Quem vai reeditar o AI-5

Há 51 anos, no dia 13 de dezembro de 1968, o Brasil fervia com os movimentos políticos encabeçados pelos estudantes (a UNE), em conjunto com lideranças da reforma agrária, professores, uma ala mais progressista da Igreja Católica e operários, contra o regime ditatorial militar implantado com o golpe de 1964. O clima era tenso nos … Leia Mais


O desmantelamento chamado Brasil

Há seis meses de governo e só temos factoides e decretos de desmantelamento da educação, das leis do meio ambiente, do estatuto do desarmamento, das políticas públicas voltadas para o social, do combate da corrupção com o enfraquecimento da Força Tarefa da Laja Jato e agora da legislação nacional do trânsito, fazendo com que mais … Leia Mais


As curiosidades do mundo grego- Filosofias e sabedorias ( parte final)

  ARISTÓTELES – Além de ficar de luto, Aristóteles elevou um altar em honra ao seu mestre Platão. Foi seu aluno durante vinte anos. Sua preferência era a matemática. Escreveu prosa embaralhada e complicada, cheia de divagações literárias e iluminações poéticas – assim descreve Indro Montanelli, autor de “História dos Gregos”. Sobre Platão, é difícil … Leia Mais


Os três ” capetas” das maldades

Existem no Brasil três meninos “capetas” mimados, do tipo dos mais traquinos que passam todo tempo infernizando nossas vidas. Eles cresceram brigando entre si como irmãos, primeiro pela disputa de seus brinquedos e, depois como adultos, por bens materiais, muito dinheiro e poder. Hoje estão velhos caducos, retrógrados e ultrapassados, mas com a mesma mentalidade … Leia Mais


As curiosidades do mundo grego, com suas filosofias e sabedoria (Parte II)

Como diz o próprio título, registramos as principais curiosidades do mundo grego, extraídas do livro do autor Indro Montanelli, em prosseguimento ao comentário passado. Aproveite a leitura. TALES – Os fundadores de Mileto eram guerreiros da guerra de Tróia que se perderam no naufrágio, inclusive o Ulisses. Como fugitivos usaram o método de matar todos … Leia Mais


Que tal tombar as “muriçocas de Juazeiro” como patrimônio imaterial


Jeremias Macário

Que beleza curtir Juazeiro da Bahia com seus 140 anos debruçado ao lado do “Velho Chico”, com Petrolina de Pernambuco na outra margem, e ainda ter o pôr-do-sol no fim de tarde por detrás da ponte que liga as duas cidades! Que saudades do antigo bar “Vaporzinho” no cais que dava vida às noites etílicas e divertia tanta gente alegre tragando amor! Lá se foram os “vaporzinhos”, mas ainda tem os barquinhos cruzando o rio São Francisco na sua labuta diária de transportar os passageiros de lá pra cá.
Pena que encostaram o “Vaporzinho” num canto como um condenado criminoso qualquer, ou um ser contagioso! Mas, tudo isso me faz lembrar os velhos tempos de muitas farras com os amigos Renato, Bubú, Jorge sem carteira, “Toinho” que já se foi, Gilson que também partiu, Titio, Nivaldo com suas palhaçadas, amigas e namoradas Grécia, Rutinha, Regina, Tereza e tantos outros em bares e botequins. Quantas batucadas e presepadas de discussões acirradas, seguidas de reconciliações para outros esquemas e badalações! Tudo começava no bar de dona “Ritinha” até quando ela não se danava e botava toda aquela “molequeira” pra fora.
Naqueles invernos e verões quentes de quarenta anos atrás, as muriçocas de Juazeiro já estavam de olho em nós, mas, na falta de coragem e destemor, o álcool que nos jogava no sono profundo dos braços de Orfeu era uma arma poderosa e infalível para encará-las, se é que se pode falar assim. No outro dia o estrago já estava feito pelo corpo, mas ninguém se importava e nem xingava as danadas que faziam e ainda fazem suas moradias nos esgotos a céu aberto.
Para os desavisados visitantes que inocentes não sabiam e nem sabem como enfrentar os bandos que em tropas tramam seus ataques para se alimentar de sangue dos humanos, aquilo era e ainda é tormento e desespero. Um coitado viajante contou-me, certa vez, que na sua primeira noite numa pensão acordou debaixo da cama com o rosto todo inchado. As vampiras em trabalho de equipe derrubaram o homem e chuparam todo seu sangue. Não teve mais ânimo e saiu fugido da cidade como se corria de um fogo cruzado dos cangaceiros de Lampião. O estranho ficou irreconhecível.
É mesmo verdade as histórias das centenárias muriçocas de Juazeiro, que o diga meu caro primo Washington Macário de Oliveira, técnico, fiscal e inspetor de meio ambiente do Inema, que ainda continua no encalço incessante dos prisioneiros de pássaros no sertão Bahia, com seus disfarces de detetives que deixam a turma da CIA de queixos caídos.
Apresar de todo seu cuidado e proteção em favor dos animais, sem falar aqui do seu mal-estar de tanto ver o “Velho Chico” no seu leito de morte, um dia vi o primo irado em sua casa com uma raquete matando as pobres muriçocas indefesas, pulando de um lado e do outro, suado de tanto exercitar. O esforço não impedia que elas atacassem em bandos de nuvens sem fim. A briga era feia, mas nada adiantava a matança.
Fiquei horrorizado com aquela cena. Se não me engano foi no mesmo dia e noite que me convidou, no Bairro Castelo Branco, para tomar uma gelada no bar do seu amigo. Pelas tantas da noite, lá foi eu para mais uma de suas armadilhas, e nem me lembrei das “bichinhas” irritantes que zunem no seu ouvido lhe deixando com os nervos em frangalhos. Não sabia que elas adoram forasteiros, e os nativos ficam tranquilos quando eles aparecem em seus territórios. Só assim conseguem umas tréguas temporárias e ainda gozam de nós chegantes. (mais…)


