Contagem regressiva


Segunda-feira, 19/08/2019

Na ausência de justiça, a política não passa de um roubo organizado.
Santo Agostinho

Onde há muita gritaria, há bem pouca sabedoria.
Leonardo Da Vinci

Carlos Costa

O tempo conta a história a história: são 961 dias de muitos atrasos, desmandos e retrocessos administrativos.

O programa Globo Rural que foi ao ar neste domingo apresentou uma matéria cujo tema foi os migrantes do café. A matéria mostrou que milhares de pessoas migram todos os anos para trabalhar nas lavouras de café no estado das Minas Gerais. Há também correntes migratórias de trabalhadores para trabalhar na colheita de laranjas, de cana de açúcar e até para o carpir de soja e trigo na região centro-oeste. A matéria relata que centenas de trabalhadores deixam a região de Vitória da Conquista para ir colher café no município de Ibiraci, no sul do estado mineiro, já fronteira com o Estado de São Paulo, a 1200 quilômetros de Conquista. Esses trabalhadores são quase todos do Distrito de Bate-pé. O repórter foi até lá para conhecer o local que exporta mão de obra para o município mineiro. A reportagem mostrou as agruras das pessoas que residem no distrito conquistense, a seca, a falta de trabalho na região e o fracasso da cafeicultura no Planalto de Conquista. Ao entrevistar uma moradora de Bate-pé que tem parentes em Ibiraci, ela disse que a sua filha está impressionada com o custo de vida da cidade mineira, com a qualidade de vida e principalmente porque em Ibiraci existem médicos e dentistas nos postos de saúde. A filha lhe teria dito que em Ibiraci a saúde funciona, ao contrário do que acontece em Bate-pé, que segundo a senhora, não tem médico, não existe remédios e que quando aparece um dentista por lá é apenas para arrancar os dentes.
A moça que está apanhando café em Ibiraci ficou impressionada que num pequeno município de pouco mais de treze mil habitantes a saúde funciona maravilhosamente bem, enquanto que na terceira maior cidade da Bahia, médico atendendo em posto de saúde é algo raro, mais raro do que cabeça de bacalhau. Ao assistir a matéria eu fiquei com vergonha de residir num município cujo prefeito só sabe mentir e se autopromover enquanto o povo padece por falta de médico, de remédio, de enfermeira. Isso só para ficar na área de saúde, porque o caos também existe na educação, na agricultura, desenvolvimento social e em todas as áreas dessa administração. É lamentável que os nossos conterrâneos precisam abandonar os seus lares, as suas terras, as suas raízes para irem buscar o sustento bem longe. O prefeito Herzem não possui nenhuma política para a fixação do homem no campo. Os nossos camponeses estão abandonando as suas terras porque não existem condições para lavrá-la; eles são obrigados a migrarem porque a prefeitura é incapaz de criar condições que facilitem a permanência na terra, produzindo alimentos para si mesmos e para trazer para a cidade. Os moradores de Bate-pé estão sem escolas funcionando normalmente, sem assistência médica, sem assistência social e agrícola, faltando até mesmo água para a lida diária. É lamentável que as pessoas tenham que sair de Conquista para perceberem que em outros municípios a saúde funciona bem.

Faltam só 5⃣0⃣0⃣dias para que nós possamos ter um gestor responsável, que conheça as necessidades do povo e tenha piedade e zelo pelo nosso povo.

Esta contagem é dedicada aos nossos conterrâneos que são obrigados a saírem das suas terras para trabalhar em outros estados

Carlos Costa