Ex-governador do Paraná, Beto Richa, do PSDB é preso em Curitiba


Keiny Andrade-3.jun.2015/Folhapress

 

O ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB)Imagem: Keiny Andrade-3.jun.2015/Folhapress

O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) foi preso na manhã desta sexta-feira (25) em Curitiba. Ele foi alvo de um mandado de prisão preventiva determinada pelo juiz Paulo Sérgio Ribeiro, da 23ª Vara Federal de Curitiba. O pedido foi feito pelo MPF (Ministério Público Federal) em um desdobramento da Operação Integração -uma fase da Lava Jato que investigou concessões de rodovias no Paraná.

Richa é investigado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. De acordo com um de seus advogados, Pedro Ribeiro Giamberardino, o ex-governador declara-se inocente das acusações.

Ao falar com o UOL por volta das 9h, ele confirmou o cumprimento da ordem de prisão nesta manhã, mas disse que ainda não havia tido acesso a decisão da Justiça e que, por isso, ainda não iria comentar os próximos passos da defesa. Giamberardino afirmou que Richa estava acompanhado de dois advogados da equipe.

Richa já havia sido preso no ano passado em outra operação, motivada por outro processo, em meio à disputa por uma vaga para o Senado — ele não foi eleito. Na ocasião, a mulher do tucano, Fernanda Richa, seu irmão Pepe Richa e seu ex-chefe de gabinete Deonlison Roldo também foram presos.

Comandada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Paraná, a operação naquela vez apurava direcionamento de licitação para beneficiar empresários e o pagamento de propina a agentes públicos envolvidos no programa Patrulha do Campo. Richa foi solto poucos dias depois.

A etapa anterior da Operação Integração, que levou Richa para a prisão nesta sexta-feira, havia sido deflagrada em setembro do ano passado para apurar irregularidades na concessão de rodovias federais do Anel de Integração, no interior do Paraná. O esquema teria movimentado R$ 35 milhões em propinas, entre 1999 e 2015, e abrangido a gestão de diversos governadores do estado no período.

Dirceu Pupo Ferreira, contador da ex-primeira dama Fernanda Richa, também é alvo do mandato de prisão preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.

Na ordem de prisão preventiva, o juiz afirma que o MPF trouxe novos elementos ao caso, que justificam a ação desta sexta-feira. De acordo com a acusação, o ex-governador usava uma empresa familiar, administrada por sua mulher e filhos com a ajuda de Ferreira, para lavar dinheiro de propina recebido de concessionárias de rodovias no Paraná e empreiteiras.

De acordo com o MPF, Ferreira teria tentado coagir testemunhas para ocultar informações sobre o patrimônio da família Richa. Assim, a acusação pediu a prisão dos dois por “conveniência da instrução criminal”, já que os suspeitos estariam tentando atrapalhar as investigações.

Richa é suspeito de usar dinheiro vivo proveniente de propina para comprar pelo menos três imóveis por meio de sua empresa familiar. Em troca das vantagens indevidas, ele teria tomado medidas, enquanto governador, que beneficiaram de forma ilegal pelo menos uma concessionária de rodovias do estado. Ferreira é acusado de ajudar o ex-governador a lavar o dinheiro sujo.

“Os elementos apresentados pelo MPF na presente representação, somados aos elementos que já haviam sido analisados (…), caracterizam indícios suficientes da participação de Beto Richa e de Dirceu Pupo Ferreira no esquema criminoso investigado”, afirma o juiz na ordem de prisão. “O fato concreto apresentado pelo MPF é extremamente grave, evidenciando a tentativa de embaraçar a investigação, o que justifica a decretação da preventiva.”