PF vasculha gabinete de Cristiane Brasil na Câmara


PTB

Alvo de busca e apreensão, Cristiane Brasil também está proibida de manter contato com os demais investigados na Operação Registro Espúrio, como o seu pai, Roberto Jefferson

A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão no gabinete parlamentar da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha do presidente nacional do partido, o ex-deputado Roberto Jefferson. O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), também autorizou que os policiais federais vasculhem o apartamento funcional ocupado pela deputada em Brasília e o imóvel onde ela mora no Rio.

A ação faz parte da Operação Registro Espúrio, deflagrada em 30 de maio para apurar a atuação de uma organização criminosa na concessão fraudulenta de registros sindicais no Ministério do Trabalho, área de influência de Jefferson e de Cristiane, que chegou a ser anunciada no início do ano como ministra da pasta. A nomeação foi cancelada após a divulgação de que ela tinha condenação por irregularidade trabalhista.

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Segundo a PF, conversas em aplicativo de celular apontam que ela foi madrinha da indicação de Renato Araújo para o cargo de coordenador-geral de registro sindical no ministério. Além de autorizar as buscas e apreensões, Fachin proibiu Cristiane de manter contato com os demais investigados na Registro Espúrio e de frequentar o Ministério do Trabalho.

O início da operação também teve como alvos, além de Jefferson, os deputados Jovair Arantes (PTB-GO), Paulinho da Força (Solidariedade-SP) e Wilson Filho (PTB-PB). Eles são suspeitos de integrar o núcleo político da organização criminosa que atuava na pasta.

De acordo com a PF, havia cinco núcleos de atuação no esquema: administrativo, político, sindical, captador e financeiro. Os parlamentares, conforme as investigações, faziam parte do segundo grupo.

“Também são mencionados, como exemplo, das fraudes, pagamentos que envolviam valores que chegaram a R$ 4 milhões pela liberação de um único registro sindical. Desde 2017, parte dos integrantes do grupo criminoso responde a uma ação por improbidade administrativa em andamento na Justiça Federal, em Brasília”, diz a PF.