Lula no ministério é fundamental ganhar a luta


O ex-presidente Lula deve chegar ao ministério de Dilma. Em princípio, a sua chegada viria colocar uma certa ordem no governo, já que se sabe que a Presidente da República, ao que parece, não tem o pulso necessário para conduzir as mudanças que precisam acontecer. E evidentemente que esse enfraquecimento vem de todo esse lema de escândalos envolvendo personagens do governo. Claro que uma situação dessa enfraquece qualquer pessoa. E é notório que há uma dificuldade de articulação das palavras de Dilma, sobretudo quando ela está em público.
Ora, a chegada de Lula, com sua experiência e com sua capacidade de negociação política, algumas coisas poderão ser modificadas. Fundamentalmente na questão da economia. Eu não sou nenhum expert em economia para falar, mas entendo que, se a política do primeiro governo, foi de criar a movimentação do dinheiro que está disponível e parado nos bancos oficiais do Brasil – recursos do fundo de garantia, recursos do FAT – que possam, esses recursos, movimentar a economia no sentido mais simples, que foi o que alavancou os quatro primeiros anos do governo Lula e que deu um resultado extremamente positivo para o Brasil.
O outro lado da questão é que, mesmo que possa parecer que seria uma fuga do processo – o que é ridículo raciocinar desta forma – porque eu entendo muito que, se o Juiz Sérgio Moro é honesto, o ministro Teori Zavascki não é diferente. Passar para a população a ideia de que, chegando ao STF, alguém que tenha culpa no cartório deixa de tê-la, é uma tolice imaginar isso. Muito pelo contrário. Ai, sim, é que a investigação ficaria ainda mais forte.Lula 2
Agora, analisando este lado político, lado jurídico-político, é fácil notar que se está numa guerra. E, em se tratando de guerra, você tem que usar as armas necessárias para vencê-la. Eu não estou aqui, falando que você deve usar a sabotagem. Porém, se, numa guerra, alguém está fazendo sabotagem, você tem que sobrepor a esta sabotagem. E onde é que eu quero colocar as questões da sabotagem: Não é dado a nenhum juiz julgar ninguém fora da lei. E nem tentar dissimular a lei para aplicá-la a João diferente de Francisco. Senão, vejamos. Qualquer estudante de direito sabe que o direito é territorial. Que quer dizer isto? Quer dizer que as pessoas que cometem crimes na Bahia, essas pessoas devem pagar o crime na Bahia. Se cometeu em São Paulo, é julgado em São Paulo; ainda que os crimes sejam considerados federais, como é o caso do tráfico de drogas, como é o caso do desvio de dinheiro de repartições públicas federais, empresas federais e assim por diante.
Então, não há nenhuma possibilidade jurídica que as coisas que aconteceram em São Paulo – como é o caso do tríplex (sendo ou não de Lula), elas não deve ser apreciadas por um juiz do Paraná. Nenhum juiz do Paraná pode determinar uma ação no cartório de São Paulo. Esse é um ponto. Por exemplo, os promotores públicos – os três patetas – que fizeram a ação contra Lula, eles pediram a prisão preventiva de Lula, imaginando que Lula teria uma organização do terror, da maldade para prejudicar testemunhas. Ora, o direito tem a necessidade do fato. Ninguém pode simplesmente condenar outro por pensamento. O cidadão pode pensar em matar outro, mas, para que o Estado possa tomar providência – e quando digo Estado me refiro ao Poder Judiciário – é preciso que haja a efetivação, a tentativa ou o assassinato da pessoa. O que os promotores públicos quiseram demonstrar é que eles imaginavam que Lula poderia fazer isto ou aquilo. Talvez pelo fato de Lula ainda não ter dito que era jararaca, eles, ai, resolveram antecipar que seria o veneno da cobra.
Falando isso, nota-se claramente que, além da discussão jurídica, há a discussão política. Há um interesse político na condenação antecipada do ex-presidente Lula. Sendo assim, também por essa vertente, é lógico que ele teria que lutar com essas armas. Ora, se não estão dando o tratamento jurídico perfeito, você tem que se precaver e tem que se resguardar. Sendo Lula ministro de Estado, terá seu processo apreciado no STF. Não vejo porque o juiz Sérgio Moro tenha mais honestidade que o Ministro Teori Zavascki. Não reconheço este tipo de ideia. Mesmo porque o juiz Sérgio Moro já demonstrou que tem uma política jurídica muito específica quando se trata de interesses seus. Uma vez que, para ser professor na Universidade do Paraná, e realizar um serviço de assessoria para a ministra Rosa Weber, ele queria modificar o estatuto da Universidade Federal do Paraná. Iria simplesmente prejudicar todos os colegas professores, em benefício seu. Por sorte, os juízes que apreciaram o pedido do inconformado Moro, não eram iguais a ele, Sendo derrotado sumariamente na sua pretensão espúria. Assim, me parece que a honestidade fica meio complicada quando alguém tenta modificar algo que é coletivo para seu benefício individual. Pergunta-se: se fosse outro professor, e não ele, ele agiria da mesma forma? Essa é a ressalva do ex-presidente Lula; primeiro porque ajudaria em muito o Brasil, acalmaria muita coisa no Brasil, sendo ele um ministro importante no governo de Dilma e, por outro lado, não se submeteria a detalhes e ações sub-reptícias praticadas pelo seu algoz, o juiz Sérgio Moro.
Como eu já tinha dito em áudio anterior, simplesmente o fato de tentar levar o ex-presidente Lula para depor no Paraná, à força, praticando – sem dúvida alguma – um sequestro… porque você imaginar que vai conseguir um depoimento de uma ex autoridade, mas que ainda goza de regalias de autoridade, uma vez que tem segurança do próprio governo, não haveria nenhuma condição de haver uma disputa… uma luta… você encaminhar 200 homens, eu acho que foi um espetáculo desnecessário para todos, e vergonhoso para quem tenta usar a força de forma excessiva contra um, e que – talvez – não tivesse coragem de usar para quem tivesse no mesmo tope …
De forma que acho muito importante a presença de Lula num ministério de Dilma. E espero que isto aconteça o mais rápido possível porque o Brasil precisa andar e o pais está parado mais pelas ações políticas nefastas do que pela economia.