ADUSB faz carta ao Governo da Bahia


Carta
Aberta ao governo da Bahia
Na pessoa de seu Excelentíssimo Senhor Governador, Rui Costa
Bahia, 03 de junho de 2019

Nós, docentes das Universidades Estaduais da Bahia – UNEB, UESB, UESC e UEFS –, nos dirigimos ao Governo do Estado da Bahia, na pessoa de Vossa Excelência, para expressar a importância ímpar do papel das Universidades Estaduais da Bahia (UEBA’s) e suas demandas mais urgentes que motivam, até o presente momento, a manutenção da greve dos professores e professoras.
As UEBA’s são instituições fundamentais na execução de políticas públicas capazes de alavancar o desenvolvimento científico, tecnológico, social, econômico e cultural em âmbito estadual e nacional, além de serem as maiores responsáveis pela interiorização do ensino superior público em todo o Estado – quiçá, do Nordeste brasileiro. Por meio de seus cursos de graduação e pós-graduação de diversas áreas do conhecimento, são as que mais promovem o ingresso de milhares de jovens baianos e do Nordeste a um ensino público, gratuito e de qualidade. Suas pesquisas, desenvolvidas em inúmeros laboratórios e centros de pesquisa, são reconhecidas pela comunidade acadêmica internacional e brasileira como centros de excelência através de milhares de programas, projetos e ações em nível de pesquisa, extensão e ensino em curso – cuja articulação entre estes setores da Universidade projetam imenso êxito e resultados através de frutos incalculáveis.
Criadas há décadas, as UEBA’s constituem uma das mais extensas redes de universidades estaduais do Brasil e demandam investimento e atenção dos governos estaduais. Em todo o mundo, os governos reconhecem que o investimento nas universidades públicas é estratégico para a elaboração e execução de projetos destinados à formação de cidadãos críticos e muito bem capacitados. No Brasil, contudo, atualmente, a comunidade acadêmica e a sociedade resistem bravamente à visão retrógrada do governo brasileiro, que promove corte de verbas e duros ataques às Instituições Federais de Ensino Superior. Em nível local, a comunidade acadêmica também considera inadmissível que o governo da Bahia reproduza, em nosso estado, essa mesma política de desvalorização e desmonte da educação superior, que tem se caracterizado por congelamento de salários dos servidores públicos, ataques ao Estatuto do Magistério Superior, retirada de direitos conquistados por professores e professoras em lutas históricas, ataques à autonomia universitária e corte de verbas para as UEBA, além de declarações públicas que desqualificam o trabalho docente. É inadmissível que o governo da Bahia ainda relute em reconhecer as UEBA como instituições estratégicas para a afirmação do nosso estado, no país e no mundo.
Os professores e professoras das Universidades estaduais da Bahia estão comprometidos com um projeto de educação pública gratuita, financiada com verba pública, laica e socialmente referenciada. Nós acreditamos e defendemos um ensino superior público de qualidade que beneficie e melhore as condições de vida da população e promova a inclusão social. A valorização do trabalho docente, o respeito à carreira e aos nossos direitos, além do aumento de investimento nas Universidades não só criam as condições para um desempenho mais satisfatório de nossas funções, mas também devem ser o objetivo de um governo que acredite que a educação é, de fato, o elemento fundamental na transformação da sociedade.
Portanto, sr. Governador, no momento em que nos aproximamos do segundo mês de greve, com mais um corte de salários e enormes dificuldades de avançar no processo de negociação, apesar da disponibilidade e disposição do Movimento Docente em dialogar, nós esperamos que vossa Excelência tenha um comportamento republicano e democrático, retomando as negociações para a construção de um acordo no qual se chegue a um bom termo para a resolução de nossa greve e o retorno imediato das atividades acadêmicas.

FÓRUM DAS ASSOCIAÇÕES DE DOCENTES DAS UNIVERSIDADES ESTADUAIS DA BAHIA
ADUNEB, ADUSB, ADUFS, ADUSC