Educação continuada em tempos de pandemia


(Prof. Dirlêi A Bonfim)*
Educação proveniente do latim, educare, educere, cujo significado literal é conduzir para fora ou direcionar para fora, externar ou, levar a … O termo é composto pela união do prefixo ex (fora) e ducere (conduzir ou levar), à descoberta, ao conhecimento, ao saber, à sensibilidade… Assim, a educação, em sentido mais amplo, não deve levar em consideração apenas o ato de ensinar e aprender. Mas também, de desenvolver a capacidade intelectual, física, ética, moral, mística e espiritual de cada ser. A Educação extrapola ainda os atos, de instruir, motivar, estimular, buscar, fluir, descobrir; a polidez, à conduta o disciplinamento. Ainda no sentido mais formal, como um processo contínuo de formação de ensino e aprendizagem que faz parte do currículo dos estabelecimentos oficializados de ensino, sejam eles públicos ou privados. Os significados de educação, vão conduzindo a um universo de conhecimentos, diálogos e descobertas que vão adensando com o passar do tempo, na medida, em que se processe e se aprofunde tal conhecimento, nas generalidades e especificidades, seja ele filosófico, teológico, científico, técnico, artístico e cultural, para a construção e compreensão da vida. Assim, o processo educacional se confunde muitas vezes com o processo cultural, não se prende apenas ao domínio de técnicas ou conteúdos, ou ainda ao ato de transmitir e receber informações, conteúdos e saberes filosóficos, pedagógicos, didáticos e científicos cartesianos ou não. Vai muito além, do domínio dos processos, vai adentrar no campo da sensibilidade, literária, holística, teológica, artística e cultural. Assim, diz-se de uma pessoa culta, aquela que além de dominar certos conteúdos, tem a sensibilidade para apreciar, uma boa música, ou contemplar um quadro, uma pintura, uma escultura, uma partitura, a literatura, enfim, tenha um olhar humano, profundo, sensível, ao considerar o conhecimento, a educação e a cultura como um conjunto do todo ser, do labor e do fazer humano em uma sociedade num determinado período. Ao compreender a cultura como uma expressão coletiva do homem no contexto social onde atua e estabelece suas relações. Ou ainda, como o ser humano se comunica, interpreta e reflete sua vivência em um determinado contexto, seja pelas diversas formas e linguagens, pela música, dança, moda, artes, alimentação, comportamentos, tradições, lazer, tradições, costumes, hábitos, personagens, enfim, todos os símbolos representativos do processo civilizatório. Assim vai afirmar o nobre Professor Anísio Teixeira (1958),“…sou contra a educação como processo exclusivo de formação de uma elite, mantendo a grande maioria da população em estado de analfabetismo e ignorância”… ou mesmo, “… só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública”… Pois, “…Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra…” Outros pensadores vão qualificar a expressão Educação, como o Professor Piaget (1970), “…A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe” ou mesmo, quando vai dizer “…e o professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança descobrir. Cria situações-problemas e aprendem juntos…” A educação que compreendemos, é aquela que investe na formação de seus docentes e por essa razão, compreende o educador e a educadora progressista, de acordo com o Professor Paulo Freire, como aquele que: “…antes de qualquer tentativa de discussão de técnicas, de materiais, de métodos para uma aula dinâmica assim, é preciso, indispensável mesmo, que o professor se encontre, como sujeito de transformação no sentido mais integral da palavra, com novos sentidos, novas perspectivas e dimensões para a existência, nova forma de organizar as relações entre os homens, o pensamento e a reflexão mais profunda”. A educação em eterno processo de construção como afirmava o nobre pensador o Professor Darcy Ribeiro (1982),“…A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto. As elites brasileiras, são cruéis, elas asfixiam as massas mantendo-as na escuridão da ignorância. As escolas não cumprem com o seu papel de educar e preparar os meninos. Só vamos acabar com a violência quando resolvermos o problema da educação”. Trazendo essa discussão para um novo cenário podemos acrescentar que a realidade contemporânea demanda cada vez mais de profissionais da educação críticos e transformadores de um panorama de perplexidade diante das aceleradas mudanças sociais, das novas configurações do mundo do trabalho e das novas exigências de aprendizagem. Como afirma Alarcão (2008 p.32), “…O grande desafio dos professores é ajudar desenvolver nos alunos, a capacidade de trabalho autônomo e colaborativo, mas também, o espírito crítico”.

