todos, o certo é que todos que queiram entrar no Mercado construam com recursos próprios suas instalações, seus imóveis. Na realidade esse desejo dos atacadistas do CEASA não existe em nenhum lugar do Planeta.

O que se sabe é que todos os comerciantes que lá estão, são pessoas trabalhadoras, vitoriosas, algumas muito bem de vida, cheias de projetos na construção de um Brasil novo e com grandes interesses de fazer do novo Centro de Abastecimento um grande Espaço, dignificando a cada dia suas atividades. A Prefeitura de Vitória da Conquista, ao que se sabe, já está fazendo sua parte doando um terreno enorme de aproximadamente 70 mil metros com toda a Infraestrutura cujo processo está em andamento. Nesse momento é hora de cada comerciante fazer sua parte, aderindo ao processo do sorteio dos lotes, para construírem seus boxes e também negociando com os donos do imóvel para permanecerem onde estão até a desocupação e transferência para o Novo CEASA. Paz na Terra aos Homens de Boa vontade, pés no chão e perseverança na reivindicação daquilo que queremos conquistar. Mas, que o façamos sempre com dignidade.