os pontos mais feios de Vitória da Conquista deixam má impressão da nossa cidade


Jeremias Macário

Tem gente que tem raiva da mídia e de seus jornalistas quando estampam matérias mostrando a realidade de abandono, falta de manutenção, sujeira e destruição de logradouros, ruas, avenidas, praças e equipamentos importantes da cidade. Os políticos no poder, mesmo aqueles que se dizem democráticos, ficam irados e até ameaçam a vida de chefes e redatores da imprensa, revivendo os tempos dos coronéis.
Digo isso porque senti na pele, tempos atrás, a reação e o ódio daqueles que sempre acharam que você é contra a cidade e nela não merece viver quando faz reportagens críticas mostrando pontos negativos. Não aceitam o papel da imprensa e ai só querem condenar os responsáveis, se bem que não concordo com oposição ao poder constituído meramente por questões pessoais.
As quatro marmotas
Sem mais nariz de cera, me arrisco, mais uma vez, visto que já estou acostumado a apanhar, a ressaltar aqui os pontos atuais mais críticos e feios de Vitória da Conquista que devem ser evitados pelos moradores e não se recomenda que sejam mostrados a visitantes. Pena que seja nesta Conquista, capital do sudoeste, que já foi conhecida como a cidade das flores, da cultura e decantada como a suíça do sertão baiano pelo seu clima no inverno.

CEASA da Jruracy Magalhães

O Atacadão da Ceasa, da Avenida Juracy Magalhães, a Feira da Ceasa, no centro, o Terminal de Ônibus da Lauro de Freitas, apelidado como “Cabeça de Porco” e a Lagoa das Bateias são quatro marmotas da cidade, se bem que existem outros locais que precisam ser cuidados com urgência para não desfigurar mais ainda nossa polis, como a Praça Barão do Rio Branco e adjacências, ultimamente poluída por carros, propagandas de todo tipo e invadida por camelôs e vendedores de frutas.

Terminal de ônibus da Lauro de Freitas

Temos ainda o aeroporto que é uma vergonha para quem chega e sai, sem contar o caótico trânsito que necessita de um grande projeto de mobilidade urbana. A área cultural em todas suas linguagens artísticas pede socorro e carece de ser reativada. Conquista é uma das cidades que mais cresce no Norte e Nordeste e merece ser tratada como média a grande porte, não como uma pequena. Temos ainda a questão da água que não foi resolvida, enquanto não for construída a barragem do Catolé. Saímos do racionamento graças às chuvas de São Pedro, mas a cidade não pode ficar dependente da providência divina.
Vamos começar falando da Ceasa Atacado, da Juracy Magalhães, que já deveria ter sido interditada pela Vigilância Sanitária e pelo Ministério Público se vivêssemos num país sério que respeitasse e colocasse em primeiro lugar a higiene e a saúde de seus cidadãos.
Se já não esteve lá, não aconselho que vá, nem leve ninguém, principalmente de fora para visitá-lo. É um dos pontos feios da cidade onde impera a sujeira por todo lugar com verduras e frutas expostas ao chão, boxes inacabados e outros em estado lamentável, espaços apertados sem iluminação e ventilação e banheiros precários.
Há muitos anos, comerciantes e o poder municipal discutem maneiras de reformar e ampliar o Centro de Abastecimento, mas nunca se chega a um acordo sobre as responsabilidades de renovação de suas instalações. O local não oferece condições de funcionamento e pode ocorre um acidente tipo daquelas tragédias anunciadas que sempre acontecem em nosso país.
A Feira da Ceasa é outro local carente de requalificação e ordenamento do seu comércio para dar melhor comodidade ao feirante e ao consumidor. Os boxes e seus balcões de refrigeração de vendas de carnes e derivados em geral não estão mais dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura quando foram implantados há mais de 15 anos.

Ceasa – Centro

Os corredores estão sempre sujos com um lodo escuro onde cachorros e outros animais transitam procurando restos de comida e carcaças de ossos em seus vãos. Em frente dos galpões fica difícil transitar por causa do grande número de pequenas bancas de verduras e frutas que tomaram todos os espaços.
Dentre os pontos mais desgastados e que não atendem mais a demanda de uma cidade de mais de 340 mil habitantes, que sempre está crescendo, talvez o Terminal de Ônibus da Laura de Freitas, chamado por muitos de “Cabeça de Porco”, seja o mais horrível em termos de falta de espaço para circulação de ônibus e veículos pequenos, sem contar a poluição das descargas dos automóveis.
Em épocas de eleições, fala-se muito em melhorias da área, mas não há como fazer isso num logradouro que não tem mais espaço para obras de ampliação, a não ser algumas pinturas e serviços de consertos que não vão devolver ao local às reais necessidades da população. Sempre insisto que a saída é implantar outra estação próxima do centro e urbanizar aquele terminal, humanizando mais o espaço, em benefício dos usuários e comerciantes. No mais, é jogar dinheiro do povo fora com maquiagens.

Lagoa das Bateias

Outro local em total degradação que poderia ser hoje um dos mais visitados da cidade por todas as idades, para lazer e entretenimento, é o Parque da Lagoa das Bateias, construído há seis anos no governo do prefeito José Raimundo. Muitos equipamentos estão quebrados e quase ninguém frequenta o lugar.
É uma área bonita e que tinha tudo para ser aprazível, mas encontra-se poluída pelos esgotos que nela cai de várias partes urbanas do lado oeste da cidade, formando um bolsão de sujeiras propício para criação dos mosquitos da dengue. O mau cheiro é insuportável e poucos animais frequentam a Lagoa.
São os pontos mais críticos que carecem, urgentemente, de projetos de requalificação para que Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, não passe tanta vergonha ao receber visitantes, e restitua aos seus moradores a beleza característica dela como portal do sertão e passagem para todas regiões do país.