Ciganos fogem em correrias depois de ameaças e torturas, diz associação

  Com uma introdução de que a cidade de Vitória da Conquista abriu guerra contra os ciganos, o presidente do Instituto Ciganos do Brasil (ICB), Rogério Ribeiro, encaminhou um relatório à Procuradoria Geral da República, Defensoria Pública da União, ao Ministério Público Estadual, Câmara Municipal de Vereadores de Conquista (Comissão de Direitos Humanos), à OAB nacional … Leia Mais



As convenções antidemocráticas

Fala-se tanto em democracia e pratica-se pouco no Brasil. Um exemplo mais claro e recente são as convenções partidárias onde as decisões são sempre tomadas de cima para baixo e não ao contrário, como rezam os discursos políticos. Este quadro antidemocrático está entranhado em todos os partidos, quer sejam de direita, de extrema, de centro … Leia Mais


PSB retira candidatura própria e se coliga com José Raimundo do PT

A executiva regional do Partido Socialista Brasileiro (PSB) de Vitória da Conquista, durante sua convenção na noite do último dia 14 (segunda-feira), realizada no auditório da Câmara Municipal de Vereadores, anunciou a retirada do nome de Mozart Tanajura como pré-candidato a prefeito, para apoiar a coligação majoritária da chapa do PT que vai disputar a … Leia Mais


Os bandos, as tribos acéfalas, as centralizadas e a criação do Estado

No capítulo “Do Igualitarismo à Cleptocracia”, em seu livro “Armas, Germes e Aço”, o cientista Jared Diamond faz uma viagem na história da humanidade há 40 mil anos, descrevendo a vida do homem em bandos, nas tribos acéfalas, nas centralizada onde já aparece a estrutura social e política de organização até a criação do Estado … Leia Mais


A política como arte e a alma do bem governar e do legislar


Jeremias Macário

 

Quando me lancei a pré-candidato pelo PSB a vereador a uma cadeira no legislativo de Vitória da Conquista recebi de imediato dois tipos de reações dos amigos, colegas e conhecidos de longas datas que conhecem minha trajetória de vida e como tenho me comportado dentro dos meus princípios de primar pelo caráter.
Uma delas foi de apoio integral por merecimento, competência e pelo que tenho feito e representado para a cidade ao longo desses 30 anos, principalmente no âmbito do jornalismo, da cultura e da arte. Depois do meu trabalho à frente da “Sucursal do Jornal A Tarde”, continuei fazendo e divulgando a cultura, sempre me posicionando como jornalista e cidadão sobre as questões envolvendo a cidade de Conquista.
A outra reação não nega a primeira, mas foi no sentido de que não entrasse nessa por ser muito sério, responsável e ético, pois a política no Brasil não passa de uma lama, uma sujeira e um meio de oportunistas se aproveitarem dos eleitores. Confesso que estou a refletir sobre tudo isso, ainda mais numa eleição em plena pandemia no Brasil que, em minha opinião, deveria ser prorrogada pelo Congresso através de uma PEC.
A politicagem sem escrúpulos
Sou sabedor e convivo com os dos dois lados, e me entristece o segundo que se bandeou para a politicagem de agrupamentos sem escrúpulos que deturparam o verdadeiro valor da política na sociedade como a arte e a alma do bem governar e legislar em benefício do povo, como era praticado na Grécia antiga e ensinada pelos filósofos Aristóteles, Platão, Sócrates e outros.
Infelizmente, no Brasil ela é tripudiada, desacreditada e rejeitada porque há séculos foi sendo e ainda está recheada de manhas, treitas e malandragens, se valendo da pobreza física e espiritual de educação e conhecimento das pessoas, que os nossos governantes lhes negaram, para fazer assistencialismo coronelista, sem falar na corrupção.
Dentro dessa panela indigesta, a política brasileira deixou de ser a arte do bem governar e legislar, para se deitar no coito sujo e doentio dos germes da enganação de promessas. da enrolação, da mentira e até da compra de votos com dinheiro e através de favores, refugiando-se na criminalidade e formação de quadrilhas.
No papel de executivo, o candidato, e até mesmo depois de eleito (nem todos), passou a prometer coisas que não são da sua alçada e da sua esfera como parlamentar. Muitos trocaram o legislar e o fiscalizar o poder público pelo fazer calçamentos porque o povo foi se acostumando nisso, e dá mais votos falar em obras do que ser o que deve ser dentro da sua função específica.
A inversão de valores (mais…)


