A caça e a regra

Para Mário, que sabe que a caça possui regras. Ruy Medeiros Eles apareceram e apareceram muito, como queriam aparecer. De integrantes de uma instituição do Estado, eles queriam muito mais: normatizar condutas sob pretexto de melhor aplicar as normas de caçar e punir. Eles – não todos os membros da instituição – foram à caça. … Leia Mais


DIFFICILE EST SATYRAM NON SCRIBERE

Ruy Medeiros Apresso-me na tradução: é difícil não escrever sátiras. Horácio, poeta latino clássico, respondeu a um amigo, em versos, que lhe era difícil não escrever sátiras. A realidade circundante exigia versos satíricos. Vivemos em situação com desafio semelhante àquele com o qual Horácio se defrontou: há coisas que já não desafiam respostas comuns e … Leia Mais


O frasista e o ato

  Ontem, 8.04, o programa de entrevistas mais antigo da TV no Brasil, Roda Viva, da Cultura, conversou com o muito conhecido Delfim Neto por sua capacidade de ironizar e de produzir muitas frases de efeito, um frasista como se dizia. O ex-Ministro, Delfim, criticou as politicas econômicas postas em prática após ditadura militar, mas … Leia Mais


Enterrando ossos

Ruy Medeiros À memoria de Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho Estranha ordem do dia, ou mensagem de co(re)momeração foi lida nos quartéis por determinação do Presidente da República. Dela pode ser feito um resumo naquilo que respeita à história: não houve ditadura no Brasil. Trata-se de negar para esconder algo de que se envergonha? … Leia Mais


Horror & Horror

Ruy Medeiros De tano martelar mensagens conseguiram fazer da reforma da Previdência u’a medida unânime. Unanimidade sobre o desconhecido. Unanimidade sobre o pior. Foram convocados bem pensantes, comunicadores assoldados, jornalistas com ânsia de agradar o governo fardado. Formou-se a santa aliança contra a Previdência Social para salvá-la daqueles que são o seu motivo de ser. … Leia Mais


100 Anos do Falecimento de Meneca Grosso


Ruy Medeiros

Para:
Dilson Ribeiro de Oliveira e Maria Santos Oliveira,
sua esposa, Paulo Márcio Fernandes Cardoso,
Humberto Flores, Ubirajara Brito e
Francisco Paulo Ribeiro Rocha

Há cem anos, na Fazenda Baixa do Arroz, no município de Vitória da Conquista, faleceu Manoel Fernandes de Oliveira, mais conhecido como Maneca Grosso (08 de maio de 1869 – 11 de fevereiro de 1919).
Manoel Fernandes de Oliveira, filho de Manoel Fernandes de Oliveira e de Umbelina Maria de Oliveira, nasceu em 08 de maio de 1869, na Imperial Vila da Vitória, nome que então tinha o Município de Vitória da Conquista. Após o falecimento de seu pai, ocorrido em 18 de fevereiro de 1876, sua mãe contraiu núpcias com Ernesto Dantas Barbosa, pessoa com quem o enteado teve excelente relação.
Maneca Grosso mantinha uma escola em sua fazenda (Baixa do Arroz), onde lecionava. Não teve educação formal, escrevia artigos para jornais (A palavra, de Conquista, e Diário de Noticias, de Salvador, em seção “a pedidos”), professor, poeta, jornalista e político. A politica o envolvia e sua morte tem relação com essa.
Em Vitória da Conquista formaram-se dois grupos políticos: Meletes (oposição) e Peduros (situação). Embora dessas facções participassem pessoas das mesmas famílias e ambas seguissem o Governador J J Seabra, após a morte do coronel Gugé foi impossível controlar o acirramento das divergências. Os grupos possuíam seus veículos de comunicação: O “Conquistense” era porta-voz dos meletes e a “Palavra” representava a orientação dos Peduros. Em antigos e versos satíricos publicados nos jornais, Maneca Grosso atacava fortemente os meletes, especialmente o Coronel Pompilio Nunes, o juiz de Direito da Comarca (Antonio José de Araújo) e o Promotor de Justiça (Virgílio de Paula Tourinho).
A mudança na Constituição Estadual no sentido de tornar o cargo de Intendente (então era o titulo do chefe do Executivo Municipal) de eletivo para de nomeação pelo Governador obstaculizava, no entender dos Meletes, sua ocupação do Governo municipal, pois aquela alteração alimentava o continuísmo. Embora se declarassem seabristas, os meletes gradativamente afastavam-se de Seabra por perceberem que este não os prestigiava.
Em 5 de janeiro de 1919, Maneca Grosso saiu da cidade para a Baixa do Arroz em companhia de Cirilo, seu amigo. Ambos foram emboscados em Simão, localidade entre Campinhos e Baixa do Arroz. Pistoleiros a serviço dos meletes assassinaram Cirilo e espancaram fortemente Maneca Grosso. Este, tomado de grande dor moral e em consequência dos ferimentos veio a falecer em de 11 fevereiro de 1919. (mais…)


