Uma obra terminal e o corona


 

Jeremias Macário

Logo agora em plena pandemia, a Prefeitura de Vitória da Conquista inicia uma obra de reforma do Terminal da Laura de Freitas, numa área terminal porque dentro de mais cinco ou dez anos já estará toda fumaçada, poluída e saturada diante da demanda de passageiros, em decorrência do crescimento populacional da cidade.
Não sou engenheiro, nem arquiteto e urbanista. Sou um simples jornalista-cidadão, mas sempre questionei que Conquista já está a necessitar de um outro terminal de ônibus coletivos, noutro espaço maior, visando um atendimento para um futuro daqui a uns 20 ou mais anos. O atual Terminal passaria a ser um calçadão urbanizado, com quiosques, e as vias laterais seriam utilizadas como transbordos de passageiros.
Embora não conte com o pensamento dos comerciantes, e até de centenas de pessoas, esta é a minha opinião. Na maquete tudo é bonitinho, e muita gente se encanta e se impressiona pelo visual, mas os moradores usuários dos transportes vão continuar espremidos, e a fuligem dos carros logo vai tomar contar, sem considerar a poluição visual, sonora e o aperto de muita gente.
POR QUE NÃO PRORROGAR?
Sei que essa minha posição não conta, nem vai ser levada em consideração, mas, por que o executivo municipal não prorrogou o início do projeto, tendo em vista a atual situação de pandemia do coronavírus, o Covid-19, ou Coronavid, como venho chamando? Quando se decreta o fechamento de lojas, o isolamento social e se pede para se evitar aglomerações, o prefeito não deveria dar o exemplo, não abrindo mais frentes de trabalho na construção?
No primeiro dia de desmonte do velho terminal, criou-se um tremendo transtorno para quem ainda saiu às ruas e precisou do transporte coletivo. Imagine uma obra com vários operários durante este período, quando os especialistas em saúde estão prevendo que a situação pode piorar mais ainda!
A impressão que passa é que o prefeito está mais preocupado em tocar seu projeto, do que acudir os mais necessitados (informais, ambulantes, desempregados, trabalhadores comissionados e intermitentes), que foram obrigados a parar suas atividades, e estão a precisar de ações sociais e financeiras, principalmente de ajuda para se alimentarem.

GOVERNO ESTÁ EMPERRANDO
Considero uma insensatez jogar dinheiro do contribuinte agora numa obra desse porte quando a saúde pública se encontra em frangalhos e pode entrar num colapso com esse vírus se espalhando. Sabemos que os hospitais e os postos de saúde que atuam na área do município funcionam em estado precário para atender os doentes em tempos normais. O momento seria de focar na questão de montar leitos, adquirir mais equipamentos e ampliar a estrutura para socorrer as possíveis vítimas do coronavírus.
Como uma coisa leva a outra, o governo federal do capitão-presidente, do qual o prefeito é coligado, está emperrando o quanto pode a liberação dos recursos para as pessoas que estão na linha da pobreza, milhões até já passando fome por causa do isolamento e fechamento comercial das cidades.
Há três semanas que venho falando que as medidas na área da saúde tinham que vir alinhadas e acompanhadas das econômicas, porque não é só mandar as pessoas ficarem em suas casas. Não existe isso de primeiro a saúde e depois o dinheiro. Os dois são prioritários porque ninguém pode ter saúde sem grana para comprar comida, remédios e produtos básicos à sua subsistência.
Esse apoio financeiro, imprescindível para a população vulnerável, vem sendo burocratizada, numa lentidão que parece ser proposital até a pandemia se acabar depois de matar milhares e milhares de brasileiros. Estamos diante de um governo da morte que vai de encontro a todas as recomendações médicas e científicas.