Judiciário avalia reação de Bolsonaro ao STF como temor de julgamento no TSE


Para integrantes dos tribunais, nota do presidente sobre Forças Armadas seria tentativa de intimidação, mas não reflete ameaça

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo diz que integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) veem no conteúdo da nota divulgada por Jair Bolsonaro na noite de sexta-feira (12) preocupação do governo com julgamento da chapa presidencial na corte eleitoral.

No texto, Bolsonaro diz que as Forças Armadas não cumprem “ordens absurdas e não aceitam tomada de poder” por julgamento político.

Magistrados ouvidos pelo jornal paulista afirmam, reservadamente, tratar-se de mais uma tentativa de intimidação contra o Judiciário.

Eles, no entanto, não veem uma ameaça no documento, avalizado por militares e pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Acreditam ser parte da retórica construída por Bolsonaro, mas que o governo segue cumprindo as decisões do Judiciário.

A corte eleitoral analisa um processo que pode levar à cassação da chapa eleita em 2018.

A ação foi aberta após a Folha revelar, durante o segundo turno das eleições, que correligionários de Bolsonaro dispararam, em massa, centenas de milhões de mensagens, prática vedada pelo TSE.

O esquema foi financiado por empresários sem a devida prestação de contas à Justiça Eleitoral, o que pode configurar crime de caixa dois.

Na avaliação na cúpula do Judiciário, o comunicado desta sexta-feira não leva a crise para outro patamar. Segue a aposta do presidente numa estratégia de disparar ameaças para demonstrar força junto a seus simpatizantes.

Na própria noite de sexta, após o ministro Luiz Fux, do Supremo, ter publicado decisão ressaltando que as Forças Armadas não são poder moderador da República, Bolsonaro divulgou comunicado também assinado por Mourão e pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo —ambos generais da reserva.