Os germes são bem mais inteligentes que os humanos negacionistas da ciência; as características comuns de transmissão das doenças


Jeremias Macário

“A escrita caminhou junto com as armas, os micróbios e a organização política centralizada como um agente moderno de conquista… Relatos escritos de expedições motivaram outras posteriores, pela descrição das terras férteis que esperavam os conquistadores”. Essa revelação é contada pelo biólogo Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”.
Em sua exposição científica, cita que a escrita nasceu primeiro, de forma independente, no Crescente Fértil com os sumérios por volta de 3000 a.C. e na Mesoamérica, sul do México, antes de 600 a.C. Por difusão de ideias, no Egito (os hieróglifos), 3000 a.C., na China por volta de 1.300 a.C. no vale do Indo, na Grécia e em Creta que podem ter sido também de modo independente. A escrita cuneiforme suméria é o sistema mais antigo da história.
Interessante é que a escrita maia é organizada de acordo com os princípios semelhantes aos dos sumérios e de outras escritas eurasianas nas quais os sumérios se inspiraram. Muitas outras sociedades desenvolveram suas escritas como na Índia, Grécia micênica, Creta minoica e na Etiópia.
O alfabeto cirílico (ainda usado na Rússia) decorre de uma adaptação de letras gregas e hebraicas feita por São Cirilo. Outro idioma, como o germânico, teve seu alfabeto gótico criado pelo bispo Ulfilas. As centenas de alfabetos históricos e atuais derivam do alfabeto semítico ancestral (da Síria ao Sinai) no segundo milênio a.C. No início, o conhecimento da escrita era restrita aos escribas a serviço dos reis e dos sacerdotes.
No entanto, a escrita alfabética grega se expandiu para além dos escribas e foi um veículo de poesia e humor para serem lidos nos lares. Por sua vez, a produção de alimentos foi essencial para a evolução da escrita como para o surgimento dos micróbios causadores das epidemias humanas.
POPULAÇÕES EXPOSTAS EM POUCO TEMPO
As doenças infecciosas têm várias características comuns, como de transmissão rápida e eficaz da pessoa contaminada para a saudável que está próxima, e com isso a população inteira fica exposta em pouco tempo. Outra característica são as doenças agudas num curto período onde as pessoas morrem, ou se recuperam rapidamente. Outra diz respeito aos felizardos que se recuperam e desenvolvem anticorpos que os deixam imunes por muito tempo a uma repetição da doença, possivelmente para o resto de suas vidas.
Segundo Diamond, a disseminação dos micróbios e a passagem rápida dos sintomas significam que todo mundo, em determinada população humana, é rapidamente contaminado e logo depois está morto, ou recuperado e imune. Como o micróbio só pode sobreviver nos corpos de pessoas vivas, a doença desaparece até uma nova leva de bebês atingir a idade suscetível até que uma pessoa infectada chegue do exterior para desencadear uma nova epidemia.
Ele cita, como exemplo, como essas doenças se transformaram em epidemias na história do sarampo nas ilhas do Atlântico chamadas Feroé, em 1781, e depois desapareceu, deixando os locais livres do sarampo até a chegada de um carpinteiro contaminado vindo da Dinamarca de navio, em 1846. Em três meses, quase toda população de Feroé (7.782) havia contraído a doença e morrido, ou se recuperado.
Estudos mostram que o sarampo tende a desaparecer em qualquer população inferior a meio milhão de pessoas. Só em populações maiores, a doença pode passar de um local para outro, persistindo assim até que um número suficiente de bebês tenha nascido na área originalmente infectada para que o sarampo possa voltar.
As doenças de multidão (mais…)


