Morre Heleusa Câmara; uma importante mulher na história de Vitória da Conquista


Foto: BLOG DO ANDERSON

A Bahia se despede de um dos ícones da Educação. Internada no Hospital São Vicente de Paulo desde o mês passado, faleceu no início da noite deste domingo (6), aos 74 anos, Heleusa Figueira Câmara. Professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Heleusa foi secretária municipal da Educação e tinha a sua cadeira na Academia Conquistense de Letras.

Na reportagem acima o BLOG DO ANDERSON destaca um pouco dessa brilhante figura que deixa o seu legado à Cultura e Educação de Vitória da Conquista.

Nossa história, nossa gente: Heleusa Figueira Câmara, uma linda mulher culta

 0

1973
1973

Uma mulher bela é uma dádiva dos deuses. Uma mulher culta é um dom divino. E quando as duas coisas se juntam, então, numa só mulher? Só sendo uma Opus Dei (uma Obra de Deus) feita no capricho. Assim é Heleusa Figueira Câmara, nascida no dia 14 de maio de 1944 em Vitória da Conquista. Poetisa, contista, teatróloga e professora titular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), além de uma linda mulher.

Festa de 15 anos
Festa de 15 anos

Filha do médico Ubaldino Gusmão Figueira e da professora Maria Stella Moraes Figueira, é de formação religiosa protestante (batista), recebeu uma educação familiar muito conservadora. Casou-se em 1963, com o engenheiro civil Almir Querino Câmara e após o nascimento de seus filhos Diana, Mônica, Danilo e Verônica, voltou aos estudos. Em 1974 prestou vestibular para o Curso de Letras, na Faculdade de Formação de Professores de Vitória da Conquista, tendo concluído a licenciatura na Fundação Educacional do Nordeste Mineiro. Em 1981, tornou-se professora da UESB. Especialista em Língua Portuguesa – Redação PUC/MG (1983); Mestre em Ciências Sociais pela PUC/SP (1999); Doutora em Ciências Políticas PUC/SP (2005). Na Uesb chegou a ser Vice-Reitora.

No município de Vitória da Conquista exerceu as seguintes funções administrativas: Diretora do Educandário Juvêncio Terra; Conselheira Titular do Conselho Municipal de Educação (1992 a 1995); Secretária Municipal de Educação e Cultura (1997 a 2000). Atuação em instituições culturais em Vitória da Conquista: Presidente da Academia Conquistense de Letras (1986 a 1990); 2ª Vice-Presidente do Conselho Regional de Cultura do Sudoeste da Bahia – COREC (1993); Diretora do Museu Regional de Vitória da Conquista – Casa Henriqueta Prates (1995 a 1996). Atuação em instituições sociais em Vitória da Conquista: Presidente do Conselho da Comunidade da Comarca de Vitória da Conquista (1989 a 1996); Coordenadora da Campanha Natal “Para Todos” (dez 1990). Pesquisadora de Práticas Discursivas; produção textual em presídios; escrita autobiográfica e iniciação aos Estudos Literários. Membro do Conselho Consultivo da Revista Verve, do Núcleo de Sociabilidade Libertária da PUC/SP, Programa de Estudos Pós Graduados em Ciências Sociais PUC/SP. Membro do Conselho da Comunidade para Assuntos Penais.

