Nunca a Imprensa tradicional foi tão odiada, hostilizada e excluída

O LIVRO É A FONTE DA VIDA, GUARDIÃO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE QUE NOS TIRA DA ESCURIDÃO PARA A LUZ. INFELIZMENTE NÃO É ASSIM LEMBRADO, NEM NO DIA NACIONAL DO LIVRO (29 de outubro). Com o advento das redes sociais, esse governo negacionista de extrema-direita, fascista e autoritária, bem como autoridades, políticos e as celebridades … Leia Mais


O sal e a desertificação do Nordeste

  O sertanejo ainda esperançoso e crente em não desistir da luta, porque, antes de tudo, é um forte, como dizia Euclides da Cunha, mete a mão na terra e removendo-a entre os dedos, com a voz embargada, diz, meu filho, essa aqui já está morta pelo sal. Não serve mais para plantar. Ao seu … Leia Mais


Ciganos fogem em correrias depois de ameaças e torturas, diz associação

  Com uma introdução de que a cidade de Vitória da Conquista abriu guerra contra os ciganos, o presidente do Instituto Ciganos do Brasil (ICB), Rogério Ribeiro, encaminhou um relatório à Procuradoria Geral da República, Defensoria Pública da União, ao Ministério Público Estadual, Câmara Municipal de Vereadores de Conquista (Comissão de Direitos Humanos), à OAB nacional … Leia Mais



As convenções antidemocráticas

Fala-se tanto em democracia e pratica-se pouco no Brasil. Um exemplo mais claro e recente são as convenções partidárias onde as decisões são sempre tomadas de cima para baixo e não ao contrário, como rezam os discursos políticos. Este quadro antidemocrático está entranhado em todos os partidos, quer sejam de direita, de extrema, de centro … Leia Mais


PSB retira candidatura própria e se coliga com José Raimundo do PT


Jeremias Macário

A executiva regional do Partido Socialista Brasileiro (PSB) de Vitória da Conquista, durante sua convenção na noite do último dia 14 (segunda-feira), realizada no auditório da Câmara Municipal de Vereadores, anunciou a retirada do nome de Mozart Tanajura como pré-candidato a prefeito, para apoiar a coligação majoritária da chapa do PT que vai disputar a Prefeitura de Conquista com o nome de José Raimundo nas eleições de novembro.
Na abertura dos trabalhos pelo presidente regional André Ará, houve um momento de pesar pelo agravamento da saúde do companheiro Genivan Neri (um grande e histórico batalhador do partido), que se encontra hospitalizado depois de um acidente de carro nas imediações da Vila Mariana, entre Aracatu e Anagé. Todos desejaram um pronto restabelecimento do seu quadro e seu retorno à sua vida familiar.
Retrocesso e dificuldades financeiras
José Carlos, membro da diretoria do partido, fez uma retrospectiva sobre a inclinação da política no mundo atual, cujos governos, inclusive do Brasil, optaram por uma posição de viés extremista de direita, e que as forças progressistas precisam se unir para quebrar essa tendência hegemônica de retrocessos, citando os partidos de esquerda como uma alternativa para derrubar esse panorama de exclusão social e caos em que vivemos.
Com esse preâmbulo, José Carlos aproveitou para explicar a decisão que o partido tomou para, mais uma vez, marchar ao lado do candidato José Raimundo, visando unir forças para a coligação sair vitoriosa contra a reeleição de Hérzem Gusmão que, segundo ele, representa o retrocesso nos avanços conquistados pelo município nas políticas públicas.
No entanto, a problema financeira de poucos recursos na cota do Fundo Partidário que cabe ao PSB para Conquista, foi apontado por José Carlos e Gildelson Felício como um dos principais motivos para a retirada da candidatura própria na corrida à Prefeitura Municipal, embora boa parte dos pré-candidatos a vereadores tenha preferido caminhar com o nome de Mozart Tanajura, agora candidato a vereador.
Não vai apoiar e retirada de candidatura
O pré-candidato a vereador, Caio Coelho, por exemplo, foi bem enfático em seu pronunciamento quando discordou da coligação e disse que não iria apoiar o nome indicado pelo PT durante sua campanha. Por razões da pandemia da Covid-19, problemas financeiros e outros de ordem pessoal, o pré-candidato Jeremias Macário aproveitou a ocasião para em pública retirar o seu nome na corrida por uma cadeira na Câmara de Vereadores.
Em sua fala, sua posição foi bem clara quando defendeu uma candidatura própria para o partido, mesmo diante das dificuldades financeiras, como forma do PSB mostrar sua cara e firmar sua imagem socialista na sociedade conquistense. “Há muito tempo, tenho me colocado nessa defesa, principalmente no atual cenário político municipal e nacional, onde o PSB deveria demarcar seu lugar, apresentando suas propostas”.
Jeremias fez um tributo aos mais de 130 mil mortos de brasileiros pelo coronavírus; sugeriu que o partido fizesse uma declaração de protesto contra a destruição do meio ambiente que vem ocorrendo através das queimadas no Pantanal e na Amazônia por negligência proposital do governo federal para beneficiar os poderosos; e desejou boa sorte aos companheiros na campanha eleitoral.
Muitos outros candidatos a vereador, como Florisvaldo Rodrigues e Ricardo Marques disseram que o partido tem um bom quadro de qualidade para propor e criar mudanças avançadas e progressistas no âmbito político e social para a cidade de Vitória da Conquista.
Florisvaldo fez duras críticas à atual representação da Câmara de Vereadores, segundo ele, de baixo nível nas discussões, e que a Casa não exerce seu real papel de legisladora porque a maioria é despreparada para o cargo, prestando apenas a dizer amém ao que manda e faz o executivo municipal.