Tributo a Heleusa Câmara


Ruy Medeiros

Em antologia organizada por Jaime Martins de Freitas, de julho de 1980 (Poetas Contemporâneos de Vitória da Conquista), Heleusa escreveu em introdução a doze de seus pequenos poemas ali estampados:
Eu me apresento: há 36 anos no dia 14 de maio de 1944, nesta cidade de Vitória da Conquista, num domingo, por sorte de sol, chegava Heleusa, quarta filha de Ubaldino Gusmão Figueira e Maria Stela Morais Figueira.
Vim para ficar, e lutei contra a morte em muitas doenças infantis. Tive uma infância feliz numa conquista de poucas ruas calçadas e muitas brincadeiras de roda, tonga e anelzinho.
Casei-me aos 19 anos com Almir Querino Câmara e temos quatro filhos.
Há oito anos comecei a lecionar História, matéria que me encanta.
Não tenho pretensões literárias e o que faço retrata o que sinto.
Heleusa Figueira Câmara (14/05/1944 – 06/01/2019) marcou fundo Vitória da Conquista. Amada professora de literatura na UESB, destacava-se na cátedra por admitir abordagens diferenciadas dos textos submetidos aos estudantes e por sua capacidade de diálogo com esses. Aliás, capacidade de ouvir e responder a todos, independentemente de colorações ideológicas, religiosas ou de cultura, gênero e etnia. Embora de formação evangélica (Batista), teve como orientador de uma de suas pós-graduações um anarquista, que se tornou seu amigo. Heleusa sempre buscou o saber. Cursou mestrado e doutorado e era militante cultural.
Intelectual incansável: Professora de História (de 1972 a 1980) no Centro Integrado Navarro de Brito, Professora de Português Instrumental e Comunicação, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vice-Reitora dessa, fundadora (com outros escritores) da Academia Conquistense de Letras, a qual presidiu nos biênios 87/88 e 89/90, Presidente do Conselho (Penal) da Comunidade da Comarca de Vitória da Conquista, Secretária Municipal de Educação (gestão do Professor Doutor Historiador José Raimundo Fontes), Coordenadora do Proler (atividade da Biblioteca Nacional) em Vitória da Conquista por vários anos, sócia do Educandário Juvêncio Terra. Heleusa estimulou várias pessoas à atividade da escrita, resultando em publicação (pela qual trabalhava) de livros de ficção e memória.
Fez versos, contos e textos científicos. Sobre o valor de sua produção literária é bom que se diga: livros referenciados por escritores de destaque, inclusive críticos de literatura. Cito o caso de duas de suas obras ficcionais: “Mulheres Acorrentadas” (1982), publicada pela acreditada Editora Cátedra, tem prefácio de Afrânio Coutinho, destacado crítico cujo renome vai além do Brasil, autor de Introdução à Literatura no Brasil, e diretor da obra, em seis volumes, A Literatura no Brasil, dentre outros. “40 graus de outono” (1990), editado pela casa não menos famosa Massao Ohno Editor, tem apresentação de Antonio Carlos Vilaça, consagrado escritor ficcional, memorialista e crítico, e prefácio do poeta (e historiador da literatura) Carlos Nejar.
Heleusa escreveu contos, novela, poemas, texto científico e teatro. Dentre suas obras encontram-se as referidas Mulheres Acorrentadas, 40 Graus de outono, e A Baleia, Contas na Mesa, Fantasia Serrana (duas peças de teatro), Atrás das Paredes e das Grades (sobre a situação de encarceramento).
Almir Querino Câmara, seu marido, hoje viúvo, é engenheiro civil. Tem grande folha de serviços prestados a Vitória da Conquista. Em 1973, a convite do Secretário de Obras, Aliomar Coelho, passou a integrar a equipe do Prefeito Jadiel Matos. Permaneceu no serviço público municipal por trinta e alguns anos, destacando-se por sua competência e probidade. Prestou serviços, na qualidade de engenheiro, à Caixa Econômica Federal, e desenvolveu atividades de produtor rural.
Heleusa deixou filhos: Diana, Mônica, Danilo e Verônica.
A professora Heleusa, assim era mais conhecida, faleceu em 6 de janeiro de 2019, e era profundamente querida e admirada por todos aqueles que a conheceram.


