” E a Bíblia tinha razão” (Final)



(A INVASÃO ROMANA, O NASCIMENTO DE CRISTO E A DESTRUIÇÃO DE JERUSALÉM)
Em 1947 os beduínos do deserto encontraram rolos de pergaminhos e papiros na costa norte do Mar Morto. Através deste material foi traduzido o primeiro texto hebraico do Livro de Isaias (100 a.C). Assinala Werner Keller, que o Codex Vaticanus e o Codex Sinacticus, do século IV d.C. são as redações bíblicas mais antigas. O Codex Petropolitanus foi escrito em hebraico primitivo em 916 d.C. Diz o autor que esses manuscritos pouco revelaram sobre a vida e a obra de João Batista (o nobre) e de Jesus.
De volta à nossa narrativa histórica anterior contada por Keller, Israel viveu um período de tranquilidade, mas por pouco tempo, pois os romanos, através de Pompeu e suas legiões entraram em Jerusalém em 63 a. C., e Judá tornou-se província dos novos donos. Na época, o grego, com suas cidades na Jordânia (Decápolis), tornou-se língua mais falada na região.
Em 44 a.C. César foi assassinado, ano em que surgiu um planeta no céu, mesma coisa aconteceu depois do suicídio de Nero, em 66 d.C. Bem antes disso, porém, no ano 40 a.C. Herodes, o tirano e cruel, foi nomeado rei da Judeia. Ele praticou muitas atrocidades e veio a morrer por volta do ano 4 a.C. Herodes se achava um messias e ficou muito atordoado e mais sanguinário ainda quando ouviu boatos do nascimento de um rei que decretaria o fim do império romano.
O historiador judeu Flávio Josefo que viveu na época narra todos os acontecimentos, inclusive a destruição total de Jerusalém, em 70 d. C. Como não existe até hoje uma data precisa sobre o nascimento de Cristo, os achados dão conta de que o messias tenha vindo ao mundo entre 6 ou 7 a.C., em meio a uma perseguição feroz de Herodes aos recém-nascidos.
Baseado em fontes históricas, o escritor Houston Chamberlain chegou a divulgar (sua interpretação foi rejeitada) que o pai de Jesus teria sido um ariano guerreiro das legiões romanas chamado de Panthera. Miriam, sua mãe, teria sido repudiada pelo marido carpinteiro. Não foram encontradas provas da fuga de Maria, Jesus (mais citado como Nizireu que nazareno) e José para o Egito.
O certo mesmo é que Cristo veio em meio ao um turbilhão político e social, de desconfianças de todos os lados, rebeliões e animosidade entre as diversas tribos. O povo estava em polvorosa com a invasão dos romanos e as arbitrariedades de Herodes que governava a Judéia.
Quanto ao dia natalino de 25 de dezembro foi, na verdade, a data escolhida pelo catolicismo que substituiu o grande dia de festa romano, o chamado dia do nascimento do invicto, decretado pelo imperador Justiniano, em 354 d.C., após sofrer pressão dos cristãos. Era comemorado o solstício, o último dia das saturnais quando se celebrava uma semana de carnaval.
Narram os historiadores que no ano 6 a.C. ocorreu uma contenda messiânica entre Herodes (pai) e os fariseus que vaticinavam o fim do rei da Judéia, época da conjunção planetária. Herodes mandou executar todos os líderes fariseus e, como cruel assassino, exterminou uma multidão, inclusive seus filhos Antipater, Alexandre e Aristóbulo, dois maridos da irmã Salomé, a sogra e dois sábios. Nomeou seus filhos Arquelau, Herodes Antipas e Filipe.
Depois da perseguição e da degola do pregador João Batista por Herodes Antipas (ele temia mais rebeliões), com receio, Jesus foi para Jericó e de lá só saiu tempos depois para Jerusalém, para celebrar a semana da páscoa. Considerado como farsante e impostor foi preso e levado primeiro à presença de Anás, sogro de Jesebeu Caifás (18 a 37 d.C.), e depois apresentado ao Sinédrio (Superior Tribunal Judeu).
