Academia do papo: Foi um tempo que passou ………… ficção ou memória embaçada?


Paulo Pires

Naquela noite o Clube Social estava repleto… Grandes Famílias da Sociedade Conquistense estavam presentes. Pessoas queridissimas da cidade ali estavam reunidas e o resultado não podia ser diferente: um belo e alegre congraçamento. Tirando as tradicionais famílias protestantes que ignoravam a vida mundana (algumas ignoram até hoje), quase todas as famílias de Vitória da Conquista estavam no belo – suntuoso, para nossos padrões – Clube Social. … Moças muito bem vestidas, senhores muito elegantes e senhoras dentro de modelos equiparados aos das socialites do Rio de Janeiro (naquela época, padrão de moda e costumes).
O Clube era presidido por Ademar Galvão, o maior empreendedor de Vitória da Conquista em todos os tempos. Ademar e sua esposa Márcia eram responsáveis pelas grandes festas da Cidade e para tanto contavam com figuras ilustres, entre outros, como o médico Altamirando Costa Lima, Hormindo Barros, Eurípedes e João Cairo dos Santos, Agenor e Antenor Liberal Batista (fundador das Lojas Insinuante), Antônio de Pádua Góes e Isabel, Gildásio Patez e Nilzete, Cícero Pereira do Amorim e dona Dionê Lima, filha de Hercílio Lima (esse deu nome à praça em frente ao Hospital São Vicente).
Vitória da Conquista estava saindo da fase que o professor Ubirajara Brito denominou de Conquista dos Coronéis para um momento preliminar à qual o mesmo professor intitulou de Conquista dos Bacharéis. Em meados dos anos 60, os jovens da Cidade reclamavam pela implantação de uma Universidade e, em decorrência disso, uma nova mentalidade se instalou na cabeça dos nossos jovens… A Escola Normal, grande templo de nossa Educação Secundária, possuía uma plêiade de professores que gozavam do maior respeito, entre os quais se destacavam Orlando Leite, Nilton Gonçalves, Everardo Públio de Castro, Arthur Seixas Pereira, Lia Rocha e dona Guiomar (além de outros notáveis). Esses extraordinários professores incutiram na cabeça dos nossos jovens que eles precisavam avançar. Tínhamos estudantes brilhantes e aquelas mentes não podiam ficar represadas com um Certificado de Segundo Grau… Terceiro Grau era a meta.
O Comércio avançava e o setor de prestação de serviços dava sinais de que ia decolar… As expectativas quanto ao crescimento da Cidade eram enormes e todos sentiam isso…. Muita gente prosperando no Comércio Atacadista de Tecidos e Armazéns, além de termos um quadro pecuaristas de respeito, composto por nomes como Aureomar Mendes, Wellington Mendes e Ariovaldo Fernandes, e ainda, evidentemente, Milton Rocha e Pedro Cangussú sem esquecer do lendário Jeremias Gusmão, todos esses proporcionando uma visão maior e melhor do que era necessário trazer para nossa Cidade justificando a grandeza e o crescimento de nosso Município.
Portanto, em termos de lazer e entretenimento, era preciso contratar para nossa sociedade todos os artistas que faziam (fizessem) parte do creme-do-creme da melhor música que se tocava no Brasil de então, e que realmente tivesse expressão nacional.
Ademar trouxe Românticos de Cuba, Cassino de Sevilha, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Angela Maria e outros, no auge de suas carreiras e com grande prestígio na Rádio Nacional e em outras emissoras de Rádio (a TV ainda não havia chegado à Conquista)…. Não lembro o ano (65, 66 ou 67) o Estádio Lomanto Júnior foi inaugurado… Antes um pouco, tínhamos grandes incentivadores do Futebol Amador, entre os quais destacava-se a personalidade super cordial de Lourival Cairo cunhado de Hormindo Barros. Lourival era (é) pai de Antônio, André, Jerome e Magda, esposo de Dona Zinha Barros, uma pessoa extraordinária. Possuíamos mecenas em quase todas as áreas… O espiritismo em nossa Cidade teve grande avanço com a Família Prates e com pessoas como doutor Luís Barreto.
Tudo isso tinha um ponto de reunião: Clube Social Conquista… era naquele ambiente alegre, cheirando a novo, com mesas muito bem ornadas e o clube adequadamente ornamentado que a Sociedade se reunia para os congraçamentos, as grandes festas … Hoje, passo por lá e tudo virou parede (muros)… Parece o poema de Drummond. Tudo não passa de um retrato na parede. Ai, como dói! … Ademar morreu, doutor Altamirando morreu, outros morreram e o Clube acabou… E agora? Fugir para onde? … Para onde foram aqueles companheiros, aquelas moças bonitas? O que resta é nostalgia, essa epifania de saudade. Cordial abraço para todos e até a próxima semana.
Paulo Pires