A quarentena da coronavid


Desde março, quando a Covid-19 começou a infectar os primeiros brasileiros e entramos no período da quaresma, o jornalista Jeremias Macário, sua esposa, a professora Vandilza Gonçalves e o fotógrafo José Carlos D´Almeida começaram a produzir uma série de vídeos com textos poéticos, abordando diversos assuntos de ordem política, social e cultural sobre o próprio vírus e seus efeitos, a seca e a cultura popular nordestina e temas pessoais do nosso cotidiano.
O coronavírus serviu de abertura com o título “Quem é Este Coronavid?, uma fusão do corona com a Covid-19, que deu sequência a outros vídeos, sempre realizados aos domingos e enviados para os grupos do Sarau Cultural A Estrada, Amantes da Música, para os blogs da cidade, artistas, amigos em geral e parentes, como forma de amenizar e aproximar as pessoas nessa fase tão dura de confinamento e isolamento social.
Durante este tempo, de março até julho (em alguns domingos não foram possíveis realizar gravações) produzimos 14 vídeos no formato de declamação com questões diferenciadas. Como não dispomos de recursos humanos e equipamentos suficientes, todos os vídeos foram gravados através do celular, com D´Almeida na câmara, e as interpretações dos textos a cargo de Jeremias e Vandilza. Os cenários e figurinos sempre são improvisados de acordo com o tema, e cada um vai deixando a ideia voar.
Nos intervalos das produções, surgiu a ideia de transformamos os dez vídeos realizados (entre 40 a 50 minutos ao todo) na edição de um curta metragem de 20 minutos, mas faltava pequena verba para tanto. Foi aí que nasceu outra proposta de criarmos um grupo de colaboradores que chegou junto, e o projeto agora está sendo finalizado nos estúdios do nosso amigo Alex Baducha, numa produção em homenagem aos 10 anos do Sarau, completados neste ano e interrompido, temporariamente, por causa da pandemia.
Lembro Ainda Menino, Brasil Saco de Pancada, “Brasil, Nunca Mais”, Quaresma Quarentena, República Cabana Banana, Sequidão, Mente Brasileira, Ninguém Quer Aprender a Lição, Uma Nação em Correrias, Voa Mente Inteligente foram, entre outros, os títulos e os respectivos textos desenvolvidos e declamados pela nossa pequena equipe, com o intuito e o prazer de passarmos uma mensagem para os amigos e companheiros. Sabemos que não podemos agradar a todos, mesmo porque isso é impossível, mas estamos registrando nosso singelo trabalho nestes tempos tão difíceis.


