Êta pau Pereira: quem tem obrigação legal de preservar, não pode poluir


*Paulo Nunes- jornalista

Através do prefeito Herzem Pereira, em 18 meses de governo o MDB promoveu a quebra do sistema de transporte coletivo municipal. Provando definitivamente a máxima de que destruir sempre é mais rápido que construir, a atual administração municipal, que hoje conta com mais de 80% de rejeição da população, promoveu desastres sociais em todos os segmentos da administração pública: na Saúde, na Educação, no Bem-Estar Social e notadamente no transporte coletivo urbano.

O prefeito Pereira fez acordo com os proprietários de veículos que fazem o transporte clandestino na cidade, os recebeu com salgadinhos, água gelada e cafezinho no seu gabinete e pediu à sociedade conquistense que fizesse o mesmo, pois ali estariam os profissionais que transformariam a vida dos conquistenses para melhor. Além disso, mantém uma relação exagerada com o presidente do Sindicato dos Rodoviários, recebendo do mesmo orientação para contratar empresas para o transporte urbano do município, atitude razoável se esse fosse o Secretário de Mobilidade Urbana.

Antes, ainda na disputa pela Prefeitura de Vitória da Conquista, puxou para sua campanha como candidatos a vereança, a presidente do Sindicato dos Professores Geanne Cássia, o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais José Marcos, o presidente do Sindicato dos Comerciários Gilmar Ferraz e o presidente do Sindicato dos Rodoviários Álvaro Souza.

Todos foram candidatos a vereador pela legenda do MDB, partido comandado por Geddel Vieira Lima e Herzem Gusmão Pereira, entretanto só Gilmar Ferraz conseguiu lograr êxito na eleição.

De qualquer sorte, um grande apoio político, mesmo porque esses sindicatos e seus representantes fizeram coisas não republicanas para ajudarem o atual prefeito na vitória eleitoral, bastando observar o quantitativo eleitoral dessa representação de mais de 17 mil eleitores em tese. Considerando as benesses feitas aos associados na pré-eleição, havia uma garantia de votos jamais vista na história sindical de Vitória da Conquista.

Pereira já possuía o apoio da direita festiva e da direita reacionária, o que adicionaria cerca de 40 mil votos aproximadamente. Faltava o xeque-mate. Pereira, então, busca um segmento marginal da economia, “os vanzeiros”. Ali descobre que são seiscentos veículos e seus condutores em contato direto com a população mais carente por aproximadamente dez horas por dia e, portanto, alcançaria com esse segmento ao menos 4 mil pessoas diariamente. A distribuição de propaganda eleitoral correu solta nos veículos, alguns foram plotados com a caricatura do atual prefeito. Aqui, se estima que Pereira conseguira votos suficientes para no primeiro turno ficar em primeiro lugar na disputa.

Na zona rural, onde a participação do governo municipal é mais necessária, era notório o prestígio do governo anterior. Mas a manutenção desse prestígio necessita de ações contínuas e, nesse particular, o governo falhou, haja vista apenas um dado que consideramos significativo: a abertura de poços artesianos para favorecer a agricultura – essa ação teve por parte do governo estadual, em 20 dias, uma ação que não acontecera em 8 anos, sem exagerar nos detalhes.

“Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem”. Roberto Mussil

Aliada à observação em relação à zona rural, responsável por 18% dos votos no colégio eleitoral, as presenças dos ex-vereadores José William Nunes, Edivaldo Ferreira e especialmente Arlindo Rebouças forneceram onze mil votos no confronto do primeiro turno e selaram a vitória de Pereira. Como o filósofo Roberto Mussil disse, qualquer pensamento importante a burrice pode utilizar e vez por outra usa.