Casamento em 1963
Casamento em 1963

Publicou livros, além de artigos em revistas científicas e capítulos de livros. Participação em eventos nacionais e internacionais como expositora de pesquisas: SBPC, PROLER, INTERCOM, IAMCR. Membro do Conselho Consultivo da Revista Verve, do Núcleo de Sociabilidade Libertária do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC/SP. Membro da Comissão Técnica de análise de obras de literatura, periódicos, e obras de referência do Programa Nacional Biblioteca da Escola / PNBE do MEC (2003).
Sempre gostou de ler, e sua infância caracterizou-se por um viver mergulhado na fantasia dada a avidez pelas histórias de Andersen, Grimm e Monteiro Lobato. Adolescente tímida, voltou-se à leitura precoce de autores canônicos: Dickens, Balzac, Zola, Dostoiewski e Wilde. Em 1982 publica Mulheres acorrentadas, livro de contos, prefaciado por Afrânio Coutinho. Em 1991 publica “Quarenta Graus de Outono”, romance, com apresentação de Antônio Carlos Villaça, posfácio de Carlos Nejar, ilustrações de Calasans Neto e lançamento na Fundação Casa de Ruy Barbosa, RJ. Em 1992 recebe o Prêmio Djalma Gomes com o livro “40º Graus de Outono” que obteve o 1º lugar no Concurso Nacional de Literatura da Academia de Letras de Feira de Santana. Em 1986 é encenada sua peça teatral “Cartas na mesa“, sob a direção de Gildásio Leite. Em 1990 é encenada sua peça teatral infantil “Fantasia serrana“, musical dirigido por Gildásio Leite e promovido pelo Conservatório de Música de Vitória da Conquista. De 1997 a 2000 esteve como Secretária Municipal de Educação e Cultura de Vitória da Conquista. Em 2000 obtêm o 1º lugar nas dissertações de Mestrado da PUC/SP defendidas em 1999, tendo como prêmio a publicação do livro Além dos Muros e das Grades; discursos prisionais em 2001. Em 2006 recebeu a Medalha da Ordem do Mérito do Livro, da Leitura e da Biblioteca, conferida pela Fundação Biblioteca Nacional. Membro Titular do Conselho Estadual de Cultura da Bahia.

HFC-em-1988-231x300
Coordenadora do Comitê Proler/UESB de Vitória da Conquista, parte integrante do Programa Nacional de Incentivo à Leitura da Fundação Biblioteca Nacional à partir de 1992 até o momento atual. Há mais de 20 anos organiza e coordena os Encontros de Leitura do Comitê Proler/UESB de Vitória da Conquista, Coordenação do Núcleo Letras de Vida, escritas de si que incentiva a escrita criativa e literária em presídios, e junto a trabalhadores rurais, e prestadores de serviços informais como pedreiros, pintores, garis e autodidatas. Atua principalmente na investigação de materialidades discursivas ligadas aos seguintes temas: escrita popular, reverberações da mídia, leitura e interpretação, memória, identidade e educação prisional. Enfim, Heleusa é uma das mulheres mais belas e cultas da História de Vitória da Conquista. / Taberna da História

Proler realiza exposição sobre comunidades rurais de Conquista

 0

Heleusa Cãmara

Entre os dias 1º e 31 de agosto, o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler) realizará a exposição intitulada “Linguagens do Campo em Memoriais – Saber Memória”, na Receita Federal, em Vitória da Conquista. O projeto consiste em expor elementos que fazem parte da memória de algumas comunidades da zona rural de Conquista. A ação é de cunho educativo e cultural, com conexões entre leituras, escritas criativas, imagens, histórias de escolas e de pessoas dessas comunidades.

As produções são frutos do 26º Encontro de Leitura do Proler/Uesb Conquista, realizado para alunos do Ensino Fundamental do Círculo Escolar Integrado de Cabeceira, em outubro de 2017. A atividade contemplou diversos aspectos das escolas dos povoados de Cabeceira, Periperi, Itapirema, Lagoa de Justino, Caiçara e Vereda Grande, como flores, vegetação, ofícios no campo, trabalhos em olarias, moradores antigos, manifestações culturais e religiosas.  Leia na íntegra

