As esquerdas precisam fazer uma revisão e trabalhar com as bases


De um modo geral, as esquerdas foram fulminadas nestas eleições, as quais tiveram um viés mais de direita e centro em todo país. Os partidos de esquerda, que cometeram seus desvios de conduta no passado mais recente, principalmente o PT, precisam, com humildade, fazer uma revisão, trabalhar as bases como antes, e não ficar apenas naquele discurso teórico de rechaçar com radicalismo o outro lado, com palavras de ordem e bordões batidos.
Está na hora de se reunir e corrigir os erros, porque insistir com os mesmos métodos é burrice. Tem que reaprender a falar a língua do povo das periferias, dos desempregados, das associações, dos camponeses e dos trabalhadores nas portas das fábricas. A linguagem das esquerdas, com suas arrogâncias e intelectualismos acadêmicos, não está alcançando as categorias mais baixas, os mais pobres e os mais carentes.
Cadê a nação negra?
Como entender em Salvador, a cidade mais africana do Brasil, com mais de 90% de negros, não eleger nenhum candidato de cor preta? De quem é mesmo a culpa? Dos próprios eleitores negros? Dos movimentos negros? Ou da esquerda que não soube atrair esse eleitorado para seu ninho?
Cadê a voz da nação negra? Depois ficam a lamentar de que Salvador não tem um prefeito negro. Tiveram, através do voto, várias oportunidades para ultrapassar essa barreira da discriminação, da desigualdade e do preconceito. O professor e tributarista Edivaldo Brito (negro), homem probo, preparado e intelectual tentou, mas não conseguiu.
O povo de Salvador tinha total condições de eleger uma mulher negra para governar a cidade. Várias se candidataram, mas o resultado foi ridículo, e um branco levou no primeiro turno. A escolha é “democrática”, mesmo nesse processo desigual de concorrência, mas fica complicado explicar o motivo da capital não eleger um negro para o executivo. Os tais “cientistas políticos” falam, mas quase nada esclarece esse quadro.
Em Conquista, tudo continua no mesmo
A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista (21 parlamentares) vai sofrer algumas mudanças (nove novos eleitos e três que estão retornando), mas para pior, quando muito o nível fica no mesmo em termos de conteúdo e peso. Precisa mais de gente preparada, para legislar e pensar em no sentido coletivo, e não apenas defender seus lotes eleitoreiros.
A bancada da esquerda (quatro ou cinco) vai ser uma merreca, comparada com a direita de vários partidos. Pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), nenhum candidato se elegeu. Entendo que fez um cálculo errado por não ter saído com um candidato próprio a prefeito. Tinha bons quadros competentes, de boa formação, mas o eleitor não conta muito com esses predicados. Tem que ter mais que isso na política.
Quanto a eleição para prefeito, como adiantei, houve uma polarização entre José Raimundo, do PT, e Hérzem Gusmão, do MDB. Vai haver segundo turno, e qualquer deles que saia vitorioso, nada vai mudar, porque um já governa, e o outro já governou a cidade. Se o PT levar, poderá ocorrer algumas mudanças de apoio, na Câmara, pois o que não faltam são oportunistas de plantão para virar a casaca.
Vai ser uma parada difícil para José Raimundo porque o eleitorado dele não altera muito de números diante dos possíveis apoios do PSOL e, talvez, da Rede. Já do outro lado, vamos ter os partidos de direita e da extrema de David Salomão, Romilson e Cabo Heling. Tudo indica que Hérzem acrescenta mais eleitores. É bom avaliar que entra na conta o bloco dos evangélicos e o da família militar.