Em menos de três anos, cinco secretários… tem remédio para a Saúde?


*Ernesto Marques é jornalista e radialista

Se os serviços públicos municipais de saúde de Vitória da Conquista estão a mudar, mas não para melhor, não foi por falta de competência técnica no comando da Secretaria. O acerto na escolha de Ceres Almeida Costa era reconhecido até pela oposição derrotada em 2016.

Mas em junho de 2018, de repente, não mais que de repente, a pretexto de um “redirecionamento da gestão”, Ceres e Vitória da Conquista foram surpreendidas com a demissão da secretária. A oposição não entendeu. A situação, menos ainda.

Ninguém entendeu a razão de uma secretária bem avaliada precisar ser removida para acontecer o tal do “REdirecionamento”.

Porque, veja bem… o Conselho Municipal de Saúde se pronunciou em Nota Pública, registrando para a posteridade a preocupação com os rumos da saúde pública a partir da substituição de uma gestora que mereceu, do colegiado, o seguinte reconhecimento, na nota:

“Ceres mostrou-se muito comprometida com todas as ações que visavam fazer avançar o SUS, demonstrando ter conhecimento de saúde pública, de gestão e do funcionamento dos mínimos detalhes da Secretaria.”

Ora, havia, no momento da surpreendente troca de comando na Saúde Municipal, uma opinião geral de aprovação do d-i-r-e-c-i-o-n-a-m-e-n-t-o dado por Ceres. Havia um direcionamento, afinado com os conceitos do SUS, segundo o Conselho. E houve a decisão de redirecionar, ou seja, em português claro: dar uma nova direção.

Não ficou muito transparente o que seria o tal “redirecionamento da gestão”, nem com que modos e metas esse direcionamento novo se comprometeria.

Para dar conta da tarefa foi escalado um quadro técnico da gestão anterior, o competente administrador Juca Fernandes, com 20 anos de serviço público na Prefeitura. Antes de completar um ano no cargo e ter direito a gozar merecidas férias, Juca precisou sair porque estava tendo picos de pressão.

Teve que cuidar da sua própria saúde, ou terminaria sendo afastado do cargo por um repentino piripaque. Ultimato do médico.

A enfermeira Ramona Cerqueira Pereira ficou interina por dois meses, foi efetivada como secretária no dia 2 de agosto e exonerada uma semana depois. Demissão ainda mais repentina e inesperada do que a de Ceres, igualmente não explicada.

Segundo a bem informada imprensa conquistense, haveria um “nome técnico” definido em bastidores, a ser anunciado em breve. Nome técnico…

Ceres, Juca e Ramona não eram nomes técnicos? Contando com Regina Lúcia, nomeada sub-secretária no mesmo DO que exonerou Ramona, o suposto “nome técnico” será o quinto titular da Secretaria Municipal de Saúde de Vitória da Conquista, antes de se completar o terceiro ano do atual governo. Em menos de três anos, cinco técnicos terão colocado seus respectivos jamegões sobre decisões políticas e administrativas que envolvem centenas de milhares de vidas e muitos milhões de reais.

Para quem tem mania de ficar olhando pelo retrovisor, um dado interessante: em vinte anos, cinco mandatos de governos liderados por prefeitos petistas, foram seis: três secretários (João Melo, Ademir Abreu, Jorge Solla) e três secretárias (Lygia Matos, Suzana Ribeiro e Márcia Viviane).

Na mesma semana, em nome de Vitória da Conquista, se lança uma proposta esdrúxula de divisão da Bahia…

Dizem que o “mito” foi aprender suas estratégias de campanha nos EUA. Mas um amigo meu de direita – sim, tenho amigos de direita! – jura de pés juntos que, antes da facada, ele passou temporadas anônimas na Suiça Baiana para aprender a arte do diversionismo. Ou, em bom baianês, a arte de tirar de tempo.

A proposta separatista tem pouquíssima chance de ganhar multidões, mas serve para fazer piada, de tão ridícula. E serve também a propósitos imediatos de quem precisa sair da exposição negativa, baseada em fatos reais, incomodamente reais. Reais!

Redirecionamento de gestão, picos de pressão, demissão uma semana depois da nomeação, cinco secretários em menos de três anos na secretaria que é uma prefeitura dentro da PMVC, com orçamento maior do que a maioria das prefeituras baianas.

Uma mudança e tanto… Para melhor? Depende do ponto de vista de quem analisa os fatos. Os empresários do setor aplaudem e pedem bis. E os usuários, será?

Um roteiro digno de atiçar o faro fino dos bons jornalistas da cidade. Pelo menos para tentar entender e explicar o que passou a acontecer naquele gabinete a partir de 1 de janeiro de 2017, a ponto de ninguém esquentar a cadeira.

Redirecionamento de gestão, picos de pressão, demissão uma semana depois da nomeação, cinco secretários em menos de três anos na secretaria que é uma prefeitura dentro da PMVC, com orçamento maior do que a maioria das prefeituras baianas.

Não se trata de discutir versões. São fatos. Fatos reais! Muitos, reais! Reais!