Tião: pelo maior cronista da História do Sertão da Ressaca

Em 1973, conheci Sebastião Rodrigues Castro, Tião. Eu havia sido convidado para ser Procurador Jurídico do Município de por J adiel Matos, Prefeito eleito com ampla margem de votos, e ele, como era de esperar- se, foi convocado para ser Secretário Municipal de Saúde. Demonstrou, desde os primeiros dias, capacidade de administrar, liderar e ser … Leia Mais


Márcio Matos, Presente!

Trinta anos após o falecimento de seu pai (Jadiel Matos, ex-Prefeito de Vitória da Conquista), Márcio Matos foi assassinado. Não se afasta de mim a impressão de que seu assassino teve a mão armada por um desses latifundiários que teimosamente permanecem armados no campo e dispostos a contratarem o primeiro pistoleiro de seu conhecimento. Trata-se … Leia Mais


A canalha

Já não há mais o menor escrúpulo do governo federal: ele declara abertamente que está negociando voto de parlamentares para que estes aprovem suas propostas legislativas, especialmente a criminosa reforma constitucional da Previdência Social. Os governantes impõem aos Governadores dos Estados que façam gestões (pressão, leia-se) a Deputados e Senadores para que estes aprovem suas … Leia Mais


Vitória da Conquista

Adapto texto que escrevi e o publico neste 177º aniversário de nossa cidade: Primeiramente, um rancho com cerca de 60 pessoas, conforme documento de 1780. Em 1817, um arraial com 40 casas e prédio de Igreja em construção, diz o príncipe Maximiliano Wied-Neuwied. As casas estavam construídas nas margens do riacho da Vitória (rio Verruga) … Leia Mais



A Greve dos Trabalhadores na Cultura do Café


Ruy Medeiros (Digitado 10/2002)

Ruy Medeiros- blog do Paulo Nunes

Não se pode fazer uma avaliação do movimento grevista dos trabalhadores na lavoura cafeeira de Vitória da Conquista e Barra do Choça (Ba), sem o estudo da situação concreta dos trabalhadores e de seu estágio atual de organização.

A idade do proletariado rural conquistense, sua composição e origem, sua distribuição (grau de concentração), seus níveis de organização, etc., são fatores que ajudam a compreender o movimento grevista, seus aspectos positivos, seus erros, sua fraqueza.

Este relato salienta alguns aspectos do modo de ser dos trabalhadores rurais de Vitória da Conquista e de Barra do Choça, o momento em que o movimento grevista foi deflagrado e aspectos políticos locais, na forma de anotações, para avaliação (que deve ser trabalho coletivo) da greve dos trabalhadores rurais nas fazendas de café de Vitória da Conquista e Barra do Choça.

Este trabalho se divide em duas partes. Numa Parte são relacionados aspectos que dizem respeito à idade do proletariado rural das referidas localidades, sua composição, grau de organização, origem de sua liderança, distribuição espacial dos trabalhadores, a divisão no seio de suas lideranças, o momento político em que o movimento se desenvolveu, o relacionamento dos trabalhadores com os políticos e o papel da repressão diante do movimento grevista. Na segunda parte, são examinados aspectos diversos relativos ao movimento grevista em si mesmo.

1. Trabalhadores rurais – Tempo e Contexto

1.1 Um proletariado Rural Novo

Durante muito tempo, predominou em Vitória da Conquista e em Barra do Choça e pecuária. Esta atividade rural absorvia – durante todo o ano – pouquíssima mão-de-obra e o trabalhador deixava envolver-se, não faz muito tempo, por tratamento em que o “paternalismo” escamoteava a dura exploração. A ideologia do favor preponderava. O dono da fazenda batizava o filho do vaqueiro e dos “agregados” e o compadrio mascarava a relação de emprego entre ambos: em lugar do empregado, estava o compadre.

