Delegado investigado atendeu a ligação de Crivella no dia de operação


Prefeito do Rio de Janeiro ligou para Rafael Alves, irmão do ex-presidente da Riotur, perguntando o que estava acontecendo no órgão

Foto: Tomaz Silva/ Arquivo/ Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/ Arquivo/ Agência Brasil

 

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, ligou para o personagem central de um suposto esquema de pagamento de propinas na administração municipal no dia da operação da Polícia Civil. A surpresa é que o delegado Clemente Nunes Machado Braune, da Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro, foi quem atendeu a ligação.

De acordo com informações do site do jornal O Globo, o prefeito evangélico ligou para Rafael Alves, irmão de Marcelo Alves, ex-presidente da Riotur. A Operação Hades foi deflagrada em 10 de março pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e pela Polícia Civil.

Quando ligou para o celular de Rafael, Crivella, ao ouvir um “alô”, perguntou o que estava acontecendo na Riotur. Ao ouvir o delegado, o prefeito desligou rapidamente. Uma análise do conteúdo do aparelho apreendido constatou proximidade entre os dois.

Segundo O Globo, Rafael Alves não tinha cargo na Riotur, mas utilizava uma sala do órgão, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, para receber os empresários interessados. A operação do suposto esquema teria começado nas eleições municipais de 2016, quando foi alegada a necessidade de arrecadar R$ 15 milhões para a campanha.

Rafael usava o argumento de que, se Crivella vencesse, ele ficaria com a presidência da Riotur e os doadores seriam compensados no governo em licitações e operações com o Fundo Especial de Previdência do Município, o Funprevi. Após a eleição, quem assumiu o órgão foi Marcelo Alves, mas Rafael teria passado a cobrar propina de empresários.

O prefeito ainda não se pronunciou sobre isso. O advogado de Rafael, João Francisco Neto, informou à publicação que ele está à disposição do Ministério Público desde dezembro de 2019 para esclarecer o que chamou de “equívocos e fragilidades” das acusações.

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