O caos sem o aporte econômico


Jeremias Macário

Talvez eu seja o único jornalista e cidadão que há duas semanas vem alertando que as medidas de isolamento de ficar em casa para combater a pandemia tinham que vir acompanhadas de um imediato aporte econômico do Estado. Somente agora, com atraso, a grande mídia burguesa vem tocando no assunto, ainda de forma tímida subindo os morros.
O mandar ficar em casa é uma recomendação dos organismos de saúde, mas não pensaram nos milhões de brasileiros que vivem de uma renda mínima da informalidade, de comissões, do trabalho intermitente, autônomos, dos desempregados que fazem bicos e outras atividades para sobreviver e comprar o pão de cada dia, numa expressão mais simples e direta.
Não estou com isso sendo contrário ao isolamento, contanto que os governantes adicionassem seus caixas para sustentar as famílias pobres que vivem nas favelas e em seus barracos vivendo na linha de pobreza, muitos das quais em plena miséria, sem dinheiro para o álcool gel e até sem água nas torneiras.
Somente agora, o governo federal está apresentando um conjunto de medidas para amparar esses milhões de brasileiros, mas, como tudo no Brasil é burocrático e demorado, não se sabe a forma, quando e como esse socorro vai ser concretizado. Sem um urgente aporte econômico, o Brasil pode virar um território de caos social onde a fome pode falar mais alto que o vírus, e aí vamos ter mais vítimas.
Nesse bate boca político, científico e de economistas dando palpites, até agora só vemos falatórios demagógicos dos governantes, sem apresentar uma saída para atender o menos favorecidos. Nesse sistema capitalista selvagem e predador, numa catástrofe ou tragédia, os pobres são os mais atingidos. É lamentável dizer isso, mas só os fortes sobrevivem nessa selva de hipocrisias.
Nessa avalanche de informações, colocaram os idosos como se fossem únicos grupos de risco, quando, na verdade, todas as pessoas com doenças crônicas (diabetes, pressão alta, câncer, problemas coronários e outras), sejam jovens ou velhos, não estão imunes e podem perecer. Houve uma discriminação generalizada porque a maioria dos idosos entre 70 a 80 anos têm problemas de saúde e tomam remédios contínuos.
Essa mídia burguesa, que passou todo o tempo de costas para a pobreza, só faltou sugerir a criação de campos de concentração para os idosos. Nessa história existe muita hipocrisia e falsos heróis, criados por essa mídia. É verdade que os caminhoneiros estão nas estradas transportando alimentos e produtos para o abastecimento do mercado, mas não me venham com essa de que estão ali só com essa missão sublime de salvar vidas.
Eles são uma categoria que ainda têm a permissão de trabalhar, e estão também ganhando seu dinheiro para sustentar suas famílias e pagar as prestações de seus carros. Não existe essa de sacrifício pleno, sem benefício. E como ficam aqueles que nem estão podendo produzir alguma coisa para sobreviver?
Por último, a grande emissora Globo, que vem comandando os noticiários, com suas tendências de sempre, mostra um senhor esportista amador, como exemplo de ficar em casa, correndo tranquilamente em seu apartamento de classe média alta, confortavelmente bem tratado e alimentado, quando milhões vivem em barracos apertados, em becos estreitos e sujos, sem o mínimo de saneamento básico. Não se falou quanto esse senhor ganha por mês como aposentado e qual sua renda.
Eu também faço aqui meus exercícios diários em meu quintal apertado e ainda sou um privilegiado porque tenho um benefício merreca, mas muito longe daqueles que estão sofrendo, passando fome, privações e outras necessidades. No lugar deles, tenho que agradecer a minha situação, que não é boa financeiramente, mas vai dando para tocar a vida, sem a agonia e a miséria batendo todos os dias em minha porta.


