IMPEACHMENT, IMPEACHMENT, IMPEACHMENT…


*Edwaldo Alves – PT Conquista

O Brasil começa a viver novamente o clima popular de impeachment presidencial. Cada aparição televisa ou nas redes sociais do atual presidente provoca uma onda de panelaços que ecoa pelas janelas de todo o país. As piadas, as galhofas, os memes brotam da criatividade popular mesmo no atual momento de angústia e incertezas. O sentimento nacional de aversão e desprezo por Bolsonaro e seus generais só não explode nas ruas, trazendo os caras pintadas, porque a grande maioria da população atende as recomendações médicas e dos especialistas e se recolhe em suas casas. Não acata a insana opinião do presidente de que todos devem voltar à normalidade porque estamos enfrentado apenas uma simples “gripezinha” ou “resfriadinho”. A desmoralização e isolamento de Bolsonaro, de sua família e seus asseclas são totais. Aqueles que o inventaram como empresários e fazendeiros poderosos, a grande mídia, militares de alta e baixa patente saudosos da ditadura militar, religiosos oportunistas e interesseiros, e, todos, com a enorme ajuda de chicanas jurídicas, se aproveitaram de uma classe média atrasada e preconceituosa para criar uma falso mito que pela força das armas e da violência salvaria os privilegiados que ocupam o cume da pirâmide de uma sociedade injusta e desigual. Hoje, somente uma parte residual desta massa direitista e reacionária aprova os descalabros do ocupante da cadeira presidencial. Bastou a eclosão da pandemia de coronavirus para revelar ao Brasil e ao mundo a total incompetência e incapacidade política de Bolsonaro para dirigir o país. Seu projeto político de revogar conquistas trabalhistas e sociais dos trabalhadores e do povo e com tais medidas submeter ainda mais a nação aos interesses mesquinhos da minoria privilegiada está naufragando. Este fracasso provoca desconfiança até nos representantes das classes dominantes e nos representantes do grande capital. O povo quer Bolsonaro fora para ter uma vida melhor, parte das classes dominantes o quer fora para encontrar alguém mais capacitado para defender seus privilégios.
Não se pode esquecer que os processos de impeachment nunca são iguais. Começam, se desenvolvem, alcançam o clímax e chegam a um desfecho seja lá qual for. No período histórico e democrático pós constituição de 1988, o Brasil viveu dois momentos cruciais: o processo de impedimento de Fernando Collor que o levou à renúncia e o processo de impeachment/golpe que provocou a destituição da presidenta Dilma Roussef.
Nas primeiras eleições democráticas e diretas após a ditadura miliar, realizadas em 1989, as classes direitistas e conservadores aglutinaram-se em torno de Fernando Collor no segundo turno para derrotar Lula. Conseguiram apertada vitória, auxiliados por uma edição facciosa da TV Globo do último debate entre os dois candidatos e pela mentira, divulgada amplamente pela mídia, de suposta relação entre o sequestro do empresário Abilio Diniz com a campanha eleitoral de Lula.. Chegaram à desfaçatez de vestirem camisetas do PT nos sequestradores. Portanto, a história revela que a farsa policial e jurídica que impediram Lula de eleger-se presidente em 2018 não é novidade.
O aventureiro Collor logo se revelou ao país. Corrupção, demagogia, escândalos, insanidade, provocaram uma ampla campanha política que levou ao processo de impeachment e renúncia do presidente collorido.
O rápido desfecho do afastamento de Collor foi facilitado porque a grande questão neste tipo de situação política estava resolvida: quem sucede o destituído?
Ora, o vice de Collor era o mineiro Itamar Franco, que tinha uma história política de militância no MDB, estivera na oposição moderada à ditadura militar, não tinha arestas com a área militar que ainda tinha muito poder intocado por Sarney, portanto a sucessão de Collor ocorreu sem maiores dramas.
O impeachment de Dilma Roussef foi completamente diferente. Um golpe midiático-parlamentar sem base legal, inventado por supostas “pedaladas contábeis”, cujo objetivo central era derrubar o projeto petista de desenvolvimento econômico com distribuição de rendas e riqueza. Dilma Roussef resistiu até o fim, deixando à mostra que se tratava de um golpe contra a primeira mulher eleita presidenta do Brasil.
Mas, a sucessão foi bem mais complicada do que a ocorrida com F.Collor. Inicialmente, o candidato derrotado no segundo turno, Aecio Neves, do PSDB, judicializou o resultado eleitoral alegando diversas ilegalidades inexistentes. Pretendia ser declarado vitorioso e assumir a presidência mesmo tendo sido derrotado na urnas. O PMDB, então aliado do PT ocupando a vice-presidência com Michel Temer, não aderiu a este esquema porque nunca abandonou a ideia de aproveitar-se do golpe para ele mesmo apoderar-se da presidência da república. Somente após unirem-se em torno do ambicioso e falso Temer o golpe contra Dilma avançou. Dessa forma, o problema da sucessão foi superado.
É importante a análise desses fatos históricos porque o afastamento de Bolsonaro e sua troupe não é imune a esta questão. As forças conservadoras já tem a sua própria solução: manda Bolsonaro para o ralo, assume o general Mourão e tudo continua como dantes no quartel de Abrantes. Esta saída contempla o neoliberalismo, a politica antipovo, antinacional e as ambições pessoais de meia dúzia de generais.
O projeto de destruição de direitos e da nação continuará intacto e mais forte!
Neste dilema as forças democráticas e populares devem simplesmente ficar inertes e indiferentes ao processo real que está ocorrendo no Brasil?
Nunca!
O projeto iniciado na destituição de Dilma Roussef, prosseguido pelo governo de Temer, continuado por Bolsonaro e certamente resistirá a sua queda, prosseguindo mais fortalecido com Mourão. A sua base política se comporá, novas ilusões surgirão. E a conquista de melhores condições de vida para os trabalhadores e o povo, com o verdadeiro surgimento de uma nação justa e respeitada no mundo, mais uma vez será adiada.
Queremos o impeachment de Bolsonaro antes mesmo de surgirem as condições de lutarmos nas ruas. Mas, esta luta é indissoluvelmente ligada à eleições livres já, condição indispensável à convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte Livre e Soberana.
Edwaldo Alves Silva é filiado ao PT.