Centro de Artes e Esportes Unificados recebe visita de coordenadora do Proler

 0

centro de esportesO Centro de Artes e Esportes Unificados de Vitória da Conquista (CEUs) que será, em breve, entregue pela Prefeitura de Vitória da Conquista à comunidade, fortalecerá ainda mais as políticas públicas desenvolvidas pelo Município nas áreas de cultura, esporte e lazer. O espaço foi erguido na Praça Virgílio Figueira, no bairro Alto Maron, em uma área de 3 mil m² e conta com quadra coberta, pista de skate, biblioteca, telecentro, cineteatro, bicicletário e um Centro de Referência da Assistência Social (Cras). O CEUs, que faz parte da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e teve investimento superior a R$ 2 milhões, será gerido pela Unidade Gestora Local (UGL), formada por representantes do bairro e da Administração Municipal. A biblioteca ficará sob a responsabilidade do Projeto de Incentivo à Leitura e Escrita (Proler/Uesb), que é parceiro da Prefeitura. Nessa quarta-feira, 8, o prefeito Guilherme Menezes esteve no local para apresentar o espaço à coordenadora do Proler, professora Heleusa Câmara. Depois que conheceu a estrutura, a coordenadora do Proler declarou: “Estou encantada. O Proler tem o dever de colaborar nesse espaço no que for solicitado já que estamos há 23 anos com esse programa cultural e educacional incentivando a leitura no município”. Heleusa Câmara lembrou que o loteamento onde está o Centro foi planejado por seu pai – o médico Ubaldino Gusmão Figueira –, seu marido – o engenheiro Almir Câmara – e pelo seu primo Elomar Figueira. As terras eram do seu pai que, em 1963, dividiu a área em lotes e batizou o loteamento de Virgílio Figueira (nome do avô paterno de Heleusa), que foi contador da Prefeitura Municipal no mandato do médico Régis Pacheco. “Como meu pai ficaria maravilhado se ele soubesse que um dia uma dessas praças teria uma construção tão especial como essa, 50 anos depois. Espero que a comunidade adote e cuide bem dela para que todos possam usufruir desse espaço que tem toda essa soma de possibilidades”, comentou a professora. Para o prefeito, a participação do Proler na gestão do espaço será exitosa. “A professora Heleusa está empenhada em ajudar o Governo Municipal a arrumar e administrar essa biblioteca com o grande conhecimento que ela tem como escritora e memorialista”, afirmou o gestor. Também participaram da visita o chefe do Gabinete Civil, Márcio Higino Melo; o secretário de Mobilidade Urbana, Luis Alberto Sellmann; o secretário de Cultura, Nagib Barroso; entre outros membros do Governo Municipal.

A moda em Conquista, pelos olhos de Heleusa Câmara

Heleusa Câmara

Recompondo as tardes domingueiras dos anos 50, na Pça Jardim das Borboletas, podia-se ver o puro ” footing” de mocinhas com vestidos novos, ante os olhos de rapazes recostados nas amuradas do jardim. Na “curvinha do amor” (lado direito da Senhora das Vitórias) parecendo não ter pressa na espera doi vaivém feminino em rítmo de passeio, esses rapazes descobriam as possíveis namoradas, estabeleciam pequenos flertes, proferiam galanteios, as vezes, iam mais longe e em voz sussurrante diziam: ” Posso acompanhá-la?”.
Nesse autêntico espaço de passarela a moda fashion se firmava, mesmo quando copiada de revistas desatualizadas e confeccionada por desconhecidas costureiras.
A matinée e a soirée nos cinemas da cidade eram também espaços de desfiles de moda e beleza. Os Cines Ritz, Glória e Conquista constituiam as opções mais corriqueiras de lazer. Raramente os fimes se repetiam além da sessão da noite e da tarde seguinte. Durante a semana as garotas mais levadas costumam ir ” escondido” a matinée; filavam as aulas para um encontro com o namorado proibido, mas nem sempre a aventura dava certo e frequentemente; um olho fuxiquento ia especialmente avisar os pais da moça namoradeira. Aos domingos namorava-se mais sossegadamente nas matinées. Os rapazes ficavam na porta do cinema aguardando a chegada das namoradas. Como o namoro era sempre escondido, as moças simulavam outros propósitos que não o de ver o filme e entravam radiantes, com seus vestidos quase sempre novos. e, ansiosas esperavam as três emocionantes badaladas que anubciavam o apagar das luzes. Nesse momento algumas cabeças femininas voltavam-se para acompanhar o desfile romântico de seus namorados, às poltronas que reservavam para que ” no escurinho do cinema” trocassem alguns beijinhos. Havia uma cumplicidade com o namoro no cinema que autorizava a ansiosa namorada dizer com a maior naturalidade: “Esta cadeira esta reservada!” e as pessoas iam buscar outros lugares. A grande magia ficava mesmo no soirée aos domingos. A entrada do Cine Conquista situava-se atrás da tela oportunizando assistir a chegada de todas as pessoas. Evidentemente, essa entrada equivalia a uma grande passarela para desfiles individualizados em exibição de moda. Alguns, propositalmente, chegavam quando o cinema já estava quase cheio e tinham portanto uma entrada tão triunfal, quanto a expectativa do filme. As mulheres e suas roupas sugeriam o sucesso, o progresso ou a importância de suas famílias e, embora o Canal 100, jornal cinematográfico que antecedia o filme, mostrasse entre suas notícias os desfiles das casas de alta costura parisiense, o desfile na entrada do cinema marcava a inspiração da moda na cidade.