Esse Cientista Político….


Professor Ruy Medeiros

Ruy Medeiros

Causa náusea à inteligência o mote mais repetido desde o resultado das eleições últimas: O país está divido (nunca a sociedade brasileira esteve tão dividida!). Segue-se daí que partido A e políticos B.C.D. dividiram a sociedade.
A credibilidade do mote é amparada em entrevistas e/ou depoimentos de sociólogos é cientistas políticos. Às vezes desrespeitosamente os apresentadores dizem: “esse sociólogo”, “esse cientista político”. Já não se preocupam em nominar, exceto quando se trata de mesas redondas.
No entanto, nenhum sociólogo (falo de sociólogo!) e nenhum cientista político (falo de cientista político!) não ficaria na superfície da coisa, ou na aparência simplesmente fática.
A sociedade está dividida porque é dividida. Essa divisão não é algo atual como, em tentativa ideológica, diversionista, a maioria dos comunicadores sociais fazem os mais apressados crer. Que tal falar em escravidão na Colônia e no Império? Uma sociedade sem profunda divisão? Para não voltar tanto, somente os que fazem jejum de História desconhecem que a ditadura militar instalada em 1964 aprofundou a divisão da sociedade brasileira. Lembram-se de Franco Montoro? Já ouviram falar nele? Esse homem, que foi Senador pelo Estado de São Paulo, denunciava que “no Brasil os ricos nunca foram tão ricos, e os pobres nunca foram tão pobres” e apontava as estatísticas produzidas pela própria ditadura militar, que assemelhavam a divisão de rendas no Brasil àquela existente entre os países mais desiguais do mundo (então, a segunda mais injusta divisão de rendas do mundo!).
Ora, Ora… Esse pessoal sequer suporta que a profunda divisão tenha expressão eleitoral, isto é, nos marcos da democracia burguesa. Se não aceitam a expressão eleitoral da divisão, que pretendem fazer dela?
Um imenso trabalho para reverter a expressão democrático burguesa da divisão foi comandado pelas redes televisivas. A própria expressão, por si mesma, de forma velada, subliminar, passou a ser combatida. Não combatem a eleição livre (a festa da democracia como dizem), mas a sua essência mesma de expressão dos anseios de alguns grupos sociais pobres, ou de opiniões de grupos, que são tidas como radicalização, algo muito nefasto. Combatem-na, mas dizem o contrário. Até a expressão de diferenças dentro da ordem eles não aceitam. A manipulação corre à solta e busca o colapso da consciência. Tomam como objetivo apagar a expressão do conflito e entendem que essa é zona de pensamento perigoso. Pobre democracia. Porém a alegação de provocar divisão só vale se assestada contra alguns, nunca vale contra a direita.
Nada mais propício a isso de que a fala de unidade nacional, de que o amedrontamento, que a preparação às vésperas do novo turno eleitoral do “Brasil ame-o ou deixe-o”. Busca-se o apagamento. (mais…)


