Nimbos ameaçadores continuam a concentrar-se no firmamento da campanha eleitoral petista


O novo comercial da série petista que tenta desmoralizar a imagem pública de Marina Silva acusa a candidata a presidente pelo PSB de querer “acabar com o minha Casa Minha Vida”. Como nos dois comerciais anteriores de Dilma Rousseff na sua “campanha do medo” (um sobre autonomia do Banco Central e outro a respeito da exploração do pré-sal), o filme veiculado nesta semana tem 30 segundos e uma lógica simples. Primeiro, uma assertiva: “Marina tem dito que, se eleita, vai reduzir os subsídios dados pelos bancos públicos. Parece algo distante da vida da gente, né? Parece, mas não é…”. Em seguida, vem uma “explicação” em tom grave, com música incidental ajudando a criar um clima de medo e insegurança. No caso, pequenos produtores de morango trabalhando em um galpão começam a ver os produtos sumirem. Em outro momento, os potes de geleia ficam vazios. O cenário é de desolação. Além dos pequenos produtores afetados, diz o comercial, a política de Marina seria “um grande risco para programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida e o Prouni…”. E a conclusão, na voz do locutor: “…É isso que você quer para o futuro do Brasil”? Assim, pois, Marina, é pintada por Lula e Dilma como uma “exterminadora do futuro”.

Usam um eufemismo dizendo que estão trabalhando para “dessacralizar” a principal adversária. Só que esses ataques dilmo-petistas podem não funcionar, porque estão concentrados sobre aspectos que não estão no imaginário popular a respeito da candidata do PSB. Poucos eleitores vão relacionar Marina com Banco Central (aliás, a imensa maioria nem sabe o que é o Bacen), com pré-sal ou com “subsídios dados pelos bancos públicos”. Dessa forma, a propaganda de João Santana pode até causar um ruído, mas não um deslocamento de placas tectônicas no eleitorado. Quantos dos 142 milhões de eleitores brasileiros sabem definir o que são “subsídios dados pelos bancos públicos” (frase do último ataque)?

O boato: Marina acabará com o Minha Casa Minha Vida.

A verdade: Marina vai manter e ampliar o programa Minha Casa Minha Vida. Ela reconhece que, apesar de não ter resolvido o déficit de moradias, o programa promoveu um avanço habitacional no país. Mas é preciso avançar ainda mais.

Ele foi planejado para ser a mais vistosa vitrine eleitoral da gestão Dilma Rousseff. Lançado em 2009, o programa “Minha Casa Minha Vida” consumiu 134,5 bilhões de reais para fazer 2,1 milhões de casas populares. Programa subsidiado, prevê que o governo arque com uma parte das prestações e o beneficiado banque o restante. O valor das parcelas é calculado com base na renda de cada família. No papel, tudo certo. Na realidade, tudo mais ou menos. Dados revelam que o índice de inadimplência na faixa de financiamento que inclui participantes com renda mensal mais baixa, até R$ 1.600,00, está em 20%. É um número dez vezes maior que a média dos financiamentos imobiliários no Brasil.

Essa arquitetura financeira obriga o setor produtivo a bancar a conta para manter o programa em pé. Uma de suas colunas é a multa adicional de 10% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) paga pelas empresas nas demissões sem justa causa. O dinheiro é usado para financiar o “Minha Casa Minha Vida”, ou seja, o governo “compra” o eleitor à vista e obriga a sociedade a pagar por ele a prazo.

O valor dos financiamentos do “Minha Casa Minha Vida” com atraso superior a noventa dias já beira os 2 bilhões de reais na faixa mais baixa de renda, o equivalente a tudo que o governo repassou para as universidades federais no ano passado. E os beneficiários inadimplentes do programa não correm o risco de perder o imóvel, porque a reintegração de posse não está entre as medidas do governo para evitar os calotes. Então, é preciso corrigir e reajustar alguns detalhes deste programa, para que medidas destoantes como estas sejam evitas ou dirimidas.

Após uma série de alfinetas públicas, o que se depura destes programas produzidos pelo ódio e pelo medo do PT é o seguinte: Dilma (com seu estilo autoritário e seu discurso de relatório), capitaneada por Lula (aliás, nesse processo histórico, Dilma não chega a ser muita coisa; é uma reticência, uma espécie de ressaca do período Lula) e manipulada por João Santana (o marqueteiro das peças publicitárias do PT) está manifestando nesta campanha algo que se pensava já estar ultrapassado em um pleito eleitoral: campanhas eleitorais com ataques pessoais aos candidatos, sem propostas e sem programas.
O desespero é tão gritante que o líder do MST prometeu fazer protestos diários caso Marina venha a vencer as eleições. O que Lula e este senhor estão fazendo é ameaçar o país, prometendo botar a tropa na rua, numa suposta gestão de Marina Silva. Lula está ameaçando o Brasil com uma “Marcha Sobre Roma” se o seu partido for apeado do poder, se o eleitor insistir em fazer o que ele não quer. Para os petistas, uma eleição presidencial é aquele processo que só admite um resultado: a vitória, no melhor estilo fascista. Lula está pensando que o Brasil de 2014 é a Itália de 1922 e que ele é Benito Mussolini. Sem mais.