Da vida à morte, as desigualdades sociais são gritantes em nosso Brasil


Por que quando o pobre morre de Covid-19 o caixão sai diretamente do hospital para o cemitério, sem direito a velório e enterro pelos parentes e amigos, enquanto o rico, o político, um famoso ou uma celebridade têm todas as cerimônias funerárias normais e ainda é sepultado um dia depois? Será porque o vírus do rico é diferente e não pega?
Não é necessária muita explicação para entender a gritante desigualdade social no tratamento entre o rico poderoso e o pobre zé ninguém. Essa desigualdade começa no nascer e continua até na morte. Ainda tem gente que diz que na morte todos são iguais. É uma pura mentira. Só não tenho certeza sobre o espírito no pós-morte, no outro além do além.
É muito triste, mas essa é a face suja da nossa sociedade capitalista selvagem, cruel e hipócrita que fala de solidariedade e igualdade. Essa pandemia serviu para escancarar a realidade escondida dentro desse podre sistema, como essa a qual me referi acima, e por ter colocado nas ruas as caras sofridas de mais de 30 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza. As imagens das filas nos bancos não mentem.
Não foi somente o caso da morte por Covid do prefeito de Goiás que teve cortejo fúnebre e velório, mas de tantos outros pelo Brasil a fora. Desde a chegada do coronavírus no início do ano passado até hoje vemos todos os dias na televisão cenas chocantes de pessoas pobres sendo enterradas às presas em valas comuns (caixões amontoados), sem velório e até sem a presença de parentes mais próximos. Como consolo, muitos acompanham pelo celular de forma virtual entre choros, revolta e lágrimas.
Confesso que em nenhum momento vi a nossa mídia questionar esse tratamento tão desigual e desumano, como tantos outros fatos que ela tem deixado passar em branco. Sou jornalista profissional, mas jamais vou me furtar de levantar minhas críticas. Infelizmente, ela hoje só tem feito o factual e, mesmo assim, como uma péssima qualidade nas coberturas. Não se faz mais jornalismo como antigamente.
Além de matar muito mais pobres que são vulneráveis e só têm os hospitais públicos, os quais estão hoje superlotados, o rico e o poderoso vão para o Sírio Libanês e outras unidades particulares, com toda a infraestrutura necessária para salvar o paciente. O que estamos vendo no Brasil é um genocídio, cuja maior culpa é do governo federal que tem debochado da pandemia chamando-a de “gripezinha”, além de se posicionar contra o isolamento.

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