Os bandos, as tribos acéfalas, as centralizadas e a criação do Estado


Jeremias Macário

No capítulo “Do Igualitarismo à Cleptocracia”, em seu livro “Armas, Germes e Aço”, o cientista Jared Diamond faz uma viagem na história da humanidade há 40 mil anos, descrevendo a vida do homem em bandos, nas tribos acéfalas, nas centralizada onde já aparece a estrutura social e política de organização até a criação do Estado com suas leis, ordens e punições aos cidadãos que cometem delitos.
Primeiro, ele começa citando os bandos nômades da Nova Guiné onde fez suas pesquisas, chamados de fayus. Eles viviam como famílias solitárias, espalhadas pelo pântano e se reuniam uma, ou duas vezes ao ano para negociar a troca de noivas. São formados por cerca de 400 caçadores-coletores, divididos em quatro clãs. Seu número foi reduzido por causa dos assassinatos cometidos entre eles.
MISSIONÁRIOS E PROFESSORES
A incorporação dos bandos e das tribos à sociedade moderna muito se deveu ao trabalho dos missionários, professores, médicos, burocratas e aos soldados colonizadores. “ A disseminação dos governos e da religião sempre esteve interligada ao longo da história que está registrada, quer a disseminação fosse pacífica, como dos fayus, ou pela força.
Como exemplo de bandos, que ainda vivem de modo autônomo confinados, o autor da obra cita os da Nova Guiné e os da Amazônia, mas existem outros que se submeteram ao controle do Estado e até foram exterminados. Entre eles estão a maioria dos pigmeus africanos caçadores-coletores, os aborígines australianos, os esquimós e os índios das Américas.
Todos, de acordo com Diamond, foram caçadores-coletores em vez de produtores de alimentos estabelecidos. Esses humanos viviam, provavelmente, em bandos até pelo menos 40 mil anos atrás. Praticamente, o bando não tem liderança formal, conquista por qualidades, força, inteligência e uso da luta. O “líder” do bando é chamado de o “homem-grande”, como qualquer outro do grupo, sem nenhum privilégio de vida.
Na Nova Guiné, por exemplo, o bando é nômade porque tem que se mudar quando já cortaram os sagueiros maduros em uma área. Lembra o autor do livro que os gorilas, chimpanzés e os macacos bonobos africanos também viviam em bandos. “O bando é a organização política, econômica e social que herdamos de nossos milhões de anos de história evolutiva”.
“A organização tribal é bem representada pelos habitantes das regiões montanhosas da Nova Guiné, cuja unidade política antes da chegada do governo colonial, era uma aldeia, ou grupo de aldeias de pessoas com relações de parentesco”. O pesquisador aponta, como exemplo, os forés com os quais trabalhou, em 1964, com a mesma língua e a mesma cultura.
Em sua opinião, essa organização tribal começou a surgir por volta de 13 mil anos atrás no Crescente Fértil e depois em algumas outras áreas. Além de deferir do bando, em virtude da residência fixa e do maior número de membros, a tribo também é constituída de mais de um grupo de afinidade, denominada de clã.
Na estrutura tribal centralizada em sociedades, as soluções quanto às questões de conflitos entre estranhos são mais complicadas em grupos maiores. Numa tribo acéfala, quase todos são parentes consanguíneos, ou por afinidade. Mesmo assim, ela preserva um sistema de governo informal e igualitário. No bando, o poder do “homem-grande” é limitado.
Nas tribos, nenhum membro, ou bando tradicional, pode enriquecer mais do que os outros pelos próprios esforços, pois cada indivíduo tem deveres e obrigações para com os outros. Como nos bandos, as tribos não têm força policial, burocracia e impostos. Todos os adultos capazes participam do cultivo, da coleta ou da caça dos alimentos. (mais…)


