100 Anos do Falecimento de Meneca Grosso


Ruy Medeiros

Para:
Dilson Ribeiro de Oliveira e Maria Santos Oliveira,
sua esposa, Paulo Márcio Fernandes Cardoso,
Humberto Flores, Ubirajara Brito e
Francisco Paulo Ribeiro Rocha

Há cem anos, na Fazenda Baixa do Arroz, no município de Vitória da Conquista, faleceu Manoel Fernandes de Oliveira, mais conhecido como Maneca Grosso (08 de maio de 1869 – 11 de fevereiro de 1919).
Manoel Fernandes de Oliveira, filho de Manoel Fernandes de Oliveira e de Umbelina Maria de Oliveira, nasceu em 08 de maio de 1869, na Imperial Vila da Vitória, nome que então tinha o Município de Vitória da Conquista. Após o falecimento de seu pai, ocorrido em 18 de fevereiro de 1876, sua mãe contraiu núpcias com Ernesto Dantas Barbosa, pessoa com quem o enteado teve excelente relação.
Maneca Grosso mantinha uma escola em sua fazenda (Baixa do Arroz), onde lecionava. Não teve educação formal, escrevia artigos para jornais (A palavra, de Conquista, e Diário de Noticias, de Salvador, em seção “a pedidos”), professor, poeta, jornalista e político. A politica o envolvia e sua morte tem relação com essa.
Em Vitória da Conquista formaram-se dois grupos políticos: Meletes (oposição) e Peduros (situação). Embora dessas facções participassem pessoas das mesmas famílias e ambas seguissem o Governador J J Seabra, após a morte do coronel Gugé foi impossível controlar o acirramento das divergências. Os grupos possuíam seus veículos de comunicação: O “Conquistense” era porta-voz dos meletes e a “Palavra” representava a orientação dos Peduros. Em antigos e versos satíricos publicados nos jornais, Maneca Grosso atacava fortemente os meletes, especialmente o Coronel Pompilio Nunes, o juiz de Direito da Comarca (Antonio José de Araújo) e o Promotor de Justiça (Virgílio de Paula Tourinho).
A mudança na Constituição Estadual no sentido de tornar o cargo de Intendente (então era o titulo do chefe do Executivo Municipal) de eletivo para de nomeação pelo Governador obstaculizava, no entender dos Meletes, sua ocupação do Governo municipal, pois aquela alteração alimentava o continuísmo. Embora se declarassem seabristas, os meletes gradativamente afastavam-se de Seabra por perceberem que este não os prestigiava.
Em 5 de janeiro de 1919, Maneca Grosso saiu da cidade para a Baixa do Arroz em companhia de Cirilo, seu amigo. Ambos foram emboscados em Simão, localidade entre Campinhos e Baixa do Arroz. Pistoleiros a serviço dos meletes assassinaram Cirilo e espancaram fortemente Maneca Grosso. Este, tomado de grande dor moral e em consequência dos ferimentos veio a falecer em de 11 fevereiro de 1919.
A distribuição de panfletos ofensivos entre as facções, as discussões acaloradas, a morte de Cirilo e o espancamento de Maneca Grosso findaram por instalar a luta armada entre Meletes e Peduros que completou um século no último janeiro.
Meneca Grosso deixou poesia publicada em jornais e inéditas, inclusive um livro. Camilo de Jesus Lima pretendia escrever sua biografia. Não o fez, mas dedicou-lhe elogioso artigo, publicado na edição de 28 de janeiro de 1961 de “O Jornal de Conquista”. Nesse artigo Camilo lançou a idéia de construir um obelisco em homenagem ao poeta Manoel Fernandes de Oliveira no Cimo do Morro da Tromba. Chegou mesmo formar-se comissão composta por várias personalidades conquistenses para viabilizar a construção de mencionado obelisco que, um século decorrido da morte do bravo Maneca Grosso, não foi edificado.
Os Conquistenses prezam sua história e sobre tudo dois poemas do poeta: Canto do Cisne e do Cimo do Morro da Trombra, os mais conhecidos e lembrados.
A poesia de Maneca Grosso foi bastante influenciada pelos poemas de Castro Alves. É o que se percebe em poesias esparsamente publicado em jornal local e em seu livro inédito.