Mulheres nas ruas…


*Edwaldo Alves – PT Conquista

Não faz muito tempo que as mulheres de uma maneira geral eram chamadas de “do lar”, “dona de casa”, “domésticas” formas preconceituosas que sugeriam que as mulheres eram subalternas,incapazes de destacar-se na sociedade e sua vida devia restringir-se às quatro paredes de uma casa. Aquelas que fugiam dessas regras eram consideradas atrevidas e que viviam “nas ruas”. Além dos preconceitos, sofriam o domínio e em muitos casos a total submissão e mesmo violências de seus maridos e companheiros. Infelizmente, no Brasil ainda subsiste fortemente essas deformações mas indiscutivelmente esse tempo está passando. Hoje, a maioria das mulheres compreende e quer que todos compreendam que o lugar da mulher é onde ela quiser. Esse simples anunciado revela o novo mundo que elas estão conquistando.
No dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, elas decidiram que no seu dia o lugar delas seria nas ruas de Conquista. Idéia nascida desejo realizado. Logo as ruas e praças da cidade assistiram o colorido, a beleza, a alegria, a garra e a disposição de luta dessas mulheres.
Não foi uma simples festa. Os gritos de protesto e repúdio ao machismo, à misoginia, o preconceito, a violência, a desigualdade trabalhista e salarial; o desejo de livre escolha sexual, o domínio e liberdade sobre o próprio corpo, de empoderamento político e tantas outras bandeiras tremularam alto seguras por mãos bem firmes.
No entanto, não foram apenas as reivindicações feministas que encantaram as ruas de Conquista. A luta pela Democracia e o respeito ao Estado de Direito, tão violados pelo governo bolsonarista, juntamente com a luta pela preservação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários duramente conquistados, engrandeceram o dia em que as mulheres de Conquista gritaram também “Ele Não” e “Não é Não”!
O ato público também insurgiu-se contra o projeto de lei enviado ao Congresso por Bolsonaro que propõe uma Deforma previdenciária, que dificulta e mesmo impede o legítimo direito de aposentadoria para milhões de trabalhadoras e trabalhadores. Além desse absurdo, reduz e elimina benefícios previdenciários e sociais existentes a décadas.
A Deforma da previdência proposta atinge cruelmente as trabalhadoras e os pobres, mas o governo Bolsonaro, como dócil instrumento de classe das elites, mantém e até aumenta os privilégios dos militares, dos órgãos de repressão, da magistratura, dos políticos e dos altos tecnoburocratas estatais.
O Ato Público de 08 de março contou com a participação ativa do que há de melhor nos movimentos populares/sociais e sindicais de Conquista. Praticamente todos os sindicatos de trabalhadores estavam representados: Bancários, Sindlimp, Adusb, STR, Pequenos Produtores Rurais, Sinserv, Simmp, Sintracal, Sindacs, Centrais e outros. Os movimentos populares foram elementos fundamentais, destacando-se o MST, MPA, MTD, Associações de Moradores e Culturais, coletivos de igualdade social, movimentos de defesa feminista como a União de Mulheres , Organizações de Jovens como o Levante, a juventude Revolução, UJS, Juventude Socialista, e ainda órgãos ligados à Igreja como CESE, APN’s, pastorais e tantas outras entidades defensoras dos direitos dos povos.
Mas, a desastrosa situação do governo municipal não escapou do olhar atento das manifestantes. Concentradas na porta da Prefeitura não conseguiram entregar ao prefeito um documento sistematizando a pauta de reivindicações porque mais uma vez ele não estava presente em momento como esse.
Interessante notar o extraordinário papel que as mulheres estão desempenhando na luta popular e por direitos. Os três sindicatos que representam o conjunto das diversas categorias dos servidores municipais estão sendo comandados por corajosas mulheres: SIMMP/Ana Cristina, SINSERV/Lucia e SINDACS/Rita Suzana, cuja unidade de ação certamente tira o sono do prefeito.
Portanto, prefeito Pereira, venha com respeito e moderação, caso contrário as suas represálias e repressão não irão garantir a continuidade de suas maldades contra o trabalhador municipal.
Edwaldo Alves Silva – é filiado ao PT.