A política como arte e a alma do bem governar e do legislar


Jeremias Macário

 

Quando me lancei a pré-candidato pelo PSB a vereador a uma cadeira no legislativo de Vitória da Conquista recebi de imediato dois tipos de reações dos amigos, colegas e conhecidos de longas datas que conhecem minha trajetória de vida e como tenho me comportado dentro dos meus princípios de primar pelo caráter.
Uma delas foi de apoio integral por merecimento, competência e pelo que tenho feito e representado para a cidade ao longo desses 30 anos, principalmente no âmbito do jornalismo, da cultura e da arte. Depois do meu trabalho à frente da “Sucursal do Jornal A Tarde”, continuei fazendo e divulgando a cultura, sempre me posicionando como jornalista e cidadão sobre as questões envolvendo a cidade de Conquista.
A outra reação não nega a primeira, mas foi no sentido de que não entrasse nessa por ser muito sério, responsável e ético, pois a política no Brasil não passa de uma lama, uma sujeira e um meio de oportunistas se aproveitarem dos eleitores. Confesso que estou a refletir sobre tudo isso, ainda mais numa eleição em plena pandemia no Brasil que, em minha opinião, deveria ser prorrogada pelo Congresso através de uma PEC.
A politicagem sem escrúpulos
Sou sabedor e convivo com os dos dois lados, e me entristece o segundo que se bandeou para a politicagem de agrupamentos sem escrúpulos que deturparam o verdadeiro valor da política na sociedade como a arte e a alma do bem governar e legislar em benefício do povo, como era praticado na Grécia antiga e ensinada pelos filósofos Aristóteles, Platão, Sócrates e outros.
Infelizmente, no Brasil ela é tripudiada, desacreditada e rejeitada porque há séculos foi sendo e ainda está recheada de manhas, treitas e malandragens, se valendo da pobreza física e espiritual de educação e conhecimento das pessoas, que os nossos governantes lhes negaram, para fazer assistencialismo coronelista, sem falar na corrupção.
Dentro dessa panela indigesta, a política brasileira deixou de ser a arte do bem governar e legislar, para se deitar no coito sujo e doentio dos germes da enganação de promessas. da enrolação, da mentira e até da compra de votos com dinheiro e através de favores, refugiando-se na criminalidade e formação de quadrilhas.
No papel de executivo, o candidato, e até mesmo depois de eleito (nem todos), passou a prometer coisas que não são da sua alçada e da sua esfera como parlamentar. Muitos trocaram o legislar e o fiscalizar o poder público pelo fazer calçamentos porque o povo foi se acostumando nisso, e dá mais votos falar em obras do que ser o que deve ser dentro da sua função específica.
A inversão de valores (mais…)


Os germes são bem mais inteligentes que os humanos negacionistas da ciência; as características comuns de transmissão das doenças


