Rui entrega ponte e trecho de rodovia em Maragogipe


O governador Rui Costa esteve no município de Maragogipe, mais precisamente no distrito de São Roque do Paraguaçu, na manhã desta terça-feira (14), para a entrega da ponte sobre o rio Baetantã, além de acessos à BR-420 e ao Estaleiro. O equipamento de 525 metros faz a ligação entre diversos municípios da região.

“Esta é uma obra grande que se junta a outras diversas obras realizadas nesta região pelo Governo do Estado e que somam um investimento de mais de R$ 100 milhões. O objetivo é reforçar toda essa infraestrutura, no sentido da logística, para esta baía, que tem um potencial enorme de geração de emprego. Poucos lugares do mundo têm essa condição geográfica que possibilita que empresas venham se instalar para a construção de plataformas e de navios. É uma região que tem muito potencial e estamos investindo nisso”, explicou o governador.

Foram investidos mais de R$ 53 milhões na construção da ponte que beneficia diretamente 155 mil habitantes que vivem em Maragogipe, Nazaré, Salinas das Margaridas, Vera Cruz, Itaparica e as localidades de São Roque do Paraguaçu, Cairu e Enseada.

Além desta ponte, durante a visita, Rui Costa deu por entregue a obra da rodovia BR-420, referente ao trecho de 34 quilômetros que liga São Roque a Maragogipe. A obra contou com recursos da ordem de R$ 15 milhões e beneficia 115 mil moradores da região. São Felix, Maragogipe, Cachoeira, Conceição da Feira e Governador Mangabeira são os municípios diretamente beneficiados pela obra da rodovia.

Em Maragogipe, o governador ainda participou da entrega da Creche Municipal Germana Inês Mancione e visitou as obras da Escola Municipal, que estão em fase de finalização.

São Roque de Paraguaçu é um dos cinco distritos do município de Maragogipe, na Bahia. Localizado a 35 km da sede, fica às margens do rio Paraguaçu e do rio Baetantã.[1] Tem um casario em arquitetura barroca e casas simples com aspecto de pequeno povoado. Seu comercio é pouco desenvolvido: conta com apenas 1 farmácia , 1 funerária , 4 mercados. Como opção de lazer pública há uma praia, além da Praça da Vitória recentemente restaurada. Além disso há ainda uma pousada simples e um hotel com melhor estrutura . Foi uma das promessas da Petrobrás que ao construir um estaleiro, o Estaleiro São Roque do Paraguaçu, e outras obras de infraestrutura que prometiam o crescimento do povoado e da cidade, mas foi tudo paralisado com o inicio das investigações da “lava-jato” .[2]

Imenso vazio: São Roque ganha ares de cidade-fantasma após crise na Enseada Paraguaçu

De quase todo São Roque do Paraguaçu se avista uma obra monumental. O estaleiro Enseada Paraguaçu, que chegou em 2012 ao pequeno lugarejo do Recôncavo baiano, simbolizava a pujança e a esperança dos últimos anos. Marcava a era do trabalho, emprego e renda. No auge da sua construção, com oito mil pessoas trabalhando, o pescador tinha facilmente  a quem vender. Os donos de empreendimentos só precisavam acompanhar o crescimento do lugar. Mas quem anda por São Roque hoje vê quase uma cidade-fantasma. Os ecos das milhares de pessoas que caminhavam pelas ruas ainda estão ao redor, mas quase não se vê gente. As obras  pararam em 2015, na maré das crises política e econômica do país. Agora vislumbra-se apenas um distorcido reflexo da outrora vibrante comunidade.

Conduzidos por Messias, o nosso guia local, navegamos com Ducha, um pescador nativo, pelas águas do rio Paraguaçu. Sentamos para ouvir as memórias de dona Edith, uma das mais antigas moradoras do distrito, e a história de Sueli, a dona do bar. Vimos ainda os investimentos perdidos: a pousada inacabada, mas que não abala a fé do gerente Rodrigo, e a falência do grandioso Clube Palmeiras, fruto das aventuras do empreendedor João.

Para além das imagens, repletas de vazio, as palavras reverberam a vida. Entre fotografias e depoimentos em vídeo que se complementam, o documentário Maré Vazante, transformado em reportagem fotográfica para a Muito, mostra um lugar à deriva.  “A cidade que já teve”, como sentencia dona Edith.

“Pra gente era igual a uma final de campeonato, uma Copa do Mundo, levantou o astral de todo mundo, era um  clima de festa” João Mário Santos Dias, empresário do Clube Palmeiras

“Hoje quando acha a quem vender um peixinho, a gente vende; quando não, a gente vai pro fiado” Ogenivaldo de Jesus, o Ducha, pescador

“Eu vendia muito. Já cansei de amanhecer o dia e a turma pedindo: não fecha, não!” Sueli  Reis, dona do Bar Caravelas

“O sonho não acabou. Em momento algum nós estamos pensando em desistir” José Rodrigo Costa,  gerente da Pousada e Restaurante Ponto 10

“Eu ficava olhando e dando risada.  Vinham pra mais de 5 mil pessoas subindo. Você nem queria sair pra não ficar se batendo. Nem tinha condições de atravessar a rua. Agora não tem nada. Você não vê nem gente na rua” Edith Matos, aposentada

São Roque do Paraguaçu era um município baiano até o ano de 1962[3], quando foi extinto.

Fotos: Paula Fróes/GOVBA