os pontos mais feios de Vitória da Conquista deixam má impressão da nossa cidade


Jeremias Macário

Tem gente que tem raiva da mídia e de seus jornalistas quando estampam matérias mostrando a realidade de abandono, falta de manutenção, sujeira e destruição de logradouros, ruas, avenidas, praças e equipamentos importantes da cidade. Os políticos no poder, mesmo aqueles que se dizem democráticos, ficam irados e até ameaçam a vida de chefes e redatores da imprensa, revivendo os tempos dos coronéis.
Digo isso porque senti na pele, tempos atrás, a reação e o ódio daqueles que sempre acharam que você é contra a cidade e nela não merece viver quando faz reportagens críticas mostrando pontos negativos. Não aceitam o papel da imprensa e ai só querem condenar os responsáveis, se bem que não concordo com oposição ao poder constituído meramente por questões pessoais.
As quatro marmotas
Sem mais nariz de cera, me arrisco, mais uma vez, visto que já estou acostumado a apanhar, a ressaltar aqui os pontos atuais mais críticos e feios de Vitória da Conquista que devem ser evitados pelos moradores e não se recomenda que sejam mostrados a visitantes. Pena que seja nesta Conquista, capital do sudoeste, que já foi conhecida como a cidade das flores, da cultura e decantada como a suíça do sertão baiano pelo seu clima no inverno.

CEASA da Jruracy Magalhães

O Atacadão da Ceasa, da Avenida Juracy Magalhães, a Feira da Ceasa, no centro, o Terminal de Ônibus da Lauro de Freitas, apelidado como “Cabeça de Porco” e a Lagoa das Bateias são quatro marmotas da cidade, se bem que existem outros locais que precisam ser cuidados com urgência para não desfigurar mais ainda nossa polis, como a Praça Barão do Rio Branco e adjacências, ultimamente poluída por carros, propagandas de todo tipo e invadida por camelôs e vendedores de frutas.

