Atacado por Bolsonaro, Witzel decide se manter em silêncio, enquanto polícia do Rio avança no caso Marielle


Chamado de “traíra” e alvo de ataques de bolsonaristas nas redes sociais, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, decidiu não revidar. Segundo sua avaliação, o clã Bolsonaro o ataca porque investigações sobre o caso Marielle podem vir a se aproximar de Flávio e Carlos Bolsonaro; há dois dias, Jair Bolsonaro afirmou que haverá “armações” contra sua família

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, decidiu adotar a tática do silêncio na guerra contra Jair Bolsonaro, que ontem o acusou de estar por trás de armações contra sua família. Segundo o jornalista Robson Bonin, editor da coluna Radar, “o entorno de Wilson Witzel no Rio diz que Jair Bolsonaro retomou os ataques contra o governador porque precisa produzir ‘vacina’ contra eventuais revelações e achados das investigações que seguem no Ministério Público do Rio contra os filhos do presidente”.

O receio de que os investigadores tenham avançado nas apurações contra o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro, que orienta as ações hostis do presidente. Carlos ajudou a espalhar um vídeo em que um deputado acusa Witzel de forjar provas contra ele – mas o movimento dele e do pai vem despertando suspeitas na imprensa. “Ora, um presidente que diz coisas definitivas sobre um assassinato —vêm aí novas armações contra mim—, mas não define muito bem as coisas, não precisa de imprensa ou de gente malévola para se enrolar. Bolsonaro tropeça na própria língua. Parece atormentado pela síndrome do que está por vir. E o país se pergunta: O que só Bolsonaro sabe sobre o caso Marielle?”, questionou Josias de Souza, em sua coluna no Uol.