Jeremias Macário

“A escrita caminhou junto com as armas, os micróbios e a organização política centralizada como um agente moderno de conquista… Relatos escritos de expedições motivaram outras posteriores, pela descrição das terras férteis que esperavam os conquistadores”. Essa revelação é contada pelo biólogo Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”.
Em sua exposição científica, cita que a escrita nasceu primeiro, de forma independente, no Crescente Fértil com os sumérios por volta de 3000 a.C. e na Mesoamérica, sul do México, antes de 600 a.C. Por difusão de ideias, no Egito (os hieróglifos), 3000 a.C., na China por volta de 1.300 a.C. no vale do Indo, na Grécia e em Creta que podem ter sido também de modo independente. A escrita cuneiforme suméria é o sistema mais antigo da história.
Interessante é que a escrita maia é organizada de acordo com os princípios semelhantes aos dos sumérios e de outras escritas eurasianas nas quais os sumérios se inspiraram. Muitas outras sociedades desenvolveram suas escritas como na Índia, Grécia micênica, Creta minoica e na Etiópia.
O alfabeto cirílico (ainda usado na Rússia) decorre de uma adaptação de letras gregas e hebraicas feita por São Cirilo. Outro idioma, como o germânico, teve seu alfabeto gótico criado pelo bispo Ulfilas. As centenas de alfabetos históricos e atuais derivam do alfabeto semítico ancestral (da Síria ao Sinai) no segundo milênio a.C. No início, o conhecimento da escrita era restrita aos escribas a serviço dos reis e dos sacerdotes.
No entanto, a escrita alfabética grega se expandiu para além dos escribas e foi um veículo de poesia e humor para serem lidos nos lares. Por sua vez, a produção de alimentos foi essencial para a evolução da escrita como para o surgimento dos micróbios causadores das epidemias humanas.
POPULAÇÕES EXPOSTAS EM POUCO TEMPO
As doenças infecciosas têm várias características comuns, como de transmissão rápida e eficaz da pessoa contaminada para a saudável que está próxima, e com isso a população inteira fica exposta em pouco tempo. Outra característica são as doenças agudas num curto período onde as pessoas morrem, ou se recuperam rapidamente. Outra diz respeito aos felizardos que se recuperam e desenvolvem anticorpos que os deixam imunes por muito tempo a uma repetição da doença, possivelmente para o resto de suas vidas.
Segundo Diamond, a disseminação dos micróbios e a passagem rápida dos sintomas significam que todo mundo, em determinada população humana, é rapidamente contaminado e logo depois está morto, ou recuperado e imune. Como o micróbio só pode sobreviver nos corpos de pessoas vivas, a doença desaparece até uma nova leva de bebês atingir a idade suscetível até que uma pessoa infectada chegue do exterior para desencadear uma nova epidemia.
Ele cita, como exemplo, como essas doenças se transformaram em epidemias na história do sarampo nas ilhas do Atlântico chamadas Feroé, em 1781, e depois desapareceu, deixando os locais livres do sarampo até a chegada de um carpinteiro contaminado vindo da Dinamarca de navio, em 1846. Em três meses, quase toda população de Feroé (7.782) havia contraído a doença e morrido, ou se recuperado.
Estudos mostram que o sarampo tende a desaparecer em qualquer população inferior a meio milhão de pessoas. Só em populações maiores, a doença pode passar de um local para outro, persistindo assim até que um número suficiente de bebês tenha nascido na área originalmente infectada para que o sarampo possa voltar.
As doenças de multidão (mais…)