Terminal de ônibus da Lauro de Freitas

Temos ainda o aeroporto que é uma vergonha para quem chega e sai, sem contar o caótico trânsito que necessita de um grande projeto de mobilidade urbana. A área cultural em todas suas linguagens artísticas pede socorro e carece de ser reativada. Conquista é uma das cidades que mais cresce no Norte e Nordeste e merece ser tratada como média a grande porte, não como uma pequena. Temos ainda a questão da água que não foi resolvida, enquanto não for construída a barragem do Catolé. Saímos do racionamento graças às chuvas de São Pedro, mas a cidade não pode ficar dependente da providência divina.
Vamos começar falando da Ceasa Atacado, da Juracy Magalhães, que já deveria ter sido interditada pela Vigilância Sanitária e pelo Ministério Público se vivêssemos num país sério que respeitasse e colocasse em primeiro lugar a higiene e a saúde de seus cidadãos.
Se já não esteve lá, não aconselho que vá, nem leve ninguém, principalmente de fora para visitá-lo. É um dos pontos feios da cidade onde impera a sujeira por todo lugar com verduras e frutas expostas ao chão, boxes inacabados e outros em estado lamentável, espaços apertados sem iluminação e ventilação e banheiros precários.
Há muitos anos, comerciantes e o poder municipal discutem maneiras de reformar e ampliar o Centro de Abastecimento, mas nunca se chega a um acordo sobre as responsabilidades de renovação de suas instalações. O local não oferece condições de funcionamento e pode ocorre um acidente tipo daquelas tragédias anunciadas que sempre acontecem em nosso país.
A Feira da Ceasa é outro local carente de requalificação e ordenamento do seu comércio para dar melhor comodidade ao feirante e ao consumidor. Os boxes e seus balcões de refrigeração de vendas de carnes e derivados em geral não estão mais dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura quando foram implantados há mais de 15 anos.

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A Conquista dos donos da cultura


A princípio, já sei, antecipadamente, que não serei apenas criticado, mesmo porque discordar faz parte da natureza humana e do debate democrático aberto a todos. Entretanto, muitos irão soltar impropérios e flechas venenosas com conotações depreciativas contra minha pessoa, do tipo rancoroso, imbecil, provocador e frustrado.
Com minha idade avançada, já não me importo mais com as pedradas. Sou cidadão conquistense vivendo aqui há quase 27 anos. Procurei durante este tempo estudar as origens e a história desta terra, bem como, observar a prepotência vaidosa intelectual de muitos que se consideram donos da cultura e que se portam como deuses intocáveis. Existe muita presunção na cabeça de muita gente.
O resultado disso é que tudo que se faz, ou se estar por fazer aqui em torno da cultura, tem que girar ao redor desses sacerdotes ilustres que comandam os rituais litúrgicos. Sem o aval deles, qualquer expressão ou trabalho artístico não consegue se sobressair e alcançar maior divulgação interna e externa. Para abrir passagem e ser prestigiado tem que pedir a benção deles.
Antes de adentrar na questão concernente ao título de cunho opinativo, permitam-me uma pausa para uma observação. No último dia 21 (terça-feira), na Livraria Nobel, quando do lançamento da obra “A Guerra das Coronelas Sá Lourença e Isabelinha no Sertão da Ressaca – Vitória da Conquista”, do autor José Walter Pires, fiquei sem entender o porquê da secretária da Cultura não ter sido convidada a fazer parte da mesa das celebridades. Foi uma gafe, ou foi coisa proposital, premeditada? Afinal de contas, ela estava ali presente prestigiando um evento da sua pasta, representando toda a cultura do município. Eu só queria entender! (mais…)


Um samba chamado Brasil


Numa mistura caricata, estereotipada, folclórica e mitológica entre o passado e o presente, com seus personagens aventureiros, “heróis”, reis, rainhas, princesas, oportunistas e populistas que protagonizam nossa história, o nosso querido Brasil é um fabuloso tema de enredo para o desfile de uma Escola de Samba na Sapucaí do Rio de Janeiro. Com sucesso nacional e internacional garantido de turistas e visitantes de todas as partes, a agremiação pode muito bem ser financiada por bicheiros, cafajestes, cafetões e traficantes.
Todos os segmentos da sociedade e suas instituições com ou sem desvios de condutas e caráter serão representados através do Abre Alas, com carros alegóricos de luxo bem fantasiados, de acordo com as características peculiares de cada um. Não pode ficar de fora o Circo Pindorama com seu velho corcondo Sistema Eleitoral, picadeiros, palhaços, ladrões, corruptos, gangsters, fascistas, cangaceiros, golpistas, jagunços criminosos e, por fim, o povo descamisado, desempregado, faminto, injustiçado e sem esperança.
Como é de praxe toda Escola de Samba ter sua Comissão de Frente, o mitológico brasileiro Monstro de Quatro Cabeças, representando a Mídia, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, fará a abertura do enredo. Cada membro apresentará suas performances espetaculares de mágicas que, através dos tempos, enganam a população em sua fé de acreditar em dias melhores cheios de glórias, num paraíso em que todos são iguais.
Logo após a Comissão de Frente com sambistas, pagodeiros e mulheres esbeltas seminuas de primeira grandeza, acompanham os luxuosos Carros Alegóricos da Mídia com seus monopólios ou oligopólios falados, televisados e escritos, ditando a comunicação da moda, do consumismo, da música lixo, da cultura de massa, das tendências ideológicas e do politicamente correto, como autênticos deformadores da opinião pública.
A maioria engole tudo que ela arrota e tem gente que não liga muito para seu poder de manipulação, não sabendo ser a cabeça mais perigosa de todas. É charmosa, hipnótica, encanta e engana com seus espetáculos sentimentalistas e exagerados. Seu carro mais parece de feiticeiros macumbeiros exus mensageiros das notícias que transformam areia grossa em ouro reluzente. (mais…)


