Governo segura emendas do orçamento secreto e gera disputa no Senado


O orçamento secreto foi criado dentro do Palácio do Planalto para garantir a Jair Bolsonaro base de apoio no Congresso

(Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Pressionado por investigações sobre o “orçamento secreto”, o Palácio do Planalto tem segurado a liberação de recursos de emendas de relator indicadas por senadores. Dos R$ 16,9 bilhões previstos no Orçamento deste ano, apenas R$ 6 bilhões (36%) haviam sido empenhados – a etapa que abre caminho para o pagamento – até a sexta-feira passada. Senadores cobram a abertura do cofre e reagem trancando a pauta do governo na Casa. A reportagem é do jornal Estado de S.Paulo.

O orçamento secreto foi criado dentro do Palácio do Planalto para garantir a Jair Bolsonaro base de apoio no Congresso. A prática é ilegal, segundo juristas, por desequilibrar o sistema democrático – ao beneficiar um grupo de parlamentares que apoia o governo em detrimento da oposição – e pela falta de transparência.

O esquema de toma lá dá cá foi apelidado de “tratoraço” porque boa parte dos políticos usou o dinheiro para comprar tratores superfaturados. Nas últimas duas semanas, o jornal conversou com dezenas de senadores que aceitaram falar sob condição de anonimato. Eles admitem que as votações de interesse do governo pararam e apontam o ministro da Casa Civil, senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI), como responsável por trancar o cofre. Ao contrário do seu antecessor, o general Luiz Eduardo Ramos, Nogueira só aceita pagar as emendas após a votação realizada.A reação foi imediata. O governo enfrenta no Senado um clima mais hostil na comparação com a Câmara, presidida por Arthur Lira (Progressistas-AL), aliado de primeira hora de Bolsonaro e responsável por impedir a análise de mais de cem pedidos de impeachment.