A quarentena da coronavid


Desde março, quando a Covid-19 começou a infectar os primeiros brasileiros e entramos no período da quaresma, o jornalista Jeremias Macário, sua esposa, a professora Vandilza Gonçalves e o fotógrafo José Carlos D´Almeida começaram a produzir uma série de vídeos com textos poéticos, abordando diversos assuntos de ordem política, social e cultural sobre o próprio vírus e seus efeitos, a seca e a cultura popular nordestina e temas pessoais do nosso cotidiano.
O coronavírus serviu de abertura com o título “Quem é Este Coronavid?, uma fusão do corona com a Covid-19, que deu sequência a outros vídeos, sempre realizados aos domingos e enviados para os grupos do Sarau Cultural A Estrada, Amantes da Música, para os blogs da cidade, artistas, amigos em geral e parentes, como forma de amenizar e aproximar as pessoas nessa fase tão dura de confinamento e isolamento social.
Durante este tempo, de março até julho (em alguns domingos não foram possíveis realizar gravações) produzimos 14 vídeos no formato de declamação com questões diferenciadas. Como não dispomos de recursos humanos e equipamentos suficientes, todos os vídeos foram gravados através do celular, com D´Almeida na câmara, e as interpretações dos textos a cargo de Jeremias e Vandilza. Os cenários e figurinos sempre são improvisados de acordo com o tema, e cada um vai deixando a ideia voar.
Nos intervalos das produções, surgiu a ideia de transformamos os dez vídeos realizados (entre 40 a 50 minutos ao todo) na edição de um curta metragem de 20 minutos, mas faltava pequena verba para tanto. Foi aí que nasceu outra proposta de criarmos um grupo de colaboradores que chegou junto, e o projeto agora está sendo finalizado nos estúdios do nosso amigo Alex Baducha, numa produção em homenagem aos 10 anos do Sarau, completados neste ano e interrompido, temporariamente, por causa da pandemia.
Lembro Ainda Menino, Brasil Saco de Pancada, “Brasil, Nunca Mais”, Quaresma Quarentena, República Cabana Banana, Sequidão, Mente Brasileira, Ninguém Quer Aprender a Lição, Uma Nação em Correrias, Voa Mente Inteligente foram, entre outros, os títulos e os respectivos textos desenvolvidos e declamados pela nossa pequena equipe, com o intuito e o prazer de passarmos uma mensagem para os amigos e companheiros. Sabemos que não podemos agradar a todos, mesmo porque isso é impossível, mas estamos registrando nosso singelo trabalho nestes tempos tão difíceis.


O caos sem o aporte econômico


Jeremias Macário

Talvez eu seja o único jornalista e cidadão que há duas semanas vem alertando que as medidas de isolamento de ficar em casa para combater a pandemia tinham que vir acompanhadas de um imediato aporte econômico do Estado. Somente agora, com atraso, a grande mídia burguesa vem tocando no assunto, ainda de forma tímida subindo os morros.
O mandar ficar em casa é uma recomendação dos organismos de saúde, mas não pensaram nos milhões de brasileiros que vivem de uma renda mínima da informalidade, de comissões, do trabalho intermitente, autônomos, dos desempregados que fazem bicos e outras atividades para sobreviver e comprar o pão de cada dia, numa expressão mais simples e direta.
Não estou com isso sendo contrário ao isolamento, contanto que os governantes adicionassem seus caixas para sustentar as famílias pobres que vivem nas favelas e em seus barracos vivendo na linha de pobreza, muitos das quais em plena miséria, sem dinheiro para o álcool gel e até sem água nas torneiras.
Somente agora, o governo federal está apresentando um conjunto de medidas para amparar esses milhões de brasileiros, mas, como tudo no Brasil é burocrático e demorado, não se sabe a forma, quando e como esse socorro vai ser concretizado. Sem um urgente aporte econômico, o Brasil pode virar um território de caos social onde a fome pode falar mais alto que o vírus, e aí vamos ter mais vítimas.
Nesse bate boca político, científico e de economistas dando palpites, até agora só vemos falatórios demagógicos dos governantes, sem apresentar uma saída para atender o menos favorecidos. Nesse sistema capitalista selvagem e predador, numa catástrofe ou tragédia, os pobres são os mais atingidos. É lamentável dizer isso, mas só os fortes sobrevivem nessa selva de hipocrisias.
Nessa avalanche de informações, colocaram os idosos como se fossem únicos grupos de risco, quando, na verdade, todas as pessoas com doenças crônicas (diabetes, pressão alta, câncer, problemas coronários e outras), sejam jovens ou velhos, não estão imunes e podem perecer. Houve uma discriminação generalizada porque a maioria dos idosos entre 70 a 80 anos têm problemas de saúde e tomam remédios contínuos.
Essa mídia burguesa, que passou todo o tempo de costas para a pobreza, só faltou sugerir a criação de campos de concentração para os idosos. Nessa história existe muita hipocrisia e falsos heróis, criados por essa mídia. É verdade que os caminhoneiros estão nas estradas transportando alimentos e produtos para o abastecimento do mercado, mas não me venham com essa de que estão ali só com essa missão sublime de salvar vidas.
Eles são uma categoria que ainda têm a permissão de trabalhar, e estão também ganhando seu dinheiro para sustentar suas famílias e pagar as prestações de seus carros. Não existe essa de sacrifício pleno, sem benefício. E como ficam aqueles que nem estão podendo produzir alguma coisa para sobreviver?
Por último, a grande emissora Globo, que vem comandando os noticiários, com suas tendências de sempre, mostra um senhor esportista amador, como exemplo de ficar em casa, correndo tranquilamente em seu apartamento de classe média alta, confortavelmente bem tratado e alimentado, quando milhões vivem em barracos apertados, em becos estreitos e sujos, sem o mínimo de saneamento básico. Não se falou quanto esse senhor ganha por mês como aposentado e qual sua renda.
Eu também faço aqui meus exercícios diários em meu quintal apertado e ainda sou um privilegiado porque tenho um benefício merreca, mas muito longe daqueles que estão sofrendo, passando fome, privações e outras necessidades. No lugar deles, tenho que agradecer a minha situação, que não é boa financeiramente, mas vai dando para tocar a vida, sem a agonia e a miséria batendo todos os dias em minha porta.