Kit Goebbels – (À memoria de Péricles Gusmão Regis)


Professor Ruy Medeiros

O Tribunal Superior Eleitoral obrigou o capitão reformado candidato a Presidência da República a retirar de sua propaganda informação de que o candidato que lhe faz oposição (ou o partido desse) teria criado o kit gay a fim de precocemente induzir crianças a partir de seis anos de idade dirigir sua orientação para a homossexualidade.
O Tribunal deixou evidente que informação do capitão reformado e de seus partidários mais virulentos é gritante mentira.
O capitão não teve a decência de informar a seus eleitores que um de seus fortes argumentos de campanha era uma farsa.
Sei de mães, que não desconfiaram do absurdo do chamado Kit Gay, e direcionaram, em razão da existência dele, seu voto para o capitão reformado. Uma delas disse haver recebido mensagem na qual se esclarecida que dentre os componentes do kit encontravam-se reproduções de pênis e vagina “bem realistas” (sic) que eram entregues à manipulação de crianças.
Toda a mentira foi exaustivamente propagada e, entre indignação e revolta da consciência, mães, avós, tias pais, etc, apoiaram o capitão reformado em sua cruzada contra a deturpação do ensino das crianças na escola com a adoção do kit gay. Não pararam para desconfiar que aquilo não poderia ser verdade.
Seguramente muitos foram vítimas da orientação que Joseph Geobbels fixara para a propaganda nazista: repetir sempre a mentira para que essa se tornasse convenção entre as pessoas. Alguns sintetizavam: a mentira bastante repetida toma ares de verdade. É a orientação que se encontra na base de tudo o que foi divulgado envolvendo a (inverídica) existência do Kit Gay. (mais…)


Um erro


Professor Ruy Medeiros

Diferentemente daquilo que ocorreu em outros países, como a Argentina, por exemplo, o Brasil não puniu responsáveis pelo golpe de estado de 1964, nem por suas práticas sistemáticas de torturas e desaparecimentos contra opositores, na época da ditadura militar.

Provocado a declarar a inconstitucionalidade da lei de anistia quanto ao perdão nessa previsto aos agentes do Poder que praticaram crimes, o Supremo Tribunal Federal acolheu a alegação de anistia recíproca e com isso fechou a possibilidade de punir torturadores, exterminadores e “desaparecedores” de pessoas. É o fato. Foi um grande erro.

Agora, vê-se que um grupo de militares, com apoio de civis que vêm há algum tempo estimulando a intervenção militar (durante a greve dos caminhoneiros isso ficou evidente), aproveita da situação de crise, insegurança e insatisfação popular para eleitoralmente ocupar o poder –esse é claramente o sentido da candidatura de um oficial reformado do exército.

Quem assistiu à propaganda eleitoral daquele nos últimos dias, em horário nobre, e conheça a história do Brasil nos últimos tempos, ou que vive desde os anos sessenta, deve ter percebido nela o mesmo tom com que agia o CCC –Comando de Caça aos Comunistas, grupo que perseguia a todos aqueles que não concordavam com o golpe. Para eles, todos os que não aderiam a golpes ou a golpistas eram comunistas. Como se fazia naquela época contra os adversários, desqualificando-os, a propaganda do capitão reformado ofendeu seu adversário (o que havia feito em postagem anterior qualificando-o de canalha), e se traduz como discurso de intolerância e chamamento à violência.

