Estaduais: em prol do “voto minhoca” e a favor da “chapa puro-sangue”, mas com sinalizações


A “corrida eleitoral” está, mais do que nunca, na internet, nas ruas, nos bairros, no centro da cidade, nos pontos comerciais, no

Luís Fernandes é jornalista e historiador
Luís Fernandes é jornalista e historiador

bate papo de grupinhos de ‘comentaristas políticos’, na TV e demais meios de comunicação, enfim, em tudo quanto é lugar.
Na Bahia há uma gama de candidatos que disputam, com unhas e dentes, uma cadeira na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa. Trata-se de uma disputa muito acirrada, que leva em conta não somente a popularidade do candidato, mas há também a dor de cabeça dos cálculos das vagas dos partidos, ou seja, a eleição, tanto para deputados estaduais como federais, depende de uma matemática muito complicada que leva em conta os votos que o candidato teve, de que partido ele está vinculado e com quem o seu partido coligou, além do número de vagas numa das casas legislativas. Tudo por conta do famoso “quociente eleitoral”, que determina quantos votos são necessários para que cada partido ou coligação eleja um deputado.
Alguns destes candidatos têm seu reduto eleitoral em Vitória da Conquista e região. Apresentam raízes regionais e, pela lógica mais simplista, seriam, de imediato (suponha-se, é claro), os principais representantes da região; “deveriam” ter a preferência do eleitorado regional, até porque entraria em questão a aproximação do eleitor para com o eleito e, consequentemente, fazendo uma explanação dos problemas, o eleito teria melhores condições de encontrar uma solução já que teria vínculos diretos com determinadas municipalidades e conheceria de perto seus reais e mais sérios problemas e necessidades. Mas nem sempre foi, é e será assim. Uma pena!

Só que esses candidatos regionais enfrentam a popularidade e, em muitos casos, as representatividades de candidatos de outras regiões do Estado e que, muitos deles, ao longo dos últimos anos, foram ocupando cargos em pastas de setores do Governo e criando fortes vínculos representativos nas diversas regiões do Estado; outros, já com cargos eletivos, foram apresentando projetos, conseguindo emendas (como é o caso de Alice Portugal, PC do B) e trazendo melhorais para os municípios da região, e que tem grande alcance de audiência no interior. Importante ressaltar que todos os candidatos apresentam suas cidades, porém, alguns residem por muitos anos em outros municípios. Mas todos querem mesmo é conquistar o voto do eleitor, seja onde for.

Dos candidatos a Deputado Estadual este artigo delineará certos aspectos daqueles que tem domicílio em Vitória da Conquista (enquanto políticos e não de suas personalidades), alguns rotulados como Doutor, Doutora, Professor, Professora e por aí vai, a começar por Cláudio Ortiz, candidato pelo PTC (Partido Trabalhista Cristão), na Coligação “Juntos Somos Forte”. Acredito que o nobre candidato busca, nestas eleições, espaço na política local, quem sabe visando uma vereança em 2016. Apoia, juntamente com o vereador Hermínio Oliveira, o candidato a Deputado Federal Arthur Maia, que há muito tempo garimpa votos em Vitória da Conquista. O parlamentar trocou o PMDB e agora engrossa as fileiras do recém-criado “Solidariedade” de Hermínio e, para conquistar o eleitorado conquistense, fez dobradinha com Cláudio Ortiz. Ambos contam ainda com o apoio de lideranças que fazem parte do grupo independente que envolve os partidos PHS, PTC, PT do B, PRP, PEN e PSDC. Pergunta-se: O que Arthur Maia já fez por Vitória da Conquista? Só que Hermínio apoia para Deputado Estadual o candidato à reeleição, Jean Fabrício Falcão (PCdoB).

Claudionor Dutra é candidato pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Apesar de posar ao lado de Paulo Souto, ACM Neto e até mesmo do presidenciável Aécio Neves, Dutra não tem ainda capital político para conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia, pois nestas eleições, disputadíssimas, vai lograr êxito quem tiver capital eleitoral muito alto, o que não é o caso de Claudionor, também conhecido como Ticolô. Selou seu apoio ao ex-prefeito da cidade de Mata de São João e candidato a Deputado Federal João Gualberto, da Coligação “Unidos por uma Bahia Melhor” (DEM / PMDB / PSDB / PTN / SD / PROS / PRB / PSC), e marcha com ele até 5 de Outubro.

Doutor José Carlos Ladeia é candidato pelo PTC (Partido Trabalhista Cristão). Trata-se de mais um candidato do grupo independente e conta com o apoio, na região, do candidato a Deputado Federal Paulo Magalhães. Outro que marcha com Paulo Souto, mas também sem capital eleitoral. Creio que estas eleições representam, para o nobre médico, o “take off” (decolagem ou arranco) de sua carreira política.

