A estupidez de um sistema que humilha


Não dispõe de estrutura adequada em termos de capacitação humana e tecnológica, mas convoca a população já sofrida para se submeter aos seus constantes caprichos de atualização de documentos ou mudanças de processos dos nos seus ditos “modernos sistemas”, sob alegação de que tudo está sendo feito em prol da melhoria e da segurança nacional. Ai, a vida do cidadão vira um verdadeiro inferno, sobrando sempre para as pessoas mais pobres e idosas.
Isto é a cara do Brasil desprovido de recursos, com seu sistema estúpido que humilha o povo em intermináveis filas, e ainda ameaça quem não comparecer, dizendo que pode ser punido e excluído do esquema que só beneficia aos próprios. É o que está acontecendo desde meados do ano passado e agora, no momento atual, com o maldito recadastramento biométrico eleitoral, cheio de vícios e mutretas.
Diante de toda esta brutalidade sem tamanho, ouvi nesta semana um juiz eleitoral culpar o próprio brasileiro de que sempre deixa tudo para a última hora. Isto não é verdade porque as filas, provenientes da desorganização e da falta de condições de atendimento do Tribunal Eleitora, sempre existiram desde o início do processo, e não tomaram providências para, pelo menos, minimizar a situação.
Na Bahia, por exemplo, e aqui, particularmente em Vitória da Conquista, o quadro é de revolta e de angústia para o eleitor que desde os primeiros dias enfrenta filas e perda de tempo para realizar o recadastramento no Fórum da cidade. No início, este era o único local para a biometria. Por que, quando tudo começou, não colocaram vários pontos de atendimento? A opção no Espaço Glauber Rocha, no caso de Conquista, só veio tempo depois.
O sistema como todo é deficitário e falho em todos os sentidos, desde a falta de recursos financeiros, planejamento, estrutura e, consequentemente, de contingente humano suficiente para executar o trabalho de modo digno para que o cidadão não seja sacrificado. Já no final do prazo, o tal sistema cai por horas e os agendamentos “programados” não são cumpridos. Tudo não passa de mentira como num conto do vigário. Tudo não passa de um estelionato biométrico.
Para encobrir as falhas, é muito fácil culpar o nosso povo que, infelizmente, é mais cordeiro que uma ovelha porque esta ainda berra quando percebe que está sendo levada para o matadouro. Nesse quadro de filme de terror, grande parte da nossa mídia exerce um papel vergonhoso de só noticiar o factual e ainda ficar ao lado do perverso sistema, sem comentar e defender o outro lado do povo massacrado. Não se ouve, nem se lê criticas contra estes e outros absurdos em nosso país.
Acontece que toda esta insensatez no Brasil não ocorre, nem está ocorrendo somente agora com o recadastramento biométrico eleitoral, mas em muitos outros segmentos da vida brasileira, como nos atendimentos do INSS, para se marcar exames de saúde, para atualizações periódicas de carteiras de identidade, habilitação de motorista, matrículas nas escolas públicas e outros tantos documentos onde se dorme nas filas de horror, de choros, lágrimas e lamentos.
O mais curioso é que estas torturantes filas da morte não são frequentadas por governadores, senadores, deputados, prefeitos, vereadores, ricos, empresários, endinheirados, profissionais privilegiados, diretores e executivos públicos e privados. Nelas só se vê pobres de um modo geral, mulheres grávidas, idosos e até crianças.
Todos enfrentam calados e resignados, sem indignação e protestos, as longas e penosas jornadas, enquanto uma casta superior do alto da pirâmide social se esbalda em suas mordomias, rouba descaradamente os impostos do povo, afronta a todos com suas medidas e discursos de menosprezo e não acredita na capacidade de uma revolta.
A maioria deles sabe que, apesar de tudo, será eleita. Ainda nos ensinam uma enganosa lição de que o voto é um ato de cidadania para mudar o país, país este que violenta e maltrata seus filhos. Nega a eles o respeito, a dignidade humana e os direitos constitucionais. Até quanto esta Catilina criminosa vai continuar abusando da nossa paciência?

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