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Herberto Sales – 100 Anos


Ruy Medeiros


Em 1971 foi eleito membro da Academia Brasileira de letras e em 1975 assumiu a direção do Instituto Nacional do Livro, que comandou por 11 anos. O escritor também foi assessor da Presidência da Republica por 1 ano, no Governo José Sarney, e ocupou cargo de Adido Cultural  da Embaixada do Brasil na França durante 4 anos.Herberto Azevedo Sales, se estivesse entre nós, completaria 100 anos de idade. Esse grande escritor da Latinoamérica nasceu em 21 de setembro de 1917, em Andarai, na Chapada Diamantina, Bahia. É filho de Heráclito de Sousa Sales Anna de Azevedo Sales. Casou-se com Maria Juraci Xavier Chamusca Sales com a qual deixou os filhos Heloisa, Heitor, Herberto. Estudou no Colégio Antonio Vieira, em Salvador, e retornou a Andarai, terra presente em mais de um de seus romances. Labutou em diversas atividades enquanto sua alma gestava o escritor multitemático que seria: em lides voltadas ao garimpo, transacionando com madeira, criando gado, e em esporádicas atividades comerciais. Não sei (nem isso importa muito) como conseguiu, em 1939 o cargo de Oficial do Registro de Imóveis em sua terra. Passou, nesse mesmo ano, a editar seus escritos (crônicas), nas páginas das revistas Vamos Ler e Carioca. Mudou-se de sua terra para o Rio de Janeiro, onde por vários anos trabalhou para a empresa editora de O Cruzeiro, do grupo de Diários Associados (Assis Chateaubriad). (mais…)


Uma vez tucano, sempre tucano


Ruy Medeiros

Não é de estranhar-se a decisão ampliada do diretório nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
Decidiu o partido permanecer no governo com as benesses dos Cargos que ocupa, porém recorrer ao Supremo Tribunal Federal da decisão do Tribunal Superior Eleitoral que “não cassou a chapa Dilma-Temer”.
De uma beirada do muro, o PSDB fica no Governo; de outra beirada do muro, recorre da decisão que absolveu Temer.
No meio do muro, fica a justificativa: o PSDB permanece para aprovar as reformas trabalhista e previdenciária. No meio do muro está mesmo pior: a defesa da desmontagem do direito do trabalho e a transformação da previdência social em agência de pagamento de auxilio-funeral aos dependentes do segurado-contribuinte (não passa disso).
O PSDB trai seu programa (às favas o programa, basta lê-lo) e adere ao bloco da solução única: as reformas contra a sociedade, como no período da ditadura, são as únicas alternativas. A velha “única solução técnica” da ditadura militar. Trata-se de apoiar um governo sedento de mentiras. Recentemente esse divulgou à exaustão a retomada do crescimento econômico (apenas num setor e sem as tais reformas), vinculando-se a “seus esforços”. Quais? Nas frentes da saúde e da educação promove o crescimento do capital (estímulo aos planos de saúde, grandes complexos hospitalares privados, unidades privadas de ensino superior, etc.). (mais…)


Vândalos! Baderneiros! Vândalos!


 

Ruy Medeiros é professor de Direito Constitucional

Vandalizam nossas mentes, vandalizam nossa consciência, vandalizam esperanças, vandalizam promessas, vandalizam projetos de vida, vandalizam o próprio futuro esperado e prometido.

Mas os senhores que ocupam o poder e levaram ao extremo a privatização do Estado por grupos empresariais não se sentem vândalos quando destroem conquistas trabalhistas, que foram obtidas com sacrifícios e vêm sendo mantidas com lutas e sangue, iniciam (a título de salvá-la) o desmonte da previdência social, que querem transformar em agência de auxílio-funeral a viúvas e miseráveis dependentes.

Os senhores governantes e sua base aliada não se sentem vândalos (e com esse título as grandes redes de comunicação não os tratam) quando entendem ainda representar os eleitores, diante da evidência de que grande parte deles negociou benefícios para grandes grupos, por meio da legislação, foi eleita à base de dinheiro de origem suja.

A grande imprensa não trata como vandalismo o recebimento de propina (cinicamente transmite resumo de defesa dos escandalizadores), como se aquilo não vandalizasse o património difuso e as nossas consciências.

Não serão vândalos e desordeiros esses senhores do poder? Seu vandalismo sobre toda a sociedade não é intenso e destruidor ao extremo?

Não são vândalos a serviço de soluções de força aqueles que desqualificam a atividade política, desqualificam todos de todos os partidos, de forma a não salvar ninguém e nenhum projeto e entregar o comando do Estado a um tiranete? (mais…)