Quem vai reeditar o AI-5


Jeremias Macário

Há 51 anos, no dia 13 de dezembro de 1968, o Brasil fervia com os movimentos políticos encabeçados pelos estudantes (a UNE), em conjunto com lideranças da reforma agrária, professores, uma ala mais progressista da Igreja Católica e operários, contra o regime ditatorial militar implantado com o golpe de 1964. O clima era tenso nos quartéis (generais da linha dura) e nas ruas, com prisões, torturas e cassações de parlamentares. O Rio de Janeiro pegava fogo com a “Marcha dos 100 Mil” depois da morte do estudante Edson Luiz, no restaurante Calabouço.
Naquele dia fatídico, a cúpula do governo Costa e Silva se reuniu com seus principais ministros e resolveram decretar o Ato Institucional número 5, o mais perverso e o pior de todos, significando um golpe dentro do golpe de 64, com o fechamento do Congresso Nacional, mais cassações, censura dura contra a imprensa e às artes em geral, proibição de reuniões e outras medidas opressivas contra a liberdade de expressão. Foi o início dos anos de chumbo quando logo mais o general Médici assumiu a presidência da República.
O resto não é preciso dissertar porque muitos já sabem da história, especificamente os mais velhos (a maioria dos jovens, infelizmente, desconhecem os fatos). Ao completar 51 anos, aparece um deputado maluco de extrema, antidemocrático, de ideias retrógradas, pregando a reedição do AI-5 num Brasil já arrasado, dizendo que se a esquerda engrossar o caldo com manifestações do tipo chilena, a história pode se repetir.
Quem está por trás disso tudo?
Uma pergunta que não quer calar: Quem está por trás do recado ameaçador feito à nação pelo deputado Eduardo, filho do capitão-presidente, que já disse de certa feita que para fechar o Supremo Tribunal Federal bastaria um soldado e um cabo? Ele mesmo vai reeditar o AI-5, dando um golpe no próprio pai, ou tem um grupo linha dura ligado à presidência, na espreita para decretar o terror no país?
A sua fala dá a impressão que ele é o porta-voz de um grupo carrancudo, carrasquento que não vai tolerar uma convulsão social no nível do Chile que reuniu nas ruas mais de um milhão de pessoas. Soa como se fosse um aviso aos brasileiros para que não se atrevam a fazer o mesmo, porque senão o pau vai comer. Soa também como uma afronta às instituições que já não são tão sólidas assim.
Muita gente, principalmente os nossos jovens de hoje, pouco entendeu do seu recado atrevido, porque não sabe o que foi esse tal sujeito tirânico AI-5 de 1968, daí a importância de que cada um deve conhecer sua história passada para que ela não se repita. Quem acha que a terra é plana, que o homem não pisou na lua, também não acredita que houve ditadura, nem inquisição e nem tortura.
É muita ousadia o cara pregar em público a volta do AI-5, e num tom como se ele estivesse sendo respaldado por uma ala golpista, tendo em vista que o pai quando era deputado declarou que se fosse eleito presidente da República fecharia o Congresso. Vale salientar, e é bom que se leve em conta, que hoje os generais, coronéis, majores e capitães ocupam os maiores cargos do governo. (mais…)


O desmantelamento chamado Brasil


Jeremias Macário

Há seis meses de governo e só temos factoides e decretos de desmantelamento da educação, das leis do meio ambiente, do estatuto do desarmamento, das políticas públicas voltadas para o social, do combate da corrupção com o enfraquecimento da Força Tarefa da Laja Jato e agora da legislação nacional do trânsito, fazendo com que mais gente morra nas estradas que já ceifam por ano 65 mil almas.
Está faltando decretar o fim da Lei Seca, com o slogan “Se beber, Dirija”, e criar o “Bolsa Armas” para quem não pode comprar uma. Não existe nenhum planejamento sério de recuperação da economia, e a única coisa que se fala é da reforma da previdência social como salvação da pátria e a ilusão de que vai ser boa para os pobres, mesmo com as castas mantendo seus privilégios de polpudas pensões.
O Congresso Nacional ainda mais conservador de extrema-direita bate cabeça e vai aprovando projetos e leis que desmantelam muitas conquistas. O alvo é desfazer tudo que foi construído pela esquerda, não importando o que seja positivo e benéfico para o país. A impressão que passa é daqueles antigos coronéis prefeitos do interior que quando ganhava a eleição quebrava e destruía tudo que foi feito pelo adversário, numa atitude de terra arrasada. Isso nunca foi patriotismo. É a imbecilidade acima de tudo.
Enquanto os poderes lá de cima propõem um pacto, o povo se divide em pedaços, em ódios e intolerâncias. As ruas se infestam de camisas amarelas da seleção brasileira para apoiar o desmantelamento e acusar as esquerdas que deixaram o Brasil destruído. As cenas são lamentáveis e tristes porque o país continua se derretendo como cera quente na frigideira, sem perspectiva de se erguer dos desastres e do caos que já perduram por cinco anos.
O orgulho da ignorância e da imbecilidade
Há poucos dias li um lúcido artigo do jornalista e escritor Thales de Aguiar intitulado “Quando a Imbecilidade é mais Importante do que a Educação” onde cita na abertura que, de acordo com alguns filósofos, estamos vivenciando momentos em que os ignorantes se sentem orgulhosos de suas imbecilidades. Para esses, a ficha só vai mesmo cair quando começarem a ser atingidos diretamente em suas vidas.
Pelas suas maluquices e falatórios destrambelhados, o capitão-presidente, como aponta o articulista, tem conseguido convencer até gente instruída de que o conhecimento científico nada vale, e até nega a existência de uma ditadura que torturou e matou. Para o “Bozó”, o diploma é uma bobagem, e a pesquisa é um atraso, negando trabalhos de instituições que ainda são referências no Brasil e no exterior, como da Fiocruz e do IBGE.
A pregação é a de que o trabalhador deve abrir mão de seus direitos, trabalhar mais e ganhar menos; que o racismo não existe, mesmo sendo o último pais a libertar os escravos na América Latina; que a homofobia é uma conversa fiada; e ainda defende milicianos e grupos de extermínio como policiais bem formados. Ele prefere colocar uma arma na mão de cada cidadão a apresentar um plano nacional de segurança pública. A igualdade de gênero é uma besteira, e acha que a mulher tem que receber menos porque perde tempo engravidando. O feminicídio é uma baboseira. (mais…)


