Exame em Adriano da Nóbrega não constata sinais de tortura, diz perito; vídeo mostrado por Bolsonaro era falso


O ex-policial Adriano da Nóbrega estava foragido e morreu durante conflito com policiais baianos no início do mês. Ele era suspeito no caso Marielle e de integrar a milícia no Rio de JaneiroReprodução

O novo exame do ex-policial militar Adriano da Nóbrega não apontou sinais evidentes de tortura, de acordo com Talvane de Moraes, médico legista que acompanhou a necrópsia. O procedimento foi realizado na última 5ª feira (20.fev.2020), no IML (Instituto Médico Legal) do Rio de Janeiro.

Adriano da Nóbrega é apontado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) como chefe da milícia de Rio das Pedras, na zona oeste da capital fluminense, e do chamado “Escritório do Crime”. Ele é investigado em inquérito que apura a morte da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes.

O senador Flavio Bolsonaro (sem partido-RJ) divulgou suposta autópsia do ex-PM nesta semana e insinuou que ele foi torturado. O presidente também pediu uma “perícia isenta” no caso. O ex-policial estava foragido e morreu em 9 de fevereiro na cidade de Esplanada (BA) durante confronto com policiais baianos.

As bancadas do Psol, PT e Rede usam a suposta ligação da família Bolsonaro com o ex-policial para pedir a cassação do mandato do senador.

A PERÍCIA
Moraes disse que não viu sinais de tortura no corpo de Adriano. O perito também explicou que não “trabalhou” com o corpo, apenas observou o a necrópsia. Ele foi convidado por 2 legistas contratados pela família de Adriano: Francisco Moraes Silva e Ari Fontana, que vieram do Paraná.

O procedimento começou às 16h30 e se estendeu até as 21h. O novo exame foi determinado pelo juiz da comarca de Esplanada (BA), Augusto Yuzo Jouti, que atendeu a pedidos do Ministério Público da Bahia e da defesa do ex-policial.

Exames laboratoriais vão completar o laudo, que deve ser apresentado à Justiça baiana em 15 dias.

Além dos peritos do IML do Rio e dos convidados, estiveram presentes duas advogadas da família, uma irmã de Adriano e 1 representante do Ministério Público da Bahia. Ao final do procedimento, com exceção de Moraes, os demais saíram por uma porta lateral, sem falar com a imprensa.

ADRIANO DA NÓBREGA
O ex-capitão da Polícia Militar do Rio de Janeiro Adriano Magalhães da Nóbrega (1977-2020) era acusado de praticar diferentes atividades ilegais. Ele agia mantendo relações com a milícia do Rio, segundo investigações em curso, com o jogo do bicho, máquinas caça-níqueis e até contratação profissional de homicídios. Nenhuma dessas acusações, entretanto, ainda havia sido comprovada quando o PM foi morto.

Com informações da Agência Brasil.