O uso da máquina venceu(até agora) a legalidade!


*Edwaldo Alves – PT Conquista

Pouco antes do segundo turno das Eleições Municipais em Vitória da Conquista publiquei, no Blog do Paulo Nunes, um artigo que indagava: “Usar a Máquina Pública Garante Reeleição ?” O título já revelava a minha preocupação pelo desenrolar do processo eleitoral no município. Eu intuía que a uso ilegal da máquina pública poderia influir no resultado eleitoral. Após a apertada vitória de José Raimundo no primeiro turno, tornou-se visível que a campanha de Herzem definiu como objetivo reverter os dados do primeiro turno e vencer o segundo por todos os meios, fossem eles legais ou ilegais. Apostando na morosidade do sistema judiciário, adotou o lema de “agora o que importa é vencer, a questão judicial se resolve depois”. Logo, no início da campanha do segundo turno ficou evidente a estratégia de vencer de qualquer jeito por meio da tática de utilizar os resultados eleitorais do primeiro turno como bússola para aplicar os recursos da máquina pública em benefício puramente eleitoral do candidato Herzem. Em localidades que optaram por votar em Zé Raimundo surgiram da noite para o dia máquinas, equipamentos, asfaltamento, recapeamento até em logradouros já pavimentados. Praças foram iniciadas em plena madrugada e finais de semana. Obras que se desenvolviam em outros lugares foram abandonadas e as máquinas e trabalhadores transferidos para onde era interessante eleitoralmente. Até alguns atendimentos volantes de saúde pública foram apresentados em regiões nas quais o prefeito sofreu fragorosa derrota no primeiro turno. No interior do município, onde Zé Raimundo recebeu votação consagradora, além de obras, milagrosamente surgiram caixas d’água para serem distribuídas nas vésperas das eleições.
O abuso do uso da máquina pública foi em tal volume e abertamente que basta verificar que a execução desorganizada dessas obras e serviços ocorreram exatamente nos locais onde Zé Raimundo foi vitorioso no primeiro turno.
O planejamento, a impessoalidade, a economicidade são alguns dos elementos fundamentais da Administração pública, e devem ser dirigidas no sentido de servir o maior número possível de munícipes e evidentemente aqueles que mais precisam do poder público. A forma como foram implementadas e utilizadas as ações de governo, com objetivos exclusivamente eleitorais, “bagunçam” qualquer planejamento. A Prefeitura levará tempo para arrumar a desordem feita na programação e execução das obras e serviços que estavam sendo realizados.
As análises sobre a votação do primeiro turno revelaram que a opressão e as perseguições promovidas por Herzem contra os servidores foram respondidas com o voto maciço em José Raimundo. Buscando reverter esta tendência, o prefeito tentou seduzir o funcionalismo atendendo reivindicações nunca antes respondidas. As monitoras escolares, que até tiveram suas lideranças com os salários cortados, repentinamente foram incluídas em cargos de carreira. O funcionalismo em geral ganhou um aumento de 10% no Vale Refeição, que é recebido diretamente no contracheque. Esses benefícios mínimos fazem parte da pauta histórica dos servidores e merecem o apoio de todos. É uma pena que lutas justas sejam aproveitadas de forma oportunista para influir ilegalmente na disputa eleitoral. O mesmo pode-se dizer das populações beneficiadas pelas ações eleitoreiras de última hora. Passada a eleição, serão novamente abandonadas pela gestão do prefeito reeleito.
A estratégia da campanha de Herzem atravessou um obstáculo. Agora, precisará enfrentar judicialmente o desrespeito que cometeu contra as regras que disciplinam as eleições para fazer prevalecer a livre e justa vontade popular. Ele sabe que cometeu ilegalidades e contrariou dispositivos legais, executou atos e ações vedados no período eleitoral. Responderá por isso.
Espero que a Justiça se faça!
Edwaldo Alves Silva é filiado ao Partido dos Trabalhadores.