‘Estamos em guerra contra um inimigo poderoso’, diz presidente chileno


Protestos violentos que tomam conta do país começaram na sexta-feira (18) e já deixaram dez mortos e mais de 1500 detidos

Foto: Reprodução/Twitter
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O presidente do Chile, Sebastián Piñera, classificou a convulsão social pela qual o país passa como uma “guerra” durante pronunciamento oficial feito na noite deste domingo (20). Os protestos violentos que tomam conta do país começaram na sexta-feira (18) e já deixaram dez mortos e mais de 1500 detidos.

“Estamos em guerra contra um inimigo poderoso, implacável, que não respeita nada nem ninguém e que está disposto a usar a violência e delinquência sem nenhum limite”, declarou Piñera, após uma reunião com o general do Exército Javier Iturriaga. As manifestações tiveram início após o governo anunciar o aumento no preço da tarifa do metrô de Santiago – a medida foi revogada, mas os protestos não cessaram.

Piñera, em seu pronunciamento, disse que Santiago e outras nove regiões se encontram em estado de emergência, com 9.500 militares e policiais nas ruas. É a primeira vez, desde o final da ditadura militar, que o Exército toma as ruas do país.

As informações do Ministério Público do país dão conta que mais de 1500 pessoas foram detidas nos três dias de protestos, que deixaram rastros de destruição por Santiago.

Os manifestantes seguem nas ruas aos gritos de “basta de abusos” apesar do toque de recolher imposto pelo governo, da presença do Exército nas ruas e da revogação do aumento da tarifa do metrô. Eles protestam contra o modelo econômico neoliberal que vigora no país desde a ditadura de Pinochet.

“Não é só pelo aumento das passagens, isso foi a gota d’água”, afirmou à RFI (Rádio França Internacional) Paula Rivas, presidente da Federação de Sindicatos do Metrô. “Aqui tratamos das pensões que empobrecem os aposentados, do aumento do custo da eletricidade, da privatização da água, da educação e da saúde”, completa.

(com agências de notícias)