Cai produção de alunos com deficiência no ensino fundamental e universitário


Jeremias Macário

No Brasil, por incompetência e guiados pelos vícios de seguir a lei simplista do menor esforço, os governos tentam resolver os problemas crônicos da sociedade através de decretos e portarias, como acontecem, principalmente, nas áreas da educação e da segurança pública, sem dar o devido suporte estruturante.
É uma forma demagógica encontrada para enganar, agradar e ludibriar os brasileiros, a maioria inculta que engole tudo que vem de cima para baixo, sem antes refletir. Com legislações, códigos e estatutos modernos dão a impressão de que estão combatendo o problema na raiz, mas é tudo uma deslavada mentira.
Caso típico das medidas de inclusão escolar para as crianças e adolescentes com algum tipo de deficiência mental ou física, sem antes criar a devida estrutura nas escolas com profissionais especializados para receber e lidar com os alunos que necessitam de ajuda diferenciada dos outros. Os pais acreditaram e o resultado para a maioria foi frustrante por não ver seus filhos evoluírem como deveriam.
O próprio censo da educação básica de 2016 constatou que a participação de estudantes com deficiência cai a cada ano. “A sensação é de estar em uma ribanceira. Meu filho foi indo e, de repente, jogado ladeira abaixo. E não havia ninguém lá esperando por ele”. É o desabafo da mãe de um garoto com Síndrome Down, quando ela decidiu tirar o filho do 9º ano da escola tradicional.
Apesar dos esforços de inclusão, a verdade é que os estudantes com deficiência têm avançado em menor proporção na escada do sistema educacional. O estudo mostrou que no ensino fundamental, 3% têm alguma deficiência física ou intelectual, caindo para 0,9% no ensino médio. No ensino superior, o índice baixa para 0,5%. A legislação diz, no entanto, que devem ter o direito de concluir todas as etapas.
De acordo com relatos tristes de pais, seus filhos têm sido usados mais como “cobaias” porque os próprios professores confessam que não têm preparo para ensinar essas pessoas que precisam de acompanhamentos especializados. Como em todos os outros setores da vida, os governos brasileiros aprenderam a tocar gente como gado.
Se no fundamental não existe estrutura adequada, no médio a situação ainda é mais complicada. Por falta de formação de docentes, metodologia de ensino e infraestrutura, muitos alunos terminam deixando a escola. Mesmo sem condições estruturais, foi implantado nos início dos anos 2000, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, obrigando as redes educacionais matricular alunos com deficiência em salas regulares.
Para quem sofre de paralisia cerebral, a batalha da adaptação ainda é mais complicada. Muitas mães tentam o colégio regular, mas terminam retornando para um especial depois dos resultados negativos. Não tem gente para segurar nas mãos das crianças ou dar comida na boca. Na maioria dos casos, os professores não sabem ensinar para esse tipo específico de aluno.
Outro problema grave é a deficiente acessibilidade existente nas unidades escolares públicas. Os escassos investimentos do Ministério da Educação neste setor não atende a grande demanda. E assim, os governos vão empurrando o problema e enganando à população de que o Brasil dispõe de um programa e uma boa legislação de inclusão escolar do deficiente. (mais…)