As visões foram clareando no terço final do segundo turno da campanha eleitoral. Era possível a reversão, algumas pessoas estavam compreendendo que estavam recebendo ouro de tolo, chegaram a desconfiar que Arlindo confiava em Pereira, e depois desconfiavam… Onze mil votos em dez dias: essa era a necessidade de reversão, mas não dava tempo, as informações não chegavam com rapidez, nem na zona rural nem na sede; por uma questão de mais dez dias a eleição não virou. A cidade apostou errado, acreditando na ilusão do “cinema” apresentada pelo candidato falastrão e rapidamente experimentou o gosto do caos. E que caos! Senão, vejamos:

Na Administração Pública: monitores das creches municipais tiveram o valor de R$ 300,00 retirado de seus contracheques, sem qualquer aviso prévio ou justificativa legal; horas extras dos servidores foram autorizadas e não foram pagas; os servidores que tiveram contratos rescindidos com a Prefeitura não receberam os valores relativos às rescisões; com o corte das horas extras, as feiras livres ficaram sem coleta de lixo, os cemitérios foram fechados nos finais-de-semana, assim como o foram os equipamentos destinados ao esporte e ao lazer controlados pela Prefeitura Municipal.

Na saúde: Vários postos de saúde na zona rural foram fechados e aqueles que funcionavam não dispunham de médicos; a vacinação contra a poliomielite cumpriu a metade da meta estabelecida: apenas 47% das crianças foram vacinadas; as ambulâncias do SAMU 192 funcionaram precariamente durante um ano; a Imprensa denunciou lixo hospitalar contaminado nas dependências do posto de saúde Régis Pacheco, armazenado junto à área de atendimento ao público.

Na educação: Uma verdadeira catástrofe nesse setor. Alunos da zona rural perderam mais de 30 dias de aula por problemas dos mais diversos, entre os quais a falta de ônibus para conduzir alunos e professores, o atraso contumaz no pagamento dos terceirizados condutores dos veículos da educação, a falta de merenda escolar. A atual gestão não construiu sequer uma creche, apesar de ter herdado da administração anterior 8 creches com 90% de construção efetivada e o capital restante para o término.

No transporte público: Problemas nesse segmento têm repercussão importante em todos os outros segmentos já descritos por nós. O prefeito municipal estabeleceu legalidade ao transporte clandestino, através de um decreto oral (primeiro na história da República)ça Viação Vitória entrou em processo falimentar em razão da concorrência predatória autorizada pela prefeitura, que por sua vez permitia que os ônibus da Viação Vitória circulassem com veículos que não garantiam a segurança dos usuários; vários acidentes ocorreram até que essa mesma prefeitura lacrasse 74 ônibus de uma frota de 80 em uma manhã. Com essa ação 50 mil passageiros ficaram sem transporte regular e até então a Prefeitura não apresentou qualquer solução para o caso.

Na mobilidade urbana: Apesar de ter herdado da administração anterior 57 obras estruturantes em várias áreas, herdando inclusive o dinheiro destinado às obras, cerca de 110 milhões de reais (entre essas a revitalização dos 13 principais corredores de transporte e a reforma do terminal de ônibus central), fez o recapeamento de apenas três corredores e, flertando com o prejuízo, ainda conseguiu acabar com 25 quilômetros de ciclofaixas construídas na administração anterior.

Na área de bem-estar social: Não apresentou qualquer projeto de construção de moradias populares para confrontar as 15 mil construídas na administração anterior. Ao contrário, promoveu a derrubada de casebres de pessoas pobres que moravam em invasões ou ocupações na periferia da cidade. Aliás, sobre isso, como explicar o fato de essa mesma prefeitura ter derrubado as precárias construções sob a alegação de preservação ambiental da área ter sido flagrada transformando o local de descarte de lixo? Quando aquele que tem o dever legal de preservar é o que polui, o caos está, de fato, instaurado.

Por isso, para deixar a cidade respirar novamente, só nos resta um pedido: volta pro rádio, Pereira.

*Paulo Nunes é jornalista, desde 1987 conta a história contemporânea da Política conquistense