A falta de um inspirador da esperança


O enredo e os personagens são os mesmos que não mais atraem os expectadores. O que existe é um vazio e um afastamento da cena antes do seu final. As pessoas perderam o

Jeremias Macário

entusiasmo, e o que seria um espetáculo, virou uma ópera bufa.
Diante de tanto desalento, de desespero, de angústia, da descrença, da nulidade da política, de tanto ódio e intolerância, o povo brasileiro precisa de um inspirador de utopias e sonhos que renove as esperanças de melhora do ambiente e faça o indivíduo acreditar numa nova República, com outra feição, porque esta foi está desbotada e não dá mais para recompor.
Na verdade, não precisamos de tiros e balas para acabar com a violência e devolver a segurança à nação, nem de centrões, de extremos, de direitas, de esquerdas, de promessas genéricas para aumentar o emprego, melhorar a saúde e a educação, mas de um líder conciliador que faça as pessoas voltarem a ter brilho nos olhos e acreditarem no poder da fé. Um tipo Tancredo Neves que falou da esperança de um país novo depois da ditadura civil-militar.
Os discursos maquiados e rebuscados, os conhecimentos de gestão, de economia, de passagens em cargos nos legislativos e executivos, os dados estatísticos e os cálculos do que pode ser feito, não estão mais empolgando os brasileiros, depois de tanto apanhar e ser roubado durante anos e anos. O que se quer, acima de tudo, é uma presença de uma força que brote de uma liderança com capacidade de unir o que foi dividido.
Mais do que entender e prometer solucionar os problemas cruciais, como a desigualdade social, a pobreza, a corrupção e as injustiças, o Brasil precisa de alguém que faça o povo acreditar no projeto de renovação humana, numa corrente coletiva de solidariedade. Os que estão ai no blábláblá não convencem mais. Afinal de contas, o país virou uma terra em ruínas e dividida por eles mesmos. Estes têm a capacidade de unir a nação e limpar os escombros?
Não basta ser honesto e pregar o fim da corrupção; dizer que vai reduzir os gastos públicos, cortar as mordomias; e reformar a velharia, se não tiver aquela magia de fazer as pessoas vibrarem com suas palavras e confiarem firmemente nas mudanças. Sem um inspirador de esperanças que una toda nação, fica difícil chegar lá e concretizar o resto.
No mais, tudo parece morno e frio, com revanchismos, disputas ideológicas vazias, conservadorismos, preconceitos, retrocessos de ideias, violência para combater violência, idiotices e prepotências. São os mesmos grupos, em separado e individuais, apoiando grupos politiqueiros. Tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes. Nada mudou, e os mesmos serão eleitos, muitos dos quais “confessando” que por obra e graça da providência divina. Eles se acham até os eleitos por Deus, na base dos nós contra eles, e vice-versa.