Corrupção & Tráfico de Influências, S. A.


Nos últimos tempos nos acostumamos com um discurso sincronizado entre PGR e o Judiciário puxando assim, a corrupção para o centro das suas preocupações, afirmando: «Estamos longe de vencer a luta contra a corrupção». Nenhuma novidade, os brasileiros pensam o mesmo. E envergonha-nos verificar que, foi justamente este argumento, a de que irá combater a corrupção que elegeu o atual presidente.
A situação está, porém, muito longe do que foi a moeda corrente nos fabulosos anos das doações empresariais para campanhas e para as redes de angariadores. Foram anos de ouro para dois ‘produtos estrela’: o lobby político e os envelopes. Envelopes para quem decidia (ou podia influenciar a decisão) nas repartições públicas, a que se seguiam mais envelopes na hora de pagar as faturas.
Chegava à informação de que as ditas estavam aprovadas, mas as construtoras sabiam que o cheque só seria emitido quando quem autorizava o pagamento recebesse o seu envelope. Eram as regras do jogo: pagar e calar. Tal como era para silenciar a chantagem contida nos amáveis pedidos de contribuição para as campanhas eleitorais.
Tudo se sabia, com nomes e apelidos. Sabia-se na PGR, nos jornais e nos ‘meios bem informados’, mas tudo era varrido para debaixo do tapete, se o homem público fosse do partido amigo. ‘O que os olhos não veem, o coração não sente’. Se houvesse notícia para o jornal, ou queixa na PGR, logo aparecia um solícito ‘anjo da guarda’ que abafava a coisa.
Os dias da impunidade deveriam parecer coisas do passado, muito por obra da Operação Lava Jato, onde valeu a firmeza de um procurador e um juiz que tiam como proposito colocar a todo custo um ex-presidente na cadeia. Foi o antídoto certo. Os bons ventos sopraram só para um lado e nos deram falsa certeza que fizeram perder o medo e tiveram o condão de instaurar um novo paradigma.
Coisa parecida aconteceu com o tráfico de influências de alguns órgãos da imprensa que recebiam informação privilegiada dos processos que corriam sobre sigilo da justiça. O país nunca ignorou quem era os ‘corretores’, mas faltava a coragem para afrontá-los o judiciário e os crimes cometidos com a toga. Falava-se com um procurador, um juiz, um agente do Judiciário, um advogado, um jornalista, e brotava uma relação de nomes das cúpulas partidárias que interessava vasar. Sempre os mesmos partidos. Também aqui a conivência e o segredo eram o seguro do grupo, de tal forma que o juiz Sergio Mouro só viu a vida a andar pra trás quando se meteu justamente naquilo que ele dizia ser abominável, fechar os olhos para a impunidade. Os outros continuam por aí pregando a moral republicana.
Para o bem de uma atmosfera mais respirável, o atual ministro da justiça deveria ter lembrado seus atos no tempo de xerife e ter criminalizado o tráfico de influências nas suas propostas que encaminhou ao parlamento. Isto já seria um progresso. Quem sabe… um dia destes alguém decide dar uma volta nos arquivos e vai ser um Deus nos acuda! Mas não haverá surpresas, os ‘corretores’ não se aposentaram… e o grupo até engrossou.
Padre Carlos