Vitória da Conquista

Adapto texto que escrevi e o publico neste 177º aniversário de nossa cidade: Primeiramente, um rancho com cerca de 60 pessoas, conforme documento de 1780. Em 1817, um arraial com 40 casas e prédio de Igreja em construção, diz o príncipe Maximiliano Wied-Neuwied. As casas estavam construídas nas margens do riacho da Vitória (rio Verruga) … Leia Mais



A Greve dos Trabalhadores na Cultura do Café

Ruy Medeiros (Digitado 10/2002) Não se pode fazer uma avaliação do movimento grevista dos trabalhadores na lavoura cafeeira de Vitória da Conquista e Barra do Choça (Ba), sem o estudo da situação concreta dos trabalhadores e de seu estágio atual de organização. A idade do proletariado rural conquistense, sua composição e origem, sua distribuição (grau … Leia Mais


Herberto Sales – 100 Anos

Ruy Medeiros Em 1971 foi eleito membro da Academia Brasileira de letras e em 1975 assumiu a direção do Instituto Nacional do Livro, que comandou por 11 anos. O escritor também foi assessor da Presidência da Republica por 1 ano, no Governo José Sarney, e ocupou cargo de Adido Cultural  da Embaixada do Brasil na … Leia Mais


Uma vez tucano, sempre tucano

Não é de estranhar-se a decisão ampliada do diretório nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Decidiu o partido permanecer no governo com as benesses dos Cargos que ocupa, porém recorrer ao Supremo Tribunal Federal da decisão do Tribunal Superior Eleitoral que “não cassou a chapa Dilma-Temer”. De uma beirada do muro, o PSDB … Leia Mais


Vândalos! Baderneiros! Vândalos!


 

Ruy Medeiros é professor de Direito Constitucional

Vandalizam nossas mentes, vandalizam nossa consciência, vandalizam esperanças, vandalizam promessas, vandalizam projetos de vida, vandalizam o próprio futuro esperado e prometido.

Mas os senhores que ocupam o poder e levaram ao extremo a privatização do Estado por grupos empresariais não se sentem vândalos quando destroem conquistas trabalhistas, que foram obtidas com sacrifícios e vêm sendo mantidas com lutas e sangue, iniciam (a título de salvá-la) o desmonte da previdência social, que querem transformar em agência de auxílio-funeral a viúvas e miseráveis dependentes.

Os senhores governantes e sua base aliada não se sentem vândalos (e com esse título as grandes redes de comunicação não os tratam) quando entendem ainda representar os eleitores, diante da evidência de que grande parte deles negociou benefícios para grandes grupos, por meio da legislação, foi eleita à base de dinheiro de origem suja.

A grande imprensa não trata como vandalismo o recebimento de propina (cinicamente transmite resumo de defesa dos escandalizadores), como se aquilo não vandalizasse o património difuso e as nossas consciências.

Não serão vândalos e desordeiros esses senhores do poder? Seu vandalismo sobre toda a sociedade não é intenso e destruidor ao extremo?

Não são vândalos a serviço de soluções de força aqueles que desqualificam a atividade política, desqualificam todos de todos os partidos, de forma a não salvar ninguém e nenhum projeto e entregar o comando do Estado a um tiranete? (mais…)


31 de março: Aos que perderam a memória do tempo obscuro


Ruy Medeiros é professor de Direito Constitucional

Em 31 de março (tiveram vergonha de dizer que foi em 1° de abril) um general que se autodenominava “Uma Vaca Fardada”, deu seguimento a demorada conspiração e iniciou a fase concreta de assalto à máquina do Estado.
A partir daí era a ditadura. É difícil definir esse regime de ódio.
Mas, com certeza, sabe-se que a ditadura pode ter definição aproximada a partir de sua forma de agir.
Ela, de logo, proíbe os direitos de opinião e de reunião. Todas as ditaduras o fazem, com ou sem édito prévio.
Ela é contra a dignidade, porque não respeita os atributos da pessoa humana, os trata como objeto dos quais pode dispor ou o quais pode descartar; ela é contra a opinião, porque não aceita o diálogo e a todos trata como inimigos potenciais ou declarados; é contra a reunião, que não a favoreça, porque teme que de várias inteligências surja um consenso para a ação; é contra a arte, por isso censura todas as expressões estéticas; é contra a liberdade, por isso encarcera; é contra a vida, por isso tortura e mata.
A ditadura não é moral. Ao contrário disso, censurar, impedir reunião, tratar pessoas como objetos, impor o reinado do maniqueísmo, encarcerar, tortura e matar, tudo isso representa suprema imoralidade. Mas quanto à chamada probidade no trato da coisa pública, o seu assalto a bens e direitos públicos fica acobertado pelo terror, medo, ameaças, e punição ou morte daqueles que denunciam suas falcatruas. Como não podem ