Raios que o partam! O novo mote da Propaganda Política de Dilma


A campanha do PT baixou o nível de vez, e está utilizando da difamação, da mentira, de falsas acusações, entre

Luís Fernandes é jornalista e historiador
Luís Fernandes é jornalista e historiador

outras barbaridades, para tentar desmoralizar a reputação da candidata Marina Silva. Não se trata mais de desconstruir a candidata que emparedou com Dilma nas pesquisas até poucos dias atrás, mas desmoralizar a ponto de torná-la inútil. Diante dessa ameaça, distorcem as palavras da presidenciável e do seu Plano de Governo a ponto de espalhar o terror entre os eleitores, principalmente os ignaros e os beneficiários de toda a sorte do dinheiro público.

São as premissas da Dilma que prometeu fazer o diabo nas campanhas sem o menor pejo. Quando o projeto de poder dos petistas é ameaçado, até propostas que eram suas no passado se tornam ruins para o povo na boca dos outros candidatos. Trata-se de mais uma malandragem de Lula e do PT sempre que a água chega a sua cintura.
Voltando aos filmes de mesma matriz da propaganda política de Dilma, temos:
O boato: A independência do Banco Central vai impedir avanços sociais.

A verdade: O Banco central independente significa que nenhum partido ou grupo de interesse usará a instituição para se beneficiar.
No primeiro filmete da campanha de Dilma, a proposta de conceder autonomia ao Banco Central iria dar poder desmedido aos banqueiros, enquanto a tela mostrava uma família vendo a comida desaparecer de seus pratos. E o pior é que a autonomia operacional do BC já foi bandeira de Lula e Dilma. No segundo dizia que a candidata iria tirar dinheiro da educação. No vídeo, novamente, crianças viam sumir as letras das páginas de seus livros.

A contradição: Em 2010, Dilma defendia a autonomia do BC; hoje essa autonomia fará faltar alimento na mesa do povo. Em 2010 Dilma disse o contrário, ao contestar o então adversário eleitoral, José Serra, notório crítico da tese da autonomia. Serra manifestou-se contrário à autonomia do BC com uma frase de efeito: “O BC não é a Santa Sé”. Ao rebatê-lo, Dilma disse que a autonomia era imprescindível e exemplificou com a gestão do BC no governo Lula, a cargo de Henrique Meirelles, quando a instituição teve plena autonomia, ainda que informal. “É importantíssima a autonomia operacional que o Banco Central teve no governo do presidente Lula”, disse a então candidata à presidência da República, no dia 10 de maio de 2010, defendendo o que não fez no cargo nem informalmente. É de se perguntar qual a opinião da candidata que prevalece – a de ontem ou a de hoje? Depois dizem que Marina é que é indecisa!
A própria Dilma já dissera que o Banco Central deve atuar sob o regime de “autonomia operacional” (não teria outra senão esta). Eleito em meio a dúvidas sobre a política econômica que adotaria em seu governo, o antecessor de Dilma surpreendeu o mercado ao convidar o banqueiro Henrique Meirelles, ex-presidente mundial do Bank Boston, para comandar o Banco Central. Para aceitar o convite, Meirelles exigiu ampla autonomia. Algo que Lula lhe prometeu. E cumpriu.

É contra esse pano de fundo que o debate sobre a independência do Banco Central volta às manchetes na atual campanha. Pode-se concordar ou discordar da proposta. Mas quem quiser frequentar a discussão sem perder a racionalidade deve buscar argumentos longe do balé de elefantes encenado no palco eleitoral.

Isso tudo veio depois que Lula, chamado ao QG de Santana, deu a ordem para atirar sem dó em Marina. Trata-se de uma avaliação que leva em conta resultados como parâmetro. Se na régua de Lula forem colocados quesitos relativos a limites éticos, ele ocupa o pódio na categoria dos políticos ardilosos, cujos objetivos não conhecem regras nem observam valores. Se pauta pelo dístico segundo o qual “os fins justificam os meios”. Atua à margem, atropela e em geral chega à frente. Transposto para o ambiente eleitoral, o conceito de “fim” é a vitória, não importa quais sejam os métodos. Vale tudo. A mentira, a manipulação, a destruição de reputações à qual agora se chama pelo sofisma de “desconstrução de imagem”.
Nesse quesito o PT não tem limite. Já mostrou isso em diversas ocasiões. Na maioria, senão da totalidade delas, foi bem-sucedido do ponto de vista que interessa ao partido: o resultado imediato. Mas chega uma hora que as pessoas cansam de tanta insolência, menosprezo a regras e valores.

Decorre também daí – da economia e dos fracassos do governo – o cenário de dificuldade eleitoral para os petistas. Na economia e na administração promete “mudar mais”. Já no terreno da derrubada dos obstáculos ao alcance do objetivo principal aplica os métodos de sempre. Desta vez com um grau de desfaçatez e falta de compromisso com a verossimilhança que dá a medida do medo que assola a tropa de vir a ser desalojada do Aparelho de Estado. Todos, dos cargos de confiança, das empresas e bancos estatais, dos fundos de pensão (Petrus, Postalis etc.), dos tentáculos do longa manus (ONGs de fachada, sindicatos pelegos, intelectuais beneficiados e jornalistas de aluguel), algo em torno de 60 mil pessoas, em todos os escaninhos do Estado, aparelhado por mais de 30 mil militantes, estão vocalizando as calúnias produzidas por João Santana, a mando de Lula. Enfim, o Estado aparelhado quer que a Dilma ganhe para permanecerem nas “boquinhas”, pois tudo o que construíram com sua militância foi um “patrimonialismo de Estado”. Nunca antes um partido tomou o poder no Brasil e montou um esquema secreto de “desapropriação” do Estado, para fundar um “outro Estado”.

A alternância de poder não lhes parece algo palatável. Só isso explica o nível da ofensiva contra a candidata do PSB, Marina Silva. O ex-presidente Lula, o capitão do contra-ataque, divulgara que respeita Marina e por isso não bateria nela. Ardiloso, assistia em silêncio à pancadaria para a remoção do obstáculo. Depois, vendo que não estava surtindo efeito, saiu do bunker para bater, mas bater sem pena! As oscilações negativas de Marina nas pesquisas foram justamente por conta desses ataques frontais que o PT têm feito, a seu mando.
Quando um candidato se levanta para difamar, caluniar, mentir e apontar defeitos, sem apresentar nenhuma proposta de trabalho (até agora a candidata-presidente não apresentou seu Projeto de Governo, e nem vai apresentar), isto é, com certeza, resultado do medo, da incapacidade, da incompetência e da perspectiva de derrota iminente e eminente. Distorcer falas, propor conclusões que retiram comida de prato de família ou ameaças de retirada de valores para a educação baseadas em ilações, é, por outro efeito, um prato cheio e um livro recheado de oportunidades para refletir também sobre a qualidade do eleitorado brasileiro em contraponto à cobrança que faz da qualidade dos candidatos. Uma coisa é certa: O eleitor espelha o Governo que tem: se de dissimulações, o mesmo assim o será; se de corrupção, i