Ferrovia vai aproximar municípios do interior baiano


Carlos González

Obras da Fiol na região de Brumado (Foto: Eloi Correa/GOVBA)
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A distância viária entre Jequié e Ilhéus atualmente é de pouco mais de 190 quilômetros (km), percorridos em aproximadamente 3 horas de viagem. Com a implantação da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e do Porto Sul na cidade litorânea, o percurso será encurtado em 50 km e, mesmo sem uma redução significativa no tempo de viagem, o ganho que o setor produtivo jequieense terá com o complexo logístico será gigantesco.

Hoje, grandes indústrias implantadas na cidade de Jequié precisam utilizar o Porto de Salvador, a 353 km de distância e, pelo menos, 5h de viagem para receber insumos, ou mesmo escoar a produção. “O Porto de Ilhéus (o atual) é simplesmente impraticável, as empresas preferem operar por Salvador”, conta o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Celso Andrade Neto.

A cidade conta com indústrias de calçados, têxtil, de alimentos e de adesivos que veem com expectativa a implantação dos projetos de infraestrutura. E o mais importante para a Bahia é que o impacto que se espera em Jequié deve se repetir pelos outros municípios por onde a Fiol vai passar e até mesmo por outros, vizinhos.

“Tudo o que acontecer aqui terá um impacto muito grande não apenas para a nossa cidade, mas para o Médio Rio de Contas, o Vale do Jiquiriça e até mesmo para parte da Chapada Diamantina

Celso Andrade Neto, secretário de Desenvolvimento Econômico de Ilhéus

O município tem a vantagem de ser cortado por duas rodovias federais, as BR 116 e 330, além de estar a poucos quilômetros da BR101. “Com a ferrovia teremos a possibilidade de nos tornarmos o 1º ou 2º eixo logístico da Bahia. Vamos disputar essa condição com Feira de Santana”, acredita o secretário de Desenvolvimento.

As condições logísticas vão ajudar nas operações das empresas atualmente instaladas na região, mas também deverão fomentar novos negócios, aposta Celso Andrade Neto. “Com um polo de logística, vamos oferecer diferenciais competitivos para empresas que vão beneficiar a produção mineral, agrícolas, de alimentos, além de fortalecer nossa posição na distribuição de combustível”, enumera. Neste sentido, o município já conta com uma base da Petrobras atualmente e de uma empresa privada, em fase de implantação. “Acreditamos que vamos nos tornar atrativos até para uma segunda base da Petrobras e para outras empresas deste segmento”.

A projeção é de impactos positivos também no setor de comércio e serviços, principalmente porque o município possui uma base tecnológica, graças à presença de instituições de ensino, acredita Andrade Neto. Segundo ele, o município vem se preparando há muitos anos para criar um ambiente amistoso para o a atração de empresas de base tecnológica. “Projetamos o nosso parque tecnológico, por exemplo, para não ficar preso a uma estrutura física. Se a inovação tiver que ser desenvolvida na área rural, ela será incentivada, não precisamos de um prédio”, diz.

Redenção
A palavra pode parecer forte para quem lê, entretanto é assim que o prefeito de Ilhéus, Mario Alexandre, define a expectativa em relação à implantação da Fiol e do Porto Sul, que será instalado na cidade do Sul baiano: “Redenção, depois de todas as perdas que tivemos com o cacau. Não tem outra palavra para definir”.

Segundo Mario Alexandre, a expectativa é que a movimentação econômica gerada pelo complexo leve desenvolvimento para a cidade. “Além de representar um investimento bilionário aqui, vai gerar muitos empregos e renda já na fase de obras. Não enxergamos a Fiol e o Porto Sul apenas como estruturas que vão movimentar grãos e minério”, destaca. “Desde a quebra do cacau, perdemos nossa principal vocação econômica. A cidade foi favelizada”, diz.

“Além de representar um investimento bilionário aqui, (a ferrovia) vai gerar muitos empregos e renda já na fase de obras. Não enxergamos a Fiol e o Porto Sul apenas como estruturas que vão movimentar grãos e minério”
Mario Alexandre Prefeito de Ilhéus

O prefeito torce para que as obras de implantação do Porto Sul no município se iniciem o quanto antes, porque acredita que elas irão ajudar a gerar empregos no período pós-pandemia do novo coronavírus. “A cidade estava em um ritmo positivo na geração de empregos, mas nossa prioridade é salvar vida, nosso comércio está fechado e não sabemos como vai ser. As obras do Porto Sul terão um efeito muito positivo não apenas para nós, mas para toda a região”, acredita. Ele acrescenta que o turismo, também importante para a economia local foi a praticamente zero.

Mais de 30 mil empregos
Na região de Caetité, que pode ser descrita como epicentro de tudo, a expectativa é que a implantação da Fiol represente, direta e indiretamente, 30 mil novos postos de trabalho, projeta o prefeito de Caetité, Aldo Gondim.

“A Fiol constitui uma infraestrutura logística essencial para a produção. Falo não só de Caetité, mas será fundamental para o interior da Bahia inteira”

Aldo Gondim, prefeito de Caetité

Ele destaca que empresas como a Bamin e a Companhia Vale do Paramirim (CVP) possuem grandes projetos no município, que dependem apenas da infraestrutura. “Acredito que será a redenção socioeconômica da região”, diz.

Segundo o prefeito, com as operações em andamento, a receita tributária do município certamente irá ser duplicada, podendo inclusive ser triplicada. “O minério de ferro é essencial, fundamental e tem um potencial de faturamento muito grande. Vai melhorar o PIB da Bahia. Esses projetos vão demandar insumos, serviços e produtos de modo geral. Isso vai potencializar o desenvolvimento de outros mercados”, acredita o prefeito de Caetité.

Segundo Aldo, esses projetos já seriam importantes para a região antes da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus e agora, mais do que nunca são necessários.

O prefeito de Guanambi, Jairo Magalhães, faz coro às palavras do vizinho. “A mina tem um potencial muito grande. Vai gerar emprego e renda para a região”, comemora.

Segundo o prefeito, o município já teve a produção do algodão como principal atividade econômica, mas hoje vem se consolidando como um polo de serviços regional. “Nós temos um comércio e um setor de serviços muito forte, principalmente na área educacional. A agricultura está renascendo após a crise com o algodão, porém mais diversificada”, explica.

Jairo Magalhães destaca o potencial para a produção de frutas no Vale do Iuiu, que segundo ele pode ser potencializado com a infraestrutura logística.

“O carro-chefe na região será o minério, mas teremos muitos outros benefícios”

Jairo Magalhães, prefeito de Guanambi

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Este conteúdo integra o “Trilhos para o progresso”, um projeto sobre a Fiol, realizado pelo Jornal Correio, com o patrocínio da Mineração Caraíba S/A, BAMIN, Vanádio de Maracás S/A, SINDIMIBA – Mineração na Bahia e RHI Magnesita e apoio institucional da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM).

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