Caso Marielle: voz que liberou acusado em condomínio não é de porteiro que citou Bolsonaro


Laudo da Polícia Civil atesta que áudio não sofreu qualquer edição; policial reformado Ronnie Lessa autorizou a entrada do outro acusado no local

Foto: Reprodução/TV Globo
Foto: Reprodução/TV Globo

 

Uma perícia feita pela Polícia Civil do Rio concluiu não ser do porteiro a voz do responsável por citar o nome do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e liberado a entrada do ex-PM Élcio de Queiroz no condomínio Vivendas da Barra, na zona oeste da capital. O episódio ocorreu no mesmo dia do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

A informação é foi revelada nesta terça-feira (11) pelo jornal O Globo.

Segundo a reportagem, o documento, assinado por seis peritos, também atesta que o áudio da portaria não sofreu qualquer tipo de edição e que a pessoa que autorizou a entrada de Élcio no condomínio foi o policial reformado Ronnie Lessa. Tanto Élcio quanto Lessa estão presos sob a acusação de terem cometido o crime.

Em depoimento no ano passado, um dos porteiros disse que Bolsonaro havia liberado a entrada de Élcio no condomínio. Depois, ele voltou atrás. Agora, a perícia no áudio da portaria, iniciada em 13 de janeiro deste ano, confirmou que foi um outro funcionário que interfonou para Lessa, morador do condomínio e vizinho de Bolsonaro. O crime aconteceu em 14 de março de 2018, por volta das 21h15. A gravação foi feita no mesmo dia, às 17h07m42s, portanto, quatro horas antes da execução.

Nos depoimentos que prestou nos dias 7 e 9 de outubro últimos, o porteiro pivô do caso relatou que “Seu Jair”, referindo-se a Bolsonaro, havia autorizado a entrada de Élcio no dia do assassinato. Ele também contou à polícia que o ex-PM havia pedido para ir à casa número 58, onde vivia o então deputado federal e atual presidente da República. Bolsonaro, no entanto, se encontrava em Brasília no dia, como mostrou a TV Globo.

Segundo o jornal O Globo, antes de o laudo da Polícia Civil ser produzido, o Ministério Público (MP) do Rio, num exame na gravação feito pelo próprio órgão, no dia 30 de outubro, já afirmava que a autorização para a entrada de Élcio no Vivendas da Barra fora dada por Lessa, e não por Bolsonaro. Em 4 de novembro, o colunista Lauro Jardim publicou que a Polícia Civil já sabia que o porteiro que prestara depoimento não era o mesmo que liberara a entrada de Élcio. Isso agora foi confirmado pela perícia.

Ainda de acordo com a publicação, há outra diferença importante entre os dois exames técnicos. A gravação do sistema de comunicação do Vivendas da Barra analisada pelo MP foi cedida pelo síndico. Já a análise da Polícia Civil se deu sobre material apreendido na portaria do local pelos agentes após o caso vir à tona.