Clovis Ferraz é candidato pelo PSD (Partido Social Democrático). Apesar de ser natural de Tremedal, há um bom tempo tem domicílio eleitoral em Vitória da Conquista. Há um bom tempo também vem perdendo espaço na política estadual e até regional. Era protagonista na época que Paulo Souto, seu antigo professor, foi Governador do Estado; depois que o PT assumiu em 2006, acompanhou Otto Alencar, como chefe de gabinete, mas perdeu as eleições de 2006 e 2010 para Deputado Estadual. Certamente será mais um coadjuvante.

Jose Carlos Oliveira é candidato pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro). Zé Carlos, como é conhecido, por ter participado o tempo todo (e até recentemente) com cargo de confiança do governo petista de Jacques Wagner, ficou sem discurso. Também não tem grandes chances e já deve está com a cabeça em 2016 ou, no mínimo, somando capital político para o futuro. Tem um ponto positivo: faz dobradinha com Nadjara Régis, candidata a Deputada Federal, ambos do PSB e com domicílio em Vitória da Conquista. Os dois contam com o apoio dos vereadores do PSB Adinilson Pereira e Gilzete Moreira. Chapa e apoio puro-sangue. Muito bem!
Jean Fabricio Falcão é candidato à reeleição pelo PC do B (Partido Comunista do Brasil). Fabrício, como é conhecido, é bom de números, mas os números aumentam em tudo, o que os tornam proporcionais à arrecadação, por isso deve deixá-los um pouco de lado e não ficar só discursando em torno deles. Um bom prefeiturável para 2016. Articulador, conta com o apoio do “bloco independente” da Câmara de Vereadores de Conquista, composto pelos seguintes edis: Andresson Ribeiro, Nelson de Vivi, Hermínio Oliveira, Pastor Sidney e Joaquim Libarino. O nobre Deputado busca, cada vez mais, espaço político, mas deve se desvincular de algumas figuras que estão no seu partido, ao seu lado, que não soma, só subtrai, perdendo grandes apoios. Tem ideias boas, amplas e arejadas, mas tem que se distanciar um pouco dos dados (Lula os usava para mentir e a sociedade hoje fica receosa quando alguém começa a falar demais sobre números). Fabrício tem uma vantagem: tem ampliado sua base política no Estado. No entanto, se quiser ser prefeito de Vitória da Conquista, terá que ficar mais tempo em sua célula-mater. Faz dobradinha com a Deputada Federal Alice Portugal, que também é do PC do B.

Hérzem Gusmão é candidato pelo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro). Tem boa oratória, regular retórica e poder de convencimento. Muitas vezes fala demais, outras vezes fala o que precisa ser dito. Tem um grande defeito, que muitos candidatos repetem: autoestima acima do normal, quando, por exemplo, diz: “Nós estamos dando um norte…” Continua rançoso (no sentido de magoado azedado, ácido e ressentido) com relação à eleição perdida em 2012. Está certo quando diz que um deputado deve defender sua cidade, seu estado, sua região, ainda que em sintonia com o governante. Às vezes é mais emoção (empolgação) do que razão, mas nunca deixa de defender sua opinião, ainda que não seja a mais acertada ou aceita. Critica políticos que estão terminando mandatos com liminar debaixo do braço. No entanto, está seguindo o mesmo caminho ao insistir na sua candidatura. Julga-se injustiçado e até perseguido. Tem razão quando diz que os vereadores de Conquista são vereadores do prefeito e não da população, bem como quando diz que quer quebrar o silêncio que incomoda (o silêncio dos nossos representantes petistas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa). Perdeu o apoio de três vereadores: Lúcia Rocha, Álvaro Pithon e, mais recentemente, Arlindo Rebouças. Lúcia e Arlindo vão apoiar Luciano Ribeiro (de Caculé) e Álvaro vai de Fabrício para Estadual e Paulo Azi para Federal. Ficou só com Edijaime Rosa, mais conhecido como Bibia. Gusmão segue também com outro candidato de fora: Lúcio Vieira Lima, para Deputado Federal. No entanto, tem um fator que compensa: Ambos são do PMDB.

