Vitória da Conquista na Era da Ditadura Militar


Vitória da Conquista 1977 blogdopaulonunesCom o golpe Militar de 1964, José Pedral ficou impedido de administrar o município, pois o novo regime decretara o seu ” impeachment”, ficando assim sem direitos políticos por 20 anos. Administrou o município por apenas treze meses. Em seu lugar, assumiu o advogado Orlando da Silva Leite, que na época era o Presidente da Câmara, e governou de maio de 1964 a abril de 1967, quando passou o cargo a mais um profissional liberal, o médico Fernando Spínola, que administrou até 1971. A experiência democrática de 1946 a 1964 foi limitada e chegou ao fim com a crise do populismo.

O golpe de Estado não modificou a estrutura política da Bahia senão, em alguns municípios, como foi o caso de Vitória da Conquista.

1963 a 1964
1963 a 1964

Era governador e continuou sendo Lomanto Júnior, sendo substituído em 1967 por Luiz Viana Filho, eleito pela Assembléia Legislativa, concluindo seu mandato em 1971. Por esta época a política conquistense deixava seus representantes da economia agrária ( predominantemente pecuarista) e passava para os profissionais liberais, agricultores e comerciantes enriquecidos no período pós-Guerra. Uma nova mentalidade começava a fazer parte do dia-a-dia da sociedade conquistense e, depois do Golpe, todos os prefeitos são profissionais liberais, defensores da diversificação econômica (o café era a opção da época) e do desenvolvimento comercial, indo até mesmo à implantação de um pólo industrial (o que ocorreu em 1972).

 

1964 a 1967
1964 a 1967

O crescimento da população urbana de Conquista tem sido impressionante: dos 8.644 habitantes de 1940, a cidade (núcleo urbano) pulou para 85.959 habitantes em 1970. O setor de construção civil encontra-se em fase bastante avançada. Além de estender-se horizontalmente através das vastas áreas da zona central e dos bairros, conquista cresce também em sentido vertical. Foi nesse momento que começava a surgir os primeiros edifícios da cidade.

Presença no Sargento Sales garantindo a posse do Governo golpista
Presença no Sargento Sales garantindo a posse do Governo golpista

Em 1971 assume a Prefeitura o advogado NIlton Gonçalves, do qual já falamos na década de 50. Eleito pela ARENA ( Aliança Renovadora Nacional), apoiado nas promessas do então governador Antônio Carlos Magalhães, que em praça pública garantiu a implantação da Universidade e daria a Nilton a chave do Palácio, para que entrasse quando quisesse, isso era a garantia de grandes obras para o município. O povo acreditou e derrotou aquele que dois anos depois faria o maior governo político administrativo do município, foram necessários dois anos para o povo da cidade entender que a chave era errada ou a fechadura trocada. Nilton teve seu mandato estendido até 1973, não conseguindo fazer seu sucessor nas eleições de 1972, quando a oposição ( MDB – Movimento Democrático Brasileiro), elegeu o médico Jadiel Vieira Matos, e iniciou uma nova fase na História Política local. Jadiel administrou o município até 1977 e sua gestão alcançou o auge do café, a urbanização e a expansão da cidade, o desenvolvimento comercial, o crescimento demográfico e industrial. Em 1972 é eleito, portanto, um médico sem liames de parentesco com as famílias tradicionais do município. Esses fatos são apenas reflexos políticos da diferenciação social ocorrida e antes descrita.

1967 a 1971
1967 a 1971

A partir de 1971, o café, a nova opção econômica e alternativa regional, tornou-se o maior investimento feito nos últimos anos, em termos econômicos, financeiros e sociais, destacando-se em 1978 entre os vinte municípios brasileiros que mais renovaram seus cafezais e o segundo município baiano.

Jadiel Matos 1973 a 1976
1973 a 1976

O café representou uma espécie de dique à migração para o sul, à medida que absorve uma vasta quantidade de mão-de-obra. O fluxo migratório diminuiu consideravelmente. No final da década passada (60) a região de Conquista quase chegou a exaustão econômica, onde se exibia milhares de casas à venda ou para aluguel. Isso porque a pecuária estava descapitalizada. Os moradores, até então, se concentravam dentro do anel que contorna a cidade. Depois de 70, a cidade inchou e com ela veio a periferia. A rápida urbanização, no entanto, não foi acompanhada de uma política de emprego que absorvesse as grandes camadas que se deslocavam para a cidade. A construção civil, antes com nível zero, foi durante toda a década de 70 e 80, a atividade mais dinâmica do município. Porém as unidades construídas eram de acesso somente para a classe média, em alta nesta época.

Raul Ferraz 1977 a 1982
1977 a 19782

Quanto à questão da mão-de-obra no campo, apesar de sua fixação à terra ( em alguns casos), não houve melhoria de condição de vida do trabalhador rural paralela à importância da cultura cafeeira na região. Primeiro, porque o café é um produto instável, de cultura flexível, havendo ciclos prolongados de colheita. Também os catadores de café são convocados somente nos períodos de colheita. Esse é um aspecto negativo que a cafeicultura apresentou como conseqüência social.

Tudo isso provocou a ampliação da rede bancária, a expansão das próprias atividades comerciais e o aumento de arrecadação tributária. Agora que a sociedade local não é formada apenas de ricos donos de fazendas e trabalhadores do campo, fazer política tornou-se cada vez mais difícil. Mesmo nos campos, com a implantação do Pólo Cafeeiro, surge um proletariado rural com potencialidades políticas. Novos interesses cristalizam-se e, refletindo, os partidos políticos se subdividem.

1982 a 1983
1982 a 1983
José Pedral 1983 a 1987
1983 a 1987

Como nessa época, em pleno regime militar, apenas dois partidos eram tidos como legais ( ARENA e MDB), este último se subdividiu em duas frentes, cada qual com seu projeto político. Ao mesmo tempo surge, ideologicamente, o mito da “Cidade Politizada” e “Cidade Progressista”.

O café, portanto, provocou novas demandas comerciais, pressionou o sistema viário existente (inclusive o urbano), impõe-se a necessidade de novos serviços, desorganizou-se a produção existente, dando-lhes contornos mais nitidamente capitalistas e provocou a proletarização no campo. Enfim, chega-se a década de 80 e Vitória da Conquista experimenta, como reflexos do desenvolvimento dos últimos 40 anos, o aumento populacional ( por migrações), a expansão urbana (unidades construídas), a expansão comercial ( novos “pontos” e casas comerciais), a atração do mercado de trabalho (profissionais Liberais e para o Setor Primário) e o surgimento de novos bairros periféricos ( Classe Baixa) diminui. Em 1940, a zona urbana não chegava a ocupar cem hectares (Jornal o FIFÓ), em 1980 ocupará seiscentos hectares (cit.) . A população atingiu, em 1970, oitenta e cinco mil, novecentos e cinqüenta e nove habitantes ( núcleo urbano). Em 1980, quase dobrou, chegando a 151.287 habitantes (Fonte: IBGE).

O Gerador para garantir energia na cidade
O Gerador para garantir energia na cidade
Crepúsculo da Era milotar
Crepúsculo da Era militar 1985