Brasileira desenvolve leite natural para pessoas com intolerância à lactose


Em 2016, outra jovem brasileira havia criado cápsulas para tornar laticínios adequados ao consumo de pessoas com rejeição

(Crédito: Divulgação)

A estudante de Engenharia Química Andressa Bueno, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, é mais uma cientista brasileira a propor uma solução para quem tem intolerância à lactose, mas quer consumir laticínios: ela desenvolveu um leite feito de aveia, coco, cacau e amendoim.

Desde o início do ano, o projeto — que era um trabalho de Engenharia de Alimentos — se tornou uma marca: a Leite Bueno, que atende o público intolerante à lactose, vegano e também a quem tem Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). “Pretendo expandir a produção e vender em larga escala para lojas de produtos naturais”, disse.

A receita, segundo Andressa, surgiu de uma demanda que ela via em sua própria casa: alguns dos seus familiares são intolerantes ao leite de vaca. “Levei um tempinho para pensar em algum produto que fosse diferente. Então, lembrando o cotidiano da minha família, decidi produzir leites vegetais porque percebi que o mercado tinha essa necessidade”, completou.

Com valor entre R$ 8 e R$ 13, os leites estão à venda em pequenas lojas do Rio Grande do Sul, mas ela quer expandir para geladeiras de cadeias maiores do varejo — e já conta com uma assessoria contábil e jurídica para isso.

O projeto de Andressa vem três anos depois que outra jovem cientista brasileira tentou melhorar a vida de quem tem intolerância à lactose: em 2016, a estudante Maria Vitória Valoto, de 16 anos, de Londrina, no Paraná, ficou famosa por ter desenvolvido cápsulas reutilizáveis com a enzima lactase, que quebra os efeitos da lactose. Mantidas por quatro horas dentro de um recipiente com leite, as cápsulas fazem com que ele se torne apto ao consumo de quem sofre com a rejeição.

O projeto de Valoto fez com que ela chegasse à final da Google Science Fair 2016, uma das maiores premiações científicas do mundo atualmente. “Quando comecei a desenvolver o projeto científico queria algo que tivesse impacto social legal, que fizesse a diferença. Eu via meu pai dentro de casa e fui pesquisar quantas pessoas têm intolerância. Vi que o problema existe na casa de milhares de pessoas e que eu poderia ajudar a muita gente”, contou ela à época, quando ainda estava no ensino médio.

Em janeiro do ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que os fabricantes são obrigados a informar a presença de lactose nos alimentos. Dois meses depois, o órgão publicou duas resoluções exigindo que a rotulagens dos produtos com lactose estivessem em todos os alimentos, não apenas nos leites e chocolates e incluindo na regra alimentos para dietas com restrição de lactose no regulamento de alimentos para fins especiais.

Pessoas intolerantes à lactose não podem consumir leite, queijo, iogurte e manteiga. Os sintomas, no caso de quem come ou toma algum desses alimentos e tem a rejeição, vão de náuseas e diarreias a excesso de gases e dor de estômago. A lactose, isto é, o açúcar do leite, obriga que o organismo produza a lactase, que divide o açúcar do leite em glicose e galactose. A incapacidade de produzir a lactase pode ser genética ou ocasionada por algum problema intestinal que a interrompe temporariamente.

Na maioria das pessoas, a atividade da enzima lactase diminui após o desmame, o que as torna menos tolerante à lactose com o passar dos anos. Não há uma estimativa atual de pessoas com intolerância à lactose no país.

 

 
Alice Bachiega
Estagiária em Link Building