Quem vai reeditar o AI-5


Jeremias Macário

Há 51 anos, no dia 13 de dezembro de 1968, o Brasil fervia com os movimentos políticos encabeçados pelos estudantes (a UNE), em conjunto com lideranças da reforma agrária, professores, uma ala mais progressista da Igreja Católica e operários, contra o regime ditatorial militar implantado com o golpe de 1964. O clima era tenso nos quartéis (generais da linha dura) e nas ruas, com prisões, torturas e cassações de parlamentares. O Rio de Janeiro pegava fogo com a “Marcha dos 100 Mil” depois da morte do estudante Edson Luiz, no restaurante Calabouço.
Naquele dia fatídico, a cúpula do governo Costa e Silva se reuniu com seus principais ministros e resolveram decretar o Ato Institucional número 5, o mais perverso e o pior de todos, significando um golpe dentro do golpe de 64, com o fechamento do Congresso Nacional, mais cassações, censura dura contra a imprensa e às artes em geral, proibição de reuniões e outras medidas opressivas contra a liberdade de expressão. Foi o início dos anos de chumbo quando logo mais o general Médici assumiu a presidência da República.
O resto não é preciso dissertar porque muitos já sabem da história, especificamente os mais velhos (a maioria dos jovens, infelizmente, desconhecem os fatos). Ao completar 51 anos, aparece um deputado maluco de extrema, antidemocrático, de ideias retrógradas, pregando a reedição do AI-5 num Brasil já arrasado, dizendo que se a esquerda engrossar o caldo com manifestações do tipo chilena, a história pode se repetir.
Quem está por trás disso tudo?
Uma pergunta que não quer calar: Quem está por trás do recado ameaçador feito à nação pelo deputado Eduardo, filho do capitão-presidente, que já disse de certa feita que para fechar o Supremo Tribunal Federal bastaria um soldado e um cabo? Ele mesmo vai reeditar o AI-5, dando um golpe no próprio pai, ou tem um grupo linha dura ligado à presidência, na espreita para decretar o terror no país?
A sua fala dá a impressão que ele é o porta-voz de um grupo carrancudo, carrasquento que não vai tolerar uma convulsão social no nível do Chile que reuniu nas ruas mais de um milhão de pessoas. Soa como se fosse um aviso aos brasileiros para que não se atrevam a fazer o mesmo, porque senão o pau vai comer. Soa também como uma afronta às instituições que já não são tão sólidas assim.
Muita gente, principalmente os nossos jovens de hoje, pouco entendeu do seu recado atrevido, porque não sabe o que foi esse tal sujeito tirânico AI-5 de 1968, daí a importância de que cada um deve conhecer sua história passada para que ela não se repita. Quem acha que a terra é plana, que o homem não pisou na lua, também não acredita que houve ditadura, nem inquisição e nem tortura.
É muita ousadia o cara pregar em público a volta do AI-5, e num tom como se ele estivesse sendo respaldado por uma ala golpista, tendo em vista que o pai quando era deputado declarou que se fosse eleito presidente da República fecharia o Congresso. Vale salientar, e é bom que se leve em conta, que hoje os generais, coronéis, majores e capitães ocupam os maiores cargos do governo. (mais…)