As curiosidades do mundo grego- Filosofias e sabedorias ( parte final)


 

Jeremias Macário

ARISTÓTELES – Além de ficar de luto, Aristóteles elevou um altar em honra ao seu mestre Platão. Foi seu aluno durante vinte anos. Sua preferência era a matemática. Escreveu prosa embaralhada e complicada, cheia de divagações literárias e iluminações poéticas – assim descreve Indro Montanelli, autor de “História dos Gregos”.

Sobre Platão, é difícil resumir a doutrina do filósofo. Nietzsche chamou-o de pré-cristão por certas antecipações teológicas e morais. No campo moral era puritano. Em política foi totalitário que, “se vivesse hoje receberia o prêmio Stalin”. Afirmava que a disciplina vale mais do que a liberdade de pensamento e que a justiça é mais necessária do que a verdade.

Quando Platão morreu, Aristóteles emigrou para a corte de Hermíades, pequeno tirano da Ásia Menor e casou-se com sua filha Pítia. Ia ali fundar uma academia, mas vieram os persas e mataram o rei. Aristóteles conseguiu fugir para Lesbos. Em 343 a.C. Filipe, da Macedônia, o chamou para Pela para educar seu filho Alexandre.

 Cumpriu tão bem sua tarefa que Filipe o fez governador de Stagira. Gostaram tanto da sua atuação que transformaram a data de sua nomeação num acontecimento festivo. Com senso claro de divisão de trabalho, reuniu seus alunos em grupos, confiando a cada um uma tarefa escolar bem definida.

Era reservado, metódico e preso ao horário como um burocrata. Ensinava passeando com os alunos ao longo dos pórticos que circundavam o liceu. Por isso que sua escola se chama peripatética (ambulante). Foi o primeiro a tentar uma classificação das espécies animais, dividindo-os em vertebrados e invertebrados. Tinha um fraco pelos anéis, com os quais enchia os dedos até os fazer desaparecer completamente.

Na política propôs uma timocracia, uma combinação de democracia e de aristocracia, garantindo o governo de pessoas competentes e reprimindo os abusos de liberdade. Quando Alexandre, o Grande  morreu, ele foi acusado de impiedade. Aristóteles compreendeu que a defesa seria inútil e abandonou a cidade. Não quero que Atenas se manche com um delito contra a filosofia. À revelia, o tribunal condenou-o à morte. Pouco tempo depois morreu, não se sabe se por doença de estômago ou por cicuta, como Sócrates.

O HELENISMO E OS DIÁLOGOS – Com a morte de Alexandre, nasce o período helenístico na história da Grécia até a conquista romana. As cidades gregas, como Esparta, Atenas, Corinto e Tebas foram cedidas aos reinos periféricos. Os oficiais de Alexandre repartiram entre si o Império. Lisímaco ficou com a Trácia, Antígono com a Ásia Menor, Seleuco com a Babilônia, Ptolomeu com o Egito e Antípatro com a Macedônia e a Grécia.

