A Mestra não batia continência


Ruy Medeiros

A mestra chamava-se Edvanda Teixeira. Ela envolveu-se de corpo e alma no trabalho de educação popular. Embora professora da rede pública de ensino e cumpridora de seus deveres de servidora pública, tirava a maior parte de seu tempo em atividades de Educação popular. É que gratuitamente ensinava, na periferia da cidade e na zona rural, a trabalhadores, jovens, donas de casa, desempregados.
Foi a grande educadora, na região, das Comunidades Eclesiais de Base. Seu ensino era problematizador e emancipatório. Todos os envolvidos participavam, a fala de todos era buscada e considerada. A visão crítica das coisas estabelecia-se no auditório e as diversas contribuições sobre o tema em pauta eram discutidas. A liberdade era cultivada.
Grande parte de sua vida transcorreu no período da ditadura militar. A parábola tinha de ser utilizada.
O Município de Vitória da Conquista batizou uma de suas escolas com o nome da educadora. Homenageava-a, reconhecia-lhe o trabalho e queria perpetuar sua memória de educadora para a liberdade, seu método, inclusive (ou sobretudo?).
Agora, circula notícia de que a escola que ostenta o nome da educadora Edvanda Teixeira oferecerá ensino com pedagogia nos moldes de Colégio Militar.
Quem, sem conhecer a história de vida da educadora, Edvanda Teixeira, ver o seu nome inscrito na fachada da escola, que passar a adotar a pedagogia dos Colégios Militares, há de imaginar que era essa a pedagogia de Edvanda Teixeira e a sua memória estará desfeita ou, no mínimo, desnaturada. Todo objetivo de preservar a memória íntegra de uma grande educadora se esvairá. Esse não pode e não deve ser objetivo de homenagem. Não.

2 responses to “A Mestra não batia continência

  1. Me indigno ler um texto onde já começa errado! Continência se presta, não se bate.
    As questões a serem observadas deveriam ser: Às condições de manutenção física em que a escola passará a ter, a segurança dentro e do seu entorno, o ensino, que por seu padrão de pilares como disciplina e respeito auxiliarão o trabalho dos professores, entre tantos outros benefícios já observados em escolas militares de todo o país.
    Procure conhecer a histórias do Colégio Eraldo Tinoco, antes e depois de sua militarização, procure saber dos benefícios gerados a toda sua circunvizinhas.
    A questão da educadora homenageada não “prestar” continência, não justifica deixar a escola, os professores e muito menos os alunos, continuarem como estão. Será que “Ela” se sentiria homenageada na atual situação?

    1. Prezado Marconi, permita-me dizer, que o domínio público da continência é “bater”, todavia o domínio clássico, o Sr. tem total razão, é “prestar”, mas posso dizer que autor, um dos homens mais cultos da Bahia, fez a crítica diferente da a interpretação que o Sr. deu, o que ele disse, foi que pela vida que levou a professora que dá ao colégio, não era adepta de disciplina militar fora do quartel e dada apenas a soldados que, por opção ingressa nas FFAA, principalmente porque as condições de manutenção física, segurança dentro do estabelecimento e no entorno, devem ser senso comum à todas as escolas e não exclusivamente as escolas militares. Quanto a disciplina e respeito aos mestres, posso assegurar que os colégios comuns, também experimentam tal bem. O autor é filho de um tenente da PM, assim como eu, conhecemos bem militares e civis, e os consideramos iguais, em deveres e direitos.

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