31 de março: Aos que perderam a memória do tempo obscuro


Ruy Medeiros é professor de Direito Constitucional

Em 31 de março (tiveram vergonha de dizer que foi em 1° de abril) um general que se autodenominava “Uma Vaca Fardada”, deu seguimento a demorada conspiração e iniciou a fase concreta de assalto à máquina do Estado.
A partir daí era a ditadura. É difícil definir esse regime de ódio.
Mas, com certeza, sabe-se que a ditadura pode ter definição aproximada a partir de sua forma de agir.
Ela, de logo, proíbe os direitos de opinião e de reunião. Todas as ditaduras o fazem, com ou sem édito prévio.
Ela é contra a dignidade, porque não respeita os atributos da pessoa humana, os trata como objeto dos quais pode dispor ou o quais pode descartar; ela é contra a opinião, porque não aceita o diálogo e a todos trata como inimigos potenciais ou declarados; é contra a reunião, que não a favoreça, porque teme que de várias inteligências surja um consenso para a ação; é contra a arte, por isso censura todas as expressões estéticas; é contra a liberdade, por isso encarcera; é contra a vida, por isso tortura e mata.
A ditadura não é moral. Ao contrário disso, censurar, impedir reunião, tratar pessoas como objetos, impor o reinado do maniqueísmo, encarcerar, tortura e matar, tudo isso representa suprema imoralidade. Mas quanto à chamada probidade no trato da coisa pública, o seu assalto a bens e direitos públicos fica acobertado pelo terror, medo, ameaças, e punição ou morte daqueles que denunciam suas falcatruas. Como não podem ser divulgados, seus agentes posam de honestos, pais da pátria, protetores. (mais…)


Em palpos de aranha


 

 

Ruy Medeiros é Advogado e Doutor em Historiografia

A administração pública municipal de Vitória da Conquista encontra-se em palpos de aranha.
Quando candidato a Prefeito Municipal, o atual gestor prometeu aos condutores de Vans que iria regularizar o serviço que realizavam sem qualquer cobertura legal. Passava a impressão que, assumindo a chefia da gestão pública, logo daria a todos aqueles condutores a possibilidade de continuarem o transporte público de passageiros legalmente e sem transtornos.
É provável que o candidato, hoje chefe do poder executivo local, soubesse que a coisa não podia dar-se por artes de berliques e berloques, pois se espera de qualquer candidato de um município importante que realmente conheça os desafios da administração pública e as limitações que a lei impõe ao trato da coisa pública. Apostou na promessa fácil e no voto dos interessados.
Hoje, é bem difícil que desconheça outros aspectos necessários à prestação do serviço público de transporte de passageiros. Afinal de contas, possui um bom corpo de procuradores jurídicos. Mas, mesmo tendo sido alertado (é o mínimo que se espera dos procuradores, alertar), e conhecendo a capacidade dos procuradores acredito que se manifestaram sobre o assunto, mas a administração continua dando passos e declarações de que oficializará o transporte coletivo de passageiros feitos pelos veículos tipos vans, hoje existente.
Os condutores daqueles veículos que fazem o transporte coletivo, incentivados pela administração municipal, distribuíram linhas, numeraram seus veículos, uniformizaram a pintura desses, ocupam uma garagem e vestem fardamento de trabalho uniformizado, tudo como se fossem verazes concessionários. Tudo às claras.
Recentemente, em programa da rádio, o chefe do executivo municipal, declarou que já está providenciando estacionamento para as vans. Disso e de outras manifestações existem gravações. Dá a coisa como decidida. (mais…)


Da Série O Professor Hemetério e seu detestável Aluno: Décima Conversa


Ruy Medeiros

Alô, alô. Pô, Hemetério! Até que enfim você atende minha chamada ao telefone! Que há? Chiquinho assistiu ao debate de que você participou. Nem perguntei qual a opinião dele. Tenho até medo de que ele vista uma dessas camisas que trazem propaganda do Bolsonaro. O que você está fazendo agora?
Era Isadora (grande mulher, grande mulher) ao telefone.
O professor Hemetério respondeu:
Escuta, o Chiquinho não cometeria esse absurdo. Quanto a mim, vivo em tremendo mal estar diante da desfaçatez política governamental. A coisa está tão retrógrada que simples liberal um pouco esclarecido passa por revolucionário. Para desopilar um pouco estou lendo coisas do Zé Limeira.
– Mas… Zé Limeira, Hemetério?
Sim, veja como ele começou uma de suas aparições em Campina Grande:
“Peço Licença aos prugilos / dos Quelés da Juvenia / dos tolfus dos audíocos / dos Baixos da silencia / do genuíno da Bribria / do grau da grodofobia”.
– Como?! Rararará… Você está brincando… Leia para mim a parte do texto que você escreveu sobre a temerosa propaganda da reforma previdenciária. Pode ser agora, por telefone.
– Então ouça: (mais…)