Diz o escritor do livro, que a história é tão monótona como as misérias dos homens que a formam. Antígono julgou ter forças para reunir em suas mãos o Império, mas foi batido pela coligação dos outros quatros. Seu filho Demétrio Poliorcetes limitou suas ambições à Grécia. Expulsou os macedônios e foi recebido em Atenas como ”libertador”. Transformou o Panteão numa orgia e o regime numa anarquia. Aventurou-se a uma série de campanhas contra Ptolomeu e Seleuco, que o derrotou e o obrigou ao suicídio.

Em meio ao caos, desceu do norte uma invasão de gauleses celtas. Era o ano de 279 a.C. Saquearam todas as cidades e vilas da Macedônia. Seleuco teve que dar um tributo aos gauleses para se retirarem para o norte (Bulgária). Somente Antígono II conseguiu sufocar a revolução da Macedônia e ficou no trono 37 anos seguidos, mas Atenas, com ajuda do Egito, rebelou-se contra ele.

Houve, naquela época, uma grande concentração das riquezas nas mãos de poucos. Somente Ágidas e Leônidas tentaram uma reforma agrária em 242 a.C. O primeiro propôs a redistribuição das terras na forma de Licurgo, mas Leônidas organizou conjuração com os latifundiários e o assassinou, juntamente com a mãe e a avó.

A NOVA CULTURA – O recenseamento de 310 a.C. registrava que Atenas tinha 21 mil cidadãos, 10 mil metecos (estrangeiros) e 400 mil escravos. A Grécia vivia uma grande crise do interior, despovoado e em pleno desflorestamento. A natalidade caiu bastante. Os produtos agrícolas ficaram antieconômicos, pois todo trigo vinha mais barato do Egito. As minas estavam abandonadas. Os gregos passaram a viver do artesanato e do comércio.

Nas cidades, a vida se tornou cada vez mais refinada. As mulheres, quase totalmente libertas, participavam da vida pública e cultural. Platão admitira-as em sua universidade, como Aristodama que se tornou a mais famosa declamadora de poesia e realizou tournées por todo Mediterrâneo.

Houve um avanço na publicação de livros, com muitos recursos particulares. A língua grega se tornara oficial também no Egito, na Babilônia e na Pérsia. Com várias traduções, a prosa de Aristóteles se tornou menos monótona.

 Quando Platão morreu, Aristóteles comprou vários volumes do mestre, acrescentando aos seus. Ao fugir de Atenas, deixou com seu aluno Teofrasto que, por sua vez, entregou-os a Neleu que levou-os para a Ásia Menor e enterrou-os. Um século depois foram descobertos e comprados pelo filósofo Apélico, que os transcreveu, interpretando como achava melhor.

Todo este tesouro caiu nas mãos de Sila, quando conquistou Atenas em 86 a.C.. E em Roma, para onde foram levados, Andrônico tornou a copiar e publicar os textos. Outros apaixonados foram os ptolomeus. Em sua corte, o cargo de bibliotecário era um dos mais altos, como Eratóstenes e Apolônio. Ptolomeu reuniu mais de cem mil volumes. Conseguiu emprestados os manuscritos de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. Devolveu as cópias e ficou com os originais.

Aristófanes de Bizâncio inventou as letras maiúsculas, a pontuação e os títulos. Aristarco e Zenódoto reordenaram a Ilíada e a Odisseia que chegaram até nós. A cultura do período helênico não era mais inventiva de poetas e pensadores que disputavam na ágora ou nas salas de Péricles. Tornara-se um fato técnico de estudiosos especializados, capazes em assuntos de crítica e bibliografia. Nas casas de campo e nos palácios dos atenienses era obrigação falar a língua antiga. (mais…)