EXCLUSIVO: Nadjara pode ser opção tucana em Conquista


O Tucano pode avermelhar
O Tucano pode avermelhar

Caiu como uma bomba nos meios políticos conquistenses a visita da ex-candidata a deputada federal pelo PSB na eleição de 2014, advogada Nadjara Régis, ao gabinete do deputado Hérzem Gusmão. Na verdade a visita foi ocasional. Nadjara estava na Assembleia Legislativa quando foi procurada por um assessor do deputado Gusmão que solicitou que ela se dirigisse ao gabinete do deputado para uma visita de cortesia.

O conteúdo da conversa ali travada não sabemos, outrossim, sabemos que a ex-procuradora do município no governo petista foi sondada pela alta cúpula tucana para que disputasse as eleições de 2016 como protagonista na chapa majoritária. Sondagem semelhante teria sido feita ao ex-vereador Alexandre Pereira. Como se trata de sondagens da oposição, e a oposição em Conquista, apesar de muitas siglas, no fundo é um partido só, o deputado Hérzem Gusmão teve conhecimento dessas “bicadas tucanas” e como tem a maior densidade eleitoral entre as lideranças de oposição, sonhou numa composição de chapa com Nadjara.

Não podemos negar que foi uma atitude de muita inteligência, já que, com todo respeito aos integrantes da chapa de oposição em Conquista desde 2008, o resultado final de uma chapa com a militante política que é Nadjara, preparada e antenada com a visão de mundo e de prestígio político em todas as camadas sociais da cidade, fortaleceria a chapa peemedebista.
A busca por espaço político é natural e a convergência de políticos não é inédita, nem no Brasil, nem na Bahia e muito menos em Conquista. Quem não se lembra da convergência entre Sarney e Ulysses Guimarães em 84, da convergência de ACM e Josaphat Marinho em 86?
Em Conquista, por exemplo, em 1962 o comunista sangue puro Jesus Gomes dos Santos convergiu com Gérson Sales e disputou a eleição contra seu ex- companheiro de ideias e de militância, José Pedral. Mais adiante, assistimos a convergência entre Sebastião Castro e Margarida Oliveira, adversários na disputa pela Prefeitura de Conquista em 82, na época os dois tiveram praticamente a mesma quantidade de votos, mais adiante ainda, a convergência entre Pedral e Margarida, adversários na disputa pela Prefeitura em 82 diretamente e indiretamente em 88. Nada disso impediu que os dois disputassem juntos, Pedral como prefeito e Margarida como vice, as eleições de 92.
Enfim, quando ACM, sentiu que nos seus quadros não havia ninguém que pudesse competir em igualdade com Waldir Pires, buscou na oposição seu adversário Josaphat Marinho e aliado de Waldir Pires; Gérson Sales, em 62, ao perceber que em seus quadros ninguém venceria Pedral, buscou nas hostes pedralistas “JESUS”. Pedral, sentindo as dificuldades que a eleição de 92 lhe traria, pelos reflexos da administração Murilo Mármore, marcada pela quebra do Brasil em 90, buscou na oposição os votos de Margarida Oliveira e isto é tão verdade, haja vista a espetacular votação alcançada por Guilherme Menezes na época, frisamos que na época a eleição se decidia num só turno.
Agora o PSDB sabe que não possui quadros com condições de disputar a Prefeitura de forma competitiva, busca a jovem advogada, tão bem votada nas eleições de 2014 e que rompera com seu antigo grupo político. (A história nos ensina sobre a famigerada alternância de poder, porém, é bom lembrar que a história também nos ensina que poder não é cedido, é tomado. E que castelo não se invade, se não tiver ninguém de dentro pra abrir a porta).
Nadjara tem alguns atributos que a oposição não tem: ela conhece o adversário, portanto, sabe que não pode menosprezá-lo, conhece os problemas da cidade, os projetos do adversário, sabe das possíveis soluções e sabe também dos projetos que não poderão ser executados, evitando que se fale nos projetos inexequíveis, elencados pela oposição na campanha passada; sabe, por exemplo, o que é factível para o orçamento, evitando as promessas de devaneios dos “militontos”. Além de, com sua cultura, qualificar o debate político.
Ademais, a oposição sabe que seu principal nome em densidade eleitoral não consegue uni-la de forma geral e irrestrita, além da possibilidade real da derrota no Tribunal Superior Eleitoral.

Do outro lado, sabe-se que os principais partidos da aliança vitoriosa da última eleição, estão dispersos com as candidaturas postas o PC do B, dessa vez, lança o candidato Fabrício Falcão, nome já consagrado em duas eleições para a Câmara de Vereadores e outras duas para a Assembleia Legislativa, portanto um nome forte; Pelo PSB deve ser candidato o ex-vereador Alexandre Pereira, figura de excelente reputação e prestígio político na cidade.
De modo, que mesmo com o quadro mais forte dessa disputa eleitoral, o deputado José Raimundo Fontes, que está na frente eleitoralmente em todas pesquisas até aqui realizadas, sabe-se que o segundo turno é inevitável e mais ainda, que o próximo governo, se for do PT, será numa coalizão mais ampla, onde os partidos aliados, participarão tanto administrativamente do governo, como politicamente, como hoje ocorre com governo Dilma Roussef.
Paulo Nunes