Coriolano Moraes Neto é candidato pelo PT (Partido dos Trabalhadores). O Professor Cori (como é conhecido) é um nome novo, inteligente, bem articulado, com um currículo aprovado (até o momento) e que não se expõe muito panfletariamente. Mesmo assim, é preciso parar de ficar falando: “Em Conquista só não estuda quem não quer”. No mundo moderno quem quer vender seu peixe deve evitar utilizar a palavra negativa, tipo o vendedor que aborda um potencial consumidor e pergunta: “Você não quer compra isto não”? Qual será a reação imediata da pessoa? É dizer espontaneamente “não”. E parece que o candidato gosta de utilizar esta palavra, quando afirma: “Nosso prefeito não desviou, até hoje, um centavo sequer nesse tempo todo de gestão municipal”. Isto não deve ser motivo de discurso; isto é uma obrigação de qualquer gestor. Deixa que os outros falem e até repliquem este feito! Ele precisa também se desvencilhar da pecha de que é “o Rui Costa de Conquista” (criada por seu próprio correligionário), de que sua candidatura é palaciana, bem como parar de falar que “não é candidato de si mesmo”. Todo mundo na política é candidato de si mesmo (sejamos sinceros!).

Um candidato a mandato eletivo, como se sabe, é sempre um pretensioso que faz merchandising do próprio umbigo. Diz coisas definitivas sem definir as coisas, para que o eleitor possa distinguir o lamentável do impensável, optando pelo menos pior. Mas tem um patrimônio político bem construído: Fez um bom trabalho na Secretaria Municipal de Educação. Contudo, como vereador, ainda não brilhou (pelo potencial que tem). Está no rumo certo: Faz política com civilidade e trabalho. Só que precisa esquecer a cidade de Vitória da Conquista pré-96. Quem fala, em termos administrativos, do passado, é quem não tem nada a apresentar no presente e muito menos o que projetar para o futuro. Conta com muitos apoios na Câmara Municipal, como o da vereadora Irma Lemos e dos vereadores Ricardo Babão (que divide este apoio com Clóvis Ferraz) e Ademir Abreu. Também apoia outro candidato que não tem domicílio eleitoral em Conquista: Jorge Solla. Porém, tem um elemento compensador: Solla é do seu partido, o PT.

José Raimundo Fontes, ou simplesmente Zé Raimundo, é candidato pelo PT (Partido dos Trabalhadores). Dotado de boa oratória, muito inteligente, porém, não consegue administrar seu passado de luta com o fato de ser deputado da bancada do governo, chegando ao cúmulo de dizer, numa rádio de Brumado, a seguinte frase: “Eu sou deputado do Governo”. Ele é, na verdade (ou pelo menos deveria ser) deputado do povo ou, no mínimo, daqueles que o elegeu para representá-lo. Mas insiste em dizer que está sempre em defesa da sustentação do governo, mesmo que para isto tenha que tomar medidas que vão contra os interesses dos trabalhadores, classe na qual ele fora forjado. Também não consegue administrar suas diferenças com uma grande parte dentro do seu próprio partido, mantendo uma briga interna e direta com o prefeito Guilherme Menezes. Um fator positivo: fecha dobradinha com o correligionário Waldenor Alves Pereira Filho, com domicílio eleitoral em Conquista, numa parceria puro-sangue. Outro ponto positivo. Agora, é preciso desmistificar o estigma que lhe fora imposto de deputado ausente, junto com seu parceiro Waldenor na esfera federal, em termos de obras e serviços para Vitória da Conquista que ficaram amarradas nas promessas e se arrastando nas conversas por anos, como aeroporto, curso de medicina, cartórios, barragens etc. etc. etc., sendo, inclusive, tachados de “Cosme e Damião” (duas estatuetas que ficam ali juntinhas e estagnadas), e coloca a culpa sempre na burocracia (como se pudesse viver sem ela!). Conta com o apoio dos vereadores Fernando Vasconcellos (o “Fernando Jacaré”) e Florisvaldo Bittencourt.

Ainda tem os candidatos “de fora” que vem pescar votos em Conquista, como Marcelino Gallo, candidato pelo PT (Partido dos Trabalhadores) e Jurandy Oliveira (PRP). Gallo teve apoio do prefeito Guilherme Menezes em 2010 e, agora, conta com a colaboração do vereador petista Florisvaldo Bittencourt, que apoia ainda Emiliano José para Federal. Os dois petistas tiram votos dos candidatos de Vitória da Conquista e região e nunca vi nada de concreto feito por eles nesta cidade. Os Deputados e candidatos à reeleição Jurandy Oliveira (PRP) e João Carlos Bacelar (PR), respectivamente, Estadual e Federal, contam com o apoio do vereador republicano Luciano Gomes. Também não vi qualquer realização destes dois em nossa cidade. Por isso é que defendo o “voto minhoca” (ou seja, em candidatos “da terra”), ainda que não tenha nascido em Conquista mas que tem, pelo menos, domicílio eleitoral nesta cidade, pois os outros só vem aqui de quatro em quatro anos, buscam seus votos e somem!