Jair Bolsonaro teria mandado Queiroz não depor no MP, informa livro ‘Tormenta’


Denúncia é uma das muitas publicadas pela jornalista Thaís Oyama no livro “Tormenta – O governo Bolsonaro, crises, intrigas e segredos”, diz revista

São Paulo – Jair Bolsonaro teria ordenado e o ex-assessor Fabrício Queiroz faltou a um depoimento convocado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. A denúncia é uma das muitas que estão no livro Tormenta – O Governo Bolsonaro: Crises, Intrigas e Segredos, da jornalista Thaís Oyama.

A obra, a ser lançada pela Companhia das Letras no dia 20, relata ainda que Bolsonaro decidiu demitir Sergio Moro em agosto do ano passado. Foi quando o ex-juiz criticou a decisão de Dias Toffoli sobre o Conselho de
Controle de Atividades Financeiras (Coaf, subordinado ao Ministério da Economia), que protegeu o filho Flávio Bolsonaro. O presidente teria sido demovido pelo ministro Augusto Heleno, que avisou: “Se demitir o Moro, o seu governo acaba”. As informações constam de reportagem da revista Época.

O livro relata, segundo a reportagem, que os advogados de Queiroz e Jair Bolsonaro haviam acertado que o assessor iria ao interrogatório em dezembro de 2018. Bolsonaro acabara de ser eleito. Queiroz diria aos procuradores que não poderia falar até sua defesa ter acesso ao processo. E, ainda, que ninguém da família Bolsonaro tinha relação com o caso investigado.

“A avaliação era que, assim, Queiroz não ficaria com fama de fujão, e blindaria a imagem de Jair e Flávio Bolsonaro”, de acordo com a Época.

Dois dias antes do depoimento, no entanto, Bolsonaro teria abortado a operação. Segundo Tormenta, o presidente foi convencido por um advogado a abafar a história e jogar o caso para o STF. Foi o que aconteceu e a defesa de Flávio Bolsonaro conseguiu uma liminar de Dias Toffoli paralisando investigações baseadas em informações de Coaf e Receita Federal.