As glamourgirls desfilando no Clube Social (1957)

Ao som dos sinos, dos hinos, numa marcha lenta e desordenada, os desfiles religiosos, procissões, onde todos podiam ser vistos nos parâmetros das roupas dos sacerdotes; os ombros dos homens graves e contritos, em seus melhores ternos, escorando andores onde santos de expressão e terno sofrimento, pairam sobre flôres, mulheres usando linho, seda, crepe, ” chita” ou roupas beatas; por vezes cobrindo os cabelos penteados em salão, com mantilhas e, de vez em quando… uma elegância descalça pagando promessa. Nas concentrações protestantes, os ternos, as roupas de festa espiritual, os corais a oratória, os vatícinios apocalipticos etc.
As festas do Clube Social, os desfiles de Sete de Setembro, as missas das dez horas, a escola Dominical eram espaços de desfile de moda, os objetos, roupas, os movimentos corporais, a música, a bebida e o feérico encontram a confirmação dos seus propósitos.
A partir das 21 horas numa combinação irônica com o programa radiofônico ” Atendendo aos ouvintes”, começava um novo desfile, o das ” Mulheres de Rua” . As prostitutas usavam roupas que as identificavam imediatamente: além de maquiagem pesada, os seus vestidos pareciam copiados dos modelos de cantoras de filmes mexicanos. Havia uma preferência pelas roupas decotadas, cintura bem delineada, destacando os quadris com as saias justas e afuniladas e completadas com um babado franzido ou godée, saindo pouco abaixo do joelho- vestidos rabo de peixe dos figurinos de estrelas cadentes.
Costurar vestidos era uma tarefa predominantemente feminina. Muitas casas exibiam toscas tabuletas de madeira anunciando o curso de Corte e Costura, conhecido ” Espera marido”. As moças compravam papel de embrulho, esquadros, lápis, borracha, giz, caderno de desenho, tesoura, fita métrica, carretilha, alfinete, agulha, linha, tesoura e um tecido barato para treinar o corte. Geralmente todas as mães costuravam e as tias solteiras pareciam predestinadas ao ofício. Para as viúvas e ” largadas” a costura era uma tábua de salvação, aos minguados rendimentos a que se viam reduzidas, com a ausência do chefe da família. A mão, ou numa SINGER, usando moldes ou cortando sobre outra roupa, essas mulheres costuravam sonhos de prestígio e beleza que os vestidos pareciam proporcionar. As camiseiras se especializavam na confecção de camisas masculinas e as mais desfortunadas, ganhavam por peça de costura, varando dias e noites a costurar para o dono da barraca de feira, vendedor de roupa de ” carregação”, para o consumo das classes de baixa renda.
A presença dos alfaites é bem interessante na sociedade interiorana. Confeccionavam os ternos dos senhores mais importantes da cidade e até hoje continuam a ser uma opção bem significativa, na confecção de roupa masculina.
Em 57 a fábrica de tecidos Bangu estabelece uma campanha publicitária do uso do algodão, como opção de tecido para a confecção de roupas, chamadas comumentede “toilette”, e até então, pertinente apenas aos tecidos de seda, crepe, “gruipure”, gase, organza e tafetá. As “Casas Pernambucanas”, colaborando com a organização do desfile, fornece o tecido para os modelos definidos pela Bangu. As melhores costureiras da cidade costuraram os vestidos, que foram exibidos pelas moças da sociedade local, no “Desfile Bangu”, realizado no cinema da cidade.
Em meados de 60, surgem as primeiras boutiques da cidade, instaladas nas próprias residências de seus proprietários e, em sua maioria, dirigida pela dona da casa. Nos desfiles “caseiros”, as moças da cidade, prazerosamente, mostravam os diversos estilos de roupas adquiridas nas lojas paulistanas e cariocas, para as senhoras da sociedade.
Mais tarde, pequenas empresas de confecções, geralmente localizadas em bairros mais populares, com um número reduzido de costureiras, esboçam modelos de roupas para o cotidiano. A vendagem na cidade é inespressiva, mas surge um público alternativo de consumo, constituído pelas sacoleiras, que as revendem nas cidades circunvizinhas.
A partir de 80, algumas costureiras começam a confeccionar roupa íntima em quantidade e vão diminuindo o ritmo da “costura para fora”, outras abrem ateliers e produzem roupas ao mesmo tempo que aceitam encomendas individuais. Iniciam-se os cursos para manequins, frequentados, em sua maior parte, por moças de classe média, que sonham em ser modelos. Como os desfiles são poucos, passam a atuar como recepcionistas em inaugurações de empresas, festas de clube de diretores lojistas e em outros clubes de serviços.
Em meados de 80 e começo de 90, alguns projetos do governo apoiam as pequenas e médias empresas, estimulando a criação de novos espaços de criação de moda.
Em 90, os desfiles de modas realizados em centros culturais começam a mostrar roupas produzidas na região, de excelente qualidade, entretanto o consumo dessa moda, em sua maior parte, é externo. As vendas mais expressivas são as feitas nas cidades vizinhas e até mesmo em Salvador, o que representa mais dificuldade de acordo nas vendagens do que mesmo preconceito. A criação dos modelos da moda continua calçada nos figurinos e nas variações com a implantação do franchise, paracem valorizar os tímidos shoppings interioranos.