Levado para Pôncio Pilatos (procurador da Judéia entre 26 a 36 d. C.) foi condenado por flagrante sacrilégio por ter declarado ser o messias. O prestígio de Pilatos estava em baixa depois de ter mandado expor um escudo de ouro do imperador no palácio de Herodes. O povo se revoltou e Tibério ordenou a retirada do emblema.
Diante de toda aquela confusão, Pilatos lavou as mãos no pavimento do seu palácio chamado de Gábbatha (Lithostrotos em grego). O local sobreviveu à destruição de Jerusalém, em 70 d.C. A partir dai deram início ao ritual comum de despir o corpo de Jesus para aplicar o castigo de vergastar até a carne prender em talhadas sangrentas.
De encontro à pratica usual, Ele não quis tomar o vinho e o incenso oferecidos pelas mulheres para aliviar as dores. Também não foi preciso que quebrassem seus joelhos (crurifragium) quando estava pregado na cruz. Os pregos foram postos no tendão transversal do antebraço, mesmo porque se fossem nas mãos haveria uma ruptura por causa do peso do corpo. Cristo foi executado durante o império de Tibério (entre 14 a 37). Não existe, no entanto, uma data precisa sobre a morte de Jesus, se em 29, 30, 32 ou 33.
Depois da morte de Jesus surgiram vários movimentos messiânicos como no tempo do imperador Claudio, de 41 a 54 d.C. As revoltas tomaram outra dimensão mais agressivas na época de Nero, entre 54 a 68, mas, até então, as legiões estavam contendo os protestos e as divergências políticas e religiosas.
A ira do povo explodiu mesmo quando o romano Sabino mandou aumentar os impostos. As legiões foram apedrejadas e o governador da Síria, Quintílio Varo teve que enviar reforços para abafar os rebeldes enfurecidos. Nessa época, entre 66/67, 2.000 homens foram crucificados, mas, mesmo assim, Varo foi derrotado.
Na guerra dos judeus contra os romanos, de 66 a 70, o grupo rebelde “Zelotes” recomendava que cada um levasse um punhal no manto para atacar os soldados. Roma odiava os israelenses, e a rebelião estourou quando o procurador Floro ordenou cobrar impostos do Templo. Os rebeldes tomaram Jerusalém. Roma mandou prender Flávio Josefo, chefe militar da Galiléia.
O imperador Nero enviou o general Tito Flávio Vespasiano para resolver a situação, e Flávio Josefo fez um apelo à paz. Contam os historiadores que diariamente 500 pessoas eram crucificadas, tanto que faltou madeira nas florestas para fazer as cruzes. “A morte fazia uma colheita terrível”. Muita gente roía sapatos, couro e comia feno velho para não morrer de fome. Por todo lado se tropeçava em cadáveres. Uma mãe nobre de nome Maria devorou seu filho recém-nascido.
Em meio a todo aquele turbilhão, estourou uma guerra civil em Roma. Com a crise, e depois de suas tantas perversidades, Nero suicidou-se em 68. Três imperadores caíram até a aclamação do general Tito Vespasiano como novo imperador do povo.
A guerra na Judéia continuou dizimando a população. O Castelo Antônia e o Templo foram arrasados. Tito até mandou poupar o santuário, mas nem seus soldados obedeceram. Em agosto de 70 toda cidade foi destruída com 97 mil prisioneiros e 115 mil cadáveres foram encontrados, só numa porta do Templo. Não ficou pedra sobre pedra. Em 71 foi realizado o desfile triunfal das tropas romanas. No reinado de Adriano (117-138), Israel e Palestina tornaram-se numa nova colônia próspera e rica com casas de banhos e templos dedicados a Venus e Júpter.