Uma licença para o trabalho escravo


O Brasil está conseguindo um feito inédito no cenário internacional que é retroceder aos tempos arcaicos do patriarcalismo das capitanias hereditárias e dos senhores de engenhos com a figura dos coronéis da “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, onde o senhor todo poderoso era o dono de tudo, além da terra e dos escravos, e a ele todos deviam obediência absoluta. Outro país do mundo não consegue tal proeza!
Assim caminha o nosso maltratado Brasil de hoje, recuando ao tempo passado remoto, diferente das outras nações que procuram cada vez mais aplicar medidas evolutivas no trato do ser humano, através da melhoria da educação, da saúde, da ciência e da tecnologia. O nosso país prefere andar na contramão do progresso social, de volta aos tempos primitivos e coloniais.
Como se não bastassem a terceirização em todas as atividades, as reformas trabalhistas e previdenciárias de dominação do capital e aniquilação dos cidadãos, privatizações e entreguismo do patrimônio público, as retiradas de proteção ao meio ambiente e até das mulheres vítimas da violência dos seus maridos, agora o mordomo de Drácula manda o Ministério do Trabalho baixar uma portaria que concede licença à pratica do trabalho escravo nas arcaicas lavouras ruralistas brasileiras.
Como forma de pagar os votos dos ruralistas da Câmara dos Deputados, os quais irão dizer sim ao relatório fajuto que o inocenta das acusações de crimes de corrupção, o mordomo presidente, antecipadamente, recompensa os oportunistas, premiando-os com a Portaria 1.129 que reduz o conceito de trabalho escravo, dificultando a sua caracterização e consequente fiscalização.
A mesma Portaria determina que a inclusão de empresas na lista suja do trabalho escravo passa a depender de ato do ministro, tirando a autonomia da área técnica, tornando mais difícil a comprovação do crime. No resumo da ópera, a Portaria equivale a uma permissão do rei para o uso do trabalho escravo, não só no campo como na construção civil e em outros setores industriais.
Logo mais deve vir aí decretos para o retorno de concessões de patentes nacionais de coronéis aos latifundiários da terra, títulos de barões, condes, duques, condessas e duquesas. A tropa de enrustidos, seguidora do mordomo, já está defendendo que, como pagamento ao trabalhador rural, basta o patrão dar a comida e a dormida. Eles devem estar maquinando outros retrocessos contra as liberdades de expressão, o avanço e as conquistas das mulheres, dos negros, dos gays e de todas as minorias.
No retrocesso educacional, o Brasil caminha para o precipício. O estudo Políticas Públicas para Redução do Abandono e Evasão Escolar de Jovens, elaborado pelo Ensino Superior em Negócios, Direito e Engenharia, constatou que, no universo de 10 milhões de estudantes jovens entre 15 a 17 anos, a cada ano, quase três milhões deles deixam a escola no Brasil. As universidades estão sendo sucateadas pelo corte drástico de recursos. (mais…)


Ensino Confessional é retrocesso


É correto você catequizar uma criança para uma determinada religião? É certo as escolas darem aulas específicas de religião, ou apenas estabelecerem uma disciplina sobre história geral das religiões? E o ensino religioso confessional nas escolas públicas foi a decisão acertada do Supremo Tribunal Federal (STF)? Pelo resultado, a laicidade do Estado no Brasil não passa mesmo de uma retórica.
Para o espírita e fundador da “Cidade da Luz”, José Medrado, foi lamentável o voto do STF. Para ele, o professor poderá ensinar a sua própria religião. Na minha modesta leitura, foi um retrocesso e mais lenha na fogueira da intolerância.
Não vou citar atos de agressão religiosa por parte de fanáticos porque são muitos. Segundo Medrado, o Brasil está caminhando em marcha ré para perdas de conquistas individuais e coletivas por todos os lados. O que presenciamos é extremismo em tudo, não só de ideologia – afirmou.
Desde menino fui catequizado pela Igreja Católica e digo mais que sofri lavagem cerebral no meu tempo de adolescência no Seminário. Não vou aqui discutir questão de formação do conhecimento e aprendizagem escolar. Quem passou por isso sabe o que sente, e até hoje carrega consigo marcas, medos e conceitos conservadores difíceis de serem apagados. Confesso que hoje não sigo nenhuma religião e condeno expressamente o fanatismo.
No ensino religioso confessional, de acordo com o último parecer do Supremo, o aluno faz sua opção pela disciplina, ou seja, é uma matéria optativa na escola. Apesar da Religião Católica ser a mais disseminada por tradição cultural desde a formação do país, a Evangélica é a que tem hoje maior visibilidade e expansão.
Hoje não existe apenas uma bancada evangélica no Congresso Nacional, mas também nas escolas públicas. Para se ter uma ideia, quase 100% dos conselheiros titulares da criança e do adolescente de Salvador são evangélicos. As escolas privadas adotam o catolicismo cristão apenas como símbolo, sobrando apenas as unidades de determinadas irmandades ou ordens (Jesuítas, Maristas, Salesianos, Sacramentinas e outras) que são diretamente ligadas à Igreja Católica. (mais…)