Uma história de vestido em três atos

O vestido novo, de cassa vermelha, era sem mangas, inteiro, levemente evasêe. Enfeitava-o um viés de cetim, contornando o decote redondo, que nas costas ia na altura do omoplata, o transpasse da abertura, na parte da frente formando delicadas alcinhas que prendiam os pequenos botões redondos, também forrados de cetim. A mocinha passara, cuidadosamente, o seu vestido de cassa e o vestira para ir a igreja naquela manhã de domingo. Tudo estava combinado: após o culto almoçaria na casa da prima e de lá iriam juntas a matinêe.
O cabelo louro cinza, levemente ondulado, cobria a nuca da garota de 14 anos, mas a ssuas costas, ah! as suas costas!…, brancas, macias e terrivelmente jovens, estavam nuas até a altura do encosto do banco da igreja. A lasciva sugerida pela pele descoberta de ninfeta deixou desvairado o fiel.
Participou dos rituais, cantou hinos, mas os olhos, oh! concuspiência!…, não podia tirá-los do decote do vestido, que exibia, luxuriosamente, aquelas costas aos seus olhos prisioneiros de tentações da carne. Esqueceu as preces e entregou-se as elucubrações voluptuosas do pecado estampado a seus olhos. Não fez uma oração, e findo o culto procurou o pai do demônio angelical: o decote do vestido da tua filha não permitiu que eu orasse.
E a garota, que não sabia que o mal estava a sua costa, tomou uma surra do zeloso pai para não ir mais à igreja com vestido decotado, mas o que doeu mesmo, no caso do vestido, foi perder a matinêe.