E a Bíblia tinha razão (IV)


Nos últimos capítulos de “e a Bíblia tinha razão”, Werner Keller fala da volta voluntária dos judeus da Babilônia no reinado de Ciro; de Alexandre Magno, da Macedônia; da influência grega na cultura dos povos; do cruel e sanguinário Herodes e suas construção; do nascimento de Cristo; e da destruição total de Jerusalém pelos romanos no ano de 70 d.C., uma carnificina sem igual na história da humanidade.
Por volta de 625 a.C. o neobabilônico das tribos dos caldeus, Nabopolasar destruiu Nínive, e o rei Josias baniu os cultos em Jerusalém. No Irã, os medos e os neobabilônicos dividiram o império. Em 597 a.C., o rei Nabuconodosor exterminou a Casa de David e levou o rei Joaquim e seu povo para a Babilônia (segundo versões, apenas notáveis foram deportados). Mesmo assim, o fato marcou o começo da história dos judeus.
Nunca se construiu tanto como no reinado de Nabuconodosor, basta citar os Jardins Suspensos, como uma das sete maravilhas do mundo, a Torre de Babel (a cidade tornou-se grandiosa e maior centro de cultura e civilização), 53 templos para os grandes deuses Marduck, Nergal, Abad, Instar, Afrodite (cada mulher tinha que sentar-se ao seu lado dela no santuário e entregar-se a um estranho) e outros.
Na época, Judá continuou província vassala, mas os israelenses que foram para Babilônia mudaram de atividades, tornando-se astutos comerciantes e lojistas, ao invés de artesãos, artistas e camponeses. Entre os medos, no Irã, governava Astiages que perdeu o torno para seu próprio neto Ciro em 553 a.C.
Conta a lenda que Ciro nasceu de dois sonhos, um da mãe Mandané, filha de Astiages, a qual viu sair dentro do seu útero uma torrente de água que invadiu o mundo. Os magos interpretaram que nasceria um menino que tomaria seu reino. Com medo, Astiages deu sua filha em casamento para um persa de nome Cambises.
O outro sonho foi do próprio rei-avô que viu nascer da sua filha, quando estava grávida, uma grande videira que sombreava e tomava toda terra. Os adivinhos deram o mesmo vaticínio. Astiages, então, aprisionou sua filha em sua casa e quando a criança nasceu entregou-a para seu fiel guarda para que o menino fosse morto. Ele não teve coragem e deu Ciro para ser criado por um pastor de rebanhos. Assim cresceu o futuro rei de toda Mesopotâmia até a Palestina e a Síria.
Com a morte de Nabucodonosor em 550 a.C., subiu ao trono o arqueólogo Nabonid. Depois dos medos do avô em seu poder, Ciro derrotou os exércitos da Babilônia, em 539 a.C. e tornou-se um rei progressista voltado para a coletividade e realizações de benefícios sociais para o povo. Com liberdade de pensamento e de religião, Ciro procurou zelar pelo culto ao deus Marduck.
Com suas ideias libertárias e de não perseguição, Ciro permitiu que os judeus regressassem a Israel e à Palestina. Num percurso de 1.300 quilômetros, os hebreus refizeram a antiga trilha de Abraão para Canaã, 1400 anos depois, passando por Damasco até o Lago de Genesaré. Ciro, o libertador, morreu em 530 a. C. e foi inumado na cidade de Passárgada. Deixou o maior império que o mundo já viu, da Índia ao Nilo, para ser governado pelo seu filho Cambises II. Com Dario I e II, os persas tiveram dois séculos de soberania sobre Jerusalém.
O reino começou a se desmoronar a partir das lutas travadas contra os macedônios, sob comando grego de Alexandre Magno (batalha de Maratona, 490 a.C.) e Salamina onde Dario III fora derrotado. Alexandre tinha 24 anos quando empregou 32 mil soldados, cinco mil cavalarias e 100 navios e tinha como maior objetivo conquistar o Egito.
Em Tiro fez um dique de 600 metros entre a cidade e a ilha. Usou torres de artilharias móveis com muitos andares para atacar seus inimigos. Mais uma vez, foi o fim dos reinos de Israel e Judá. Os gregos dominaram durante 150 anos. Com sua ambição guerreira, Alexandre foi até a Índia, mas no retornou contraiu uma febre e morreu aos 33 anos, em 323 a.C.
Bem antes disso, há muitos anos atrás, lá pelo século V os gregos já exerciam forte influencia na região da Palestina e na própria Mesopotâmia. Os historiadores Heródoto e Xenefone viajavam para fazer suas pesquisas e entrevistas com os reis e governadores, pregando a liberdade helênica dos sábios Péricles, Esquilo, Sófocles, Eurípedes, Platão e Aristóteles. O grego tornou-se a língua internacional do comércio e da ciência no lugar do hebraico.
Com a morte de Alexandre, o império foi fragmentado e seus generais aproveitaram para exterminar pessoas da família real. Com isso, o império foi dividido em três reinos: Macedônio, Seleucidas e Ptolomeus I e II (Nilo -Alexandria governada por Cleópatra, a rainha que virou a cabeça de Marco Antônio e César).
Por volta de 250 a.C. a escritura do livro “Tora” foi traduzida para o grego pela primeira vez. Com isso, Ptolomeu II pediu ao sumo sacerdote que enviasse cópias da sagrada escritura. Ele mandou a cópia e mais 72 sábios e escribas, ocasião em que aproveitaram para fazer a tradução grega da Bíblia, chamada Septuaginta. Viveu-se mais de 100 anos de ptolomeus.
Em 195 a.C., Antioco III venceu Ptolomeu V e tomou a Palestina. Na época, teve início os jogos olímpicos onde os atletas competiam nus. Isso serviu de escândalo em Jerusalém, mais ainda quando Jasão mandou construir um estádio ao lado do templo.
Como castigo, dizem os profetas, Antioco IV saqueou e profanou o templo (destruiu as sagradas escrituras), em 168 a.C. e fez de tudo para aniquilar a crença de Israel, colocando nele (o templo) o culto de Zeus Olimpo. Foi decretado pena de morte para quem praticasse culto judaico e a circuncisão.
Como resposta pelas provocações de Antíoco, surgiu a guerra de guerrilha dos Macabeus em defesa da liberdade de crença. Em 164 a.C. Judas Macabeu e seus filhos libertaram Jerusalém e fizeram sacrifícios em louvor a Jeová.