A insensatez dos carnavalescos!


Jeremias Macário

Com toda essa pandemia ceifando vidas, com mais de 200 mil mortes no país, com tanta barbárie e desmando do governo federal, com tantas incertezas sobre essa vacina, os artistas do axé music (só tem lixo) se preparam para fazer lives durante os dias previsto do carnaval, o qual foi cancelado na Bahia e no país em geral. Só pensam neles e na vaidade de se manter na mídia.
Esse pessoal está cheio da grana e ricos de tantos carnavais passados, e não necessita disso. Considero uma insensatez, e também da mídia que anuncia a festança com exultação e regozijo. Será que esse pessoal não imagina que essas lives, inclusive em trios elétricos, vão servir de atrativo para aglomerações de seus fãs em bares, espaços de eventos, clubes e até dentro de suas casas com amigos?
Como sempre tenho comentado, a nossa mídia, infelizmente, deixou de ser questionadora e não tem a coragem de contestar contra esses “famosos” que dão audiência para ela. Onde fica a reflexão para dizer que essas lives vão incitar as pessoas a saírem às ruas para festejar o carnaval? Muitos vão aproveitar para colocar telões em espaços proibidos de festas e até cobrar ingressos.
É um grande mau exemplo dessa gente do axé, como Ivete Sangalo, Cláudia Leite, Olodum, Bel Marques e tantos outros. Deveriam, pelo menos, ter sentimentos e respeitar os mortos. Não é tempo de festejar, mas de clamar por isolamento, e que todos sigam os protocolos de precaução contra esse vírus maldito.
De um lado, fazem pronunciamentos de lamento e de pesar pelas perdas de vidas. Do outro, inventam de fazer lives, comprometendo os regramentos recomendados pela Prefeitura de Salvador, pelo Governo do Estado, dos infectologistas e dos médicos.
Será que eles não estão acompanhando os noticiários dos superlotamentos nos hospitais, inclusive de pessoas morrendo à mingua nos corredores? Mas não! Se esses artistas endinheirados pegarem Covid vão logo para o Sírio Libanês, ou outras unidades de saúde particulares, com toda estrutura. Já os pobres que entram na onda deles, vão morrer nas portas dos SUS.
Para eles, pomposas lives com coreografias e muita curtição (ganham até cachês de patrocinadores e emissoras de televisão), enquanto os músicos que tiram seus sustentos nos bares e algumas casas de shows estão na amargura, comendo o pão que o diabo amassou, agora sem o auxílio emergencial do governo.
É assim que se dizem solidários com os seres humanos e até mandam que todos se cuidem? É o tal do morde e assopra. Considero tais atitudes como hipócritas e incoerentes. Eles deveriam é estar lutando nos meios de comunicação convencionais, nas redes sociais e entre seus fãs para que cobrem do governo federal (não está nem aí para a situação de calamidade) mais pressa para vacinação já.
Da minha parte, sou contra esse comportamento de indiferença desses artistas e da própria mídia que dá cobertura. Não me incomodo com críticas, mesmo porque já estou calejado de ser chamado do contra e de outras coisas mais. Sinceramente, não consigo entender essas loucuras e devaneios do meu país!
Posso estar até errado, mas essa é a minha posição. Infelizmente, estamos num país paradoxal e contraditório, que vive uma psicopatia generalizada onde impera o egoísmo e o individualismo. Nesse caso específico das lives do carnaval, estão colocando o sucesso acima da vida e provocando mais mortes. Está colocando o povo em mais riscos.

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