Saúde injustiçada


Thiago A. Fonsêca Nunes

Ler notícias na imprensa nacional sobre o uso de verba pública para bancar mordomias das altas cúpulas do judiciário brasileiro é, no mínimo, constrangedor. Impossível não fazer um paralelo às necessidades da saúde através do SUS, onde esse desperdício de dinheiro poderia fomentar melhorias à população que precisa da saúde pública no Brasil.

Na última semana, foi publicado na revista Crusoé que verba pública de ITAIPU (usina hidrelétrica) era utilizada para pagar eventos jurídicos, viagens e hospedagens em hoteis de luxo na europa aos mais diversos membros do poder judiciário, a exemplo de ministros do Supremo Tribunal Federal. Muitos levando, inclusive, a família para aproveitar as férias com tudo pago. Dinheiro utilizado para fins não justificáveis. No entanto, sem que houvesse qualquer registro no tribunal de contas da união, pois por se tratar de uma usina binacional (Brasil e Paraguai) não ocorre a devida fiscalização, servindo como brecha para ludibriar as prestações de contas.

É notório os inúmeros desafios da saúde pública em nosso país. São diários os esforços das secretarias municipais e estaduais de saúde para amenizar os entraves inerentes ao SUS, que cursam desde a dificuldade em conseguir tratamentos de alta complexidade em tempo hábil, a exemplo do câncer, até à escassez de recursos na atenção básica para proporcionar serviço de qualidade aos usuários do sistema único de saúde, conforme é preconizado na constituição federal. Portanto, nos gera o questionamento do uso adequado de verba federal ao que de fato é importante à sociedade, principalmente aos mais pobres e mais carentes. É correto pagar mordomias na Europa para alto escalão do judiciário enquanto a população sofre com assistência à saúde deficitária? Obviamente que não. Os gestores municipais desdobram-se para ofertar o melhor à população, porém a equação financeira fica extremamente difícil de equilibrar diante das limitações do que chega para aos cofres municipais.
Em suma, esse episódio nos faz refletir que é urgente a necessidade de descentralizar a verba federal direcionando às reais prioridades do país. Aumentar o aporte financeiro aos municípios é essencial para gerar mais autonomia ao utilizar os recursos de acordo com a realidade local. Dessa forma, os gestores poderão alocar dinheiro onde o povo mais precisa, seja na saúde, educação ou segurança. E, obviamente, buscando acabar com esses tipos de farras de dinheiro público para benefício das altas castas do Brasil. Afinal, todo cidadão merece ser respeitado e o uso do que é público tem que ser transparente e aplicado com justiça e responsabilidade.

Tiago A. Fonseca Nunes
Médico