Oposição pedirá veto integral a projeto que tira nome de Paulo Freire de escola; só uma câmara soteropolitana seria tão imbecil


Marta Rodrigues, líder do PT na Câmara, ressalta que pedido conta com apoio de nomes de vereadores da base de ACM Neto

Foto: Chayenne Guerreiro/bahia.ba
Foto: Chayenne Guerreiro/bahia.ba

 

A vereadora Marta Rodrigues, líder do PT na Câmara Municipal de Salvador, afirmou nesta quarta-feira (18), que pedirá o veto total do projeto lei do vereador Alexandre Aleluia (DEM) que altera o nome da Escola Municipal Paulo Freire para Escola Municipal José Bonifácio, aprovado na Casa nesta terça (17). A petista afirmou que o pedido não parte apenas da oposição e conta com apoio de nomes de vereadores da base de ACM Neto, como Teo Sena (PHS) e Odiosvaldo Vigas (PDT).

Marta, que na terça chamou de “golpe” a alteração do nome da escola localizada no Arraial do Retiro, afirmou que o projeto entrou na ordem do dia de “última hora” e sem a especificação de que seria uma escola com o nome do patrono da educação brasileira que teria o nome alterado para o de “um monarquista”.

Em conversa com a reportagem do bahia.ba, ela chorou ao falar de Paulo Freire, a quem afirma ter como “referência de escola construtivista” e disse que Aleluia sequer saber onde fica a escola – para ela, o projeto é puramente ideológico, baseado em “raiva” e “ódio” de quem não tem como fazer uma proposta para a educação.

“Estou pedindo veto total ao prefeito. A gente está aqui elaborando um documento. Eu vou discutir a ata agora pedindo veto”, disse ela, ressaltando que o pedido terá apoio de vereadores da base de Neto. Um deles é Teo Senna, que também conversou com o bahia.ba.

Para o edil do PHS, “é triste um vereador que nunca foi no Arraial do Retiro, propor um projeto apenas pela questão ideológica”, sem sequer conversar com a comunidade que será afetada. “Hoje conversamos com a diretora da escola e ela está revoltada com isso. Vamos continuar brigando e se o prefeito não vetar o projeto vamos propor um abaixo-assinado e, em último caso, acionar o Ministério Público.

“Paulo Freire é um embuste, um canalha”

Alexandre Aleluia afirma que faltou vontade para os vereadores estudarem melhor o projeto. Para ele, sobrou “preguiça” no momento de análise do projeto e, agora, há “muito mimimi”. “O problema é que o pessoal da esquerda, quando começa a perder, começa a ficar agarradinho na palavra golpe. golpe pra lá e golpe pra cá”.

O vereador afirmou ao bahia.ba que “o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, foi aprovado na Comissão de Orçamento, estava no Diário Oficial, na ordem do dia, assim como vários projetos da oposição estavam na ordem também e foram aprovados”.

Ele justificou a proposição do projeto, classificando o educador brasileiro, considerado um dos maiores intelectuais do mundo de todos os tempos, como “um canalha que apoiava Mao Tsé-Tung e Che Guevara”.