Assim, a educação de qualidade, deve ser uma busca constante das instituições de ensino. Para que isso se torne realidade são necessárias ações que sustentem o trabalho em equipe. Como vai trazer a reflexão o Professor Nóvoa (1992 p.38), “… A formação não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexão crítica sobre as práticas de (re)construção permanente de uma identidade pessoal”. Ao continuar essa reflexão, Nóvoa vai nos remeter a uma análise sobre as tensões e conflitos atuais, para preparação e formação dos docentes, quando vai trazer a tona à discussão sobre a formação plena e constante dos Professores, como sujeitos da Educação transformadora. Ao trazer os conceitos da educação continuada, ele vai nos colocar diante dos grandes desafios comuns a todas as carreiras, da educação permanente e formação continuada. O processo de educação continuada não é um processo recente, acabou impondo-se no final do século passado, por exigência do próprio desenvolvimento da sociedade e da classe trabalhadora. Não surgiu por acaso, nem por obra voluntária de educadores, mas também, como uma exigência da sociedade capitalista, para se dar respostas aos problemas e desafios inerentes ao processo de qualificação profissional permanente. No Brasil o projeto de educação continuada passou a ser discutido com maior ênfase nas décadas de 70,80 e 90, por alguns pensadores acerca da integração docente assistencial, referindo-se a programas de complementação educacional de profissionais de várias áreas. A educação continuada consiste em um programa de formação e desenvolvimento dos recursos humanos que objetiva manter a equipe em um constante processo educativo. A ideia também da formação continuada entrou em evidência no Brasil especialmente a partir da Lei n.º.9394/1996, das Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que na orientação de uma política para o magistério, busca a valorização do profissional da educação escolar. No seu Art. 62. Quando vai afirmar que “… a formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura plena…”. E ainda, no seu § 2º. sobre “…a formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância…”. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). Trazendo todos esses aspectos importantes da educação e formação continuada para o nosso cotidiano presente, num momento, em que a sociedade está vivenciando uma experiência bem distinta e diferente de tudo que nós estávamos acostumados a fazer, desenvolver e desempenhar na multiplicidade das relações no mundo das ações presenciais. O mundo vem enfrentando uma grande crise devido à pandemia do Covid-19, o novo coronavírus. Na educação, o cenário não é diferente. Sendo assim, chegou o momento de contar ainda mais com a utilização da tecnologia, para que este cenário possa quem sabe minimizar os prejuízos à educação dos alunos que estão cumprindo a quarentena. A perspectiva é que o momento de instabilidade pelo qual passamos possa perdurar por algum tempo, que é imprevisível se serão 03, 04 meses, ou mais. O Ministério da Educação (MEC) autorizou a realização das aulas de forma remota para evitar aglomerações e o risco de contágio do Covid-19. Vários setores foram impactados, e com a educação não seria diferente. Neste momento de crise, em que o distanciamento social é uma necessidade premente, as plataformas de ensino remoto vêm se mostrando, como uma alternativa possível. Assim várias plataformas, foram oferecidas e montadas, se utilizando de vários programas, linguagens e ferramentas como: google Hangout, google Meet, google Classroom, webconferência pelo Zoom, todas essas plataformas, podendo oferecer o ambiente de aprendizagem virtual (AVA). Com o espectro do ensino, aprendizagem e formação remota e a distância. Sem dúvida, todas estas modalidades já estavam à disposição da sociedade e no cotidiano das instituições, dos Alunos, Professores, Educadores, Formadores, claro que elas vieram alavancar, por conta desse momento de excepcionalidade a que a sociedade está passando. Mas, o fato é que o processo de educação e formação continuada, deve está presente na vida dos Docentes. Como assim vai afirmar, Schnetzler (2003), […] “a necessidade de contínuo aprimoramento profissional e de reflexões críticas sobre a própria prática pedagógica, pois a efetiva melhoria do processo ensino-aprendizagem só acontece pela ação do professor…” Com o avanço da tecnologia, a ascensão do ambiente digital e virtual, uma melhor performance do sinal da rede/internet, está sendo possível abranger muitas áreas profissionais, dentre elas a educação. Nesta área, podemos observar alguns avanços significativos, numa completa disrupção dos modelos clássicos do ensino. Com a efetividade das instituições educacionais dentro do processo, oferecendo como mais uma alternativa aos diversos públicos e aproveitando dos instrumentos tecnológicos e funcionais, para oferecer os benefícios das funcionalidades através das redes, da internet, com servidores e equipamentos eletrônicos mais avançados, gamificação que consiste em utilizar recursos de jogos em outros contextos, como na educação e plataformas online para incrementar o ensino, que se tornou uma das apostas da educação no século XXI.
**contribuição do Professor DsC. Dirlêi A Bonfim, Doutor em Desenvolvimento Econômico e Ambiental, Professor da SEC/BA**Sociologia**Cursos/FAINOR de ADM/CONTÁBEIS/ENGENHARIAS/FAINOR/2020.1*

One response to “Educação continuada em tempos de pandemia

  1. O professor Dr. Dirlei Bonfim é, seguramente, um dos intelectuais da nossa cidade, deságua sua sapiência em textos soberbos como este, tão profundo qto reflexivo.

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