Luzes da cidade encantam Vitória da Conquista


Jeremias Macário

Não é nenhuma Paris milenar das luzes que inspiraram poetas, escritores e filósofos conhecidos no mundo inteiro, mas a iluminação poética de Natal da Praça Tancredo Neves (antiga Praça das Borboletas), em Vitória da Conquista, superou as expectativas dos moradores e visitantes. Verdade seja feita, porque nos três últimos anos foi um fracasso, e nem merecia ser mencionada.
Para abrilhantar a festa teve ainda o “Toque Brasileiro”, na Praça 9 de Novembro, com shows musicais, projeto realizado pela TV Sudoeste todos os anos. Foi mais um sucesso, e na semana do Natal entra a programação de shows da Prefeitura Municipal com artista da terra.
Quanto a iluminação, o que mais chamaram a atenção foi a técnica empregada no jogo de luzes com várias cores nas árvores e a ocupação em locais mais vazios, com enfeites deslumbrantes. O final de tarde, com o pôr-do-sol refletindo no jardim, deixa tudo mais encantado, e as opiniões são unânimes sobre o trabalho da Prefeitura Municipal. Logo ao cair da noite vão chegando as famílias com as crianças, e a “princesa” faz sua pose de menina bonita para os fleches dos celulares e das máquinas fotográficas profissionais.
Não vou aqui fazer comparação com outros governos passados para não abrir espaços para politicagens baratas que o Brasil já está cheio disso, mas visitem a Praça Tancredo Neves, se deleitem e façam seus comentários. A mudança do presépio para o novo calçadão em frente da Catedral foi outra inovação digna de elogios onde as pessoas circulam livremente.
Não importam as milhares de lâmpadas colocadas na praça, se não houver criatividade de encantar e tornar tudo mais poético e emocionar os corações de quem passa pelo local, a quantidade passa despercebida. Vamos esperar que no próximo ano saia ainda melhor, como aquele saudoso conjunto de Salvador “Para o ano sai Mió”. Se houve um concurso de praças mais bem iluminadas da Bahia, talvez Conquista fosse o destaque, junto com o Campo Grande de Salvador.
Contrastes
Sobre os calçadões, sempre tenho dito que o centro da cidade deveria receber esta pavimentação para dar espaço de vida para o ser humano, e banir a circulação de carros nas imediações. A parte baixa da praça merecia ser calçada para fechar o jardim como um todo. Outros locais que poderiam ser fechados são o beco da Lotérica com o extinto Hotel Livramento e toda a Praça Barão do Rio Branco com aquele amontoado de carros que impedem as pessoas circularem livremente. Como está hoje, a praça é feia e ingrata.
Os calçadões, bem urbanizados e arborizados dão outra vida à cidade e beneficiam, não somente os visitantes e moradores, mas também os lojistas, principalmente os mais resistentes às mudanças, que vão ter mais clientes passeando e comprando, com mais tranquilidade. Quem tiver seus carros que se virem nos estacionamentos, ou em outras vagas um pouco mais distantes. As pessoas precisam caminhar mais, se descontrair e apreciar as belezas da cidade, sem a fumaça dos infernais veículos.
Podem me chamar de morde e assopra, mas, a verdade deve ser dita. Como contraste da cidade, fica aqui, lamentavelmente, minha crítica ao “Cabeça de Porco” do Terminal Lauro de Freitas, com aquela poluição visual, sonora e o fumacê dos carros com a fuligem sufocando os usuários de ônibus e os passantes. Aquilo ali é a pior imagem de Conquista e não deveria mais existir.
Em seu lugar, deveria ser construído outro calçadão com quiosques e espaços para os artistas expressarem seus trabalhos, com exposições de livros, declamações de poemas e cantorias diversas, principalmente da cultura popular do cordel e outras linguagens. Tenho horror passa por ali, e só o faço quando não tenho outro jeito.
Outra praga de Conquista são os quebra-molas que atormentam os motoristas, e o pior de tudo é que cada vez aparecem mais. Em seu lugar existem os semáforos, radares e sinalizações. Os chamados redutores de velocidade, nome mais decente para não falar em quebra-molas, são coisas antigas banidas pelo Código Nacional de Trânsito.
Conquista já foi chamada de capital das flores e agora dos biscoitos, mas, infelizmente, é também a capital dos quebra-molas, que irritam, e mais servem para quebrar os carros, como o próprio nome já diz tudo. Basta haver um acidente numa rua ou transversal, e lá vem a prefeitura com aquelas barras de concreto armado. Enfeiam as avenidas, especialmente as mais novas e reformadas. Passar, por exemplo, nas avenidas Integração e Juracy Magalhães é um tormento.

Velho Chico
Para variar minha crônica, estou nesta semana em Juazeiro-Petrolina, e a primeira coisa que fiz foi visitar de perto o meu abençoado “Velho Chico” e fazer uma prece para que este moribundo não morra. Quando ali estava no cais, perto da ponte que liga as duas cidades, encontrei com um paraibano da cidade de Souza que também estava apreciando suas belezas, apesar de tão maltratado pelos vândalos que deveriam ter suas cabeças degoladas e enterradas numa vala dos esquecidos.
Vi esgotos, lixos e muito mato em suas margens, e suas águas baixas correndo sem as forças de antigamente. Pensei com o novo companheiro paraibano o quanto o São Francisco já deu e sustentou o povo nordestino. Nos últimos anos só fizeram sugar mais e mais dele, que nem mais dá peixes e não apresenta aquela exuberância da mata ciliar e a limpeza para o habitat dos peixes. Os ribeirinhos o olham com lágrimas nos olhos, lembrando dos velhos tempos de abundância.
Não adianta universidades, biólogos e cientistas zerem pesquisas, se os resultados negativos não forem corrigidos com a revitalização do rio em estado terminal, estupidamente agora com um governo imbecil que não importa com o meio ambiente. O beócio chama a menina ativista de pirralha, e assim o Brasil vai se isolando do resto do mundo. Aliás, este governo é uma piada que envergonha o país e o mundo.