A propaganda eleitoral do capitão reformado desmente sua mensagem desautorizando a violência. Ele a incita.

Antes da propaganda eleitoral do segundo turno, seu companheiro de chapa, também militar, além de pregar revogação de direitos trabalhistas, prometeu reescrever o conteúdo dos livros didáticos quanto ao sombrio período ditatorial. A mensagem do general vice é clara: ou apaga o conteúdo dos livros ou se faz a versão que ele e seu colega de chapa e farda querem. Da nova versão de “seus” livros de história o general omitirá ou dirá por que torturadores foram perdoados? (mais…)


A fala do General


Professor Ruy Medeiros

A caserna volta à politica. Ontem, dia 09, à noite, a TV Band transmitiu entrevista do General Heleno. Este é o mentor ou um dos mentores do capitão candidato a Presidência da República.
Dentre outras opiniões, o General manifestou contrariedade com audiência de custódia. Trata-se de, presa uma pessoa, ser necessária sua condução a um Juiz de Direito, o qual decidirá sobre sua soltura ou não. Aí vem a batida lamentação de que a Polícia Prende, a Justiça libera. É bom que se diga que sempre que não configurar-se a previsão legal/necessidade da prisão, a pessoa presa deve ser liberada. Isso só é estranhável para quem não é democrata. Já no Século XVI esse tipo de audiência estava contemplada na Lei do Habeas Corpus (Vide História e Prática do Habeas Corpus, de Pontes de Miranda). Somente em sociedade marcada pelo autoritarismo, que não quer vê-lo corrigido, pode-se estranhar tal coisa.
Na entrevista, voltou à tona a proposta de excludência de criminalidade em caso de confronto de militar em atuação de combate ao crime. A questão é que o militar pode chegar já atirando e isso pode, na prática, ser passaporte para execução, como muitas vezes ocorre com a alegação de resistência. E, como já ocorreu muitas vezes, o confronto sequer existe, mas é alegado para justificar execução. (mais…)


Nem sempre…


Professor Ruy Medeiros

O tempo é sombrio. Entre raiva e indignação a consciência obscurece. A escolha pode estar maculada. Quem se dispõe à análise fria e necessária?
Começar a dizer sobre aquilo que Dra. Rosa Weber e os meios de comunicação chamam de “a festa da democracia”, quanto a seus resultados, exige independência de espírito, pois o céu anuncia temporais e pressões. O ódio não vê barreira para imprensar pessoas.
A liberdade de escolha eleitoral não é tudo na democracia e às vezes essa sucumbe exatamente após eleições. O caso clássico é a ascensão de Hitler eleitoralmente ao poder.
Em primeiro lugar, as eleições ocorrem dentro de uma institucionalidade que, por si só, já é limitante. Lembro Gaciliano Ramos que em “Memórias do Cárcere” escreveu: “liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer.”
As recentes eleições com resultado, no primeiro turno, favorável a um capitão reformado que se dá bem com tiradas autoritárias merece que a inteligência fique bastante aberta para que isso (já antecipado por atrocidades) não seja o inicio de uma fase terrível.
É que nem sempre eleições inauguram ou fortalecem democracia (e estou falando mesmo da democracia burguesa tão decantada), pois às vezes elas são meio democrático para destruí-las. E ultimamente o mundo tem visto e sofrido com esse fenômeno.
Em obra recente, Steve Levitsky e Daniel Ziblatt, da Universidade de Harvard, discutem o colapso das democracias, analisam a corrosão da democracia sem golpes (como ocorreu em vários estados nacionais da América Latina – Brasil, Chile, Argentina…), mas por processo insidioso em que são acentuadas obediência à constituição, quanto à letra, não quanto ao espírito. O livro é amparado em pesquisa sobre ocupação do poder, via eleitoral, por lideres que destruíram a democracia. Transcrevo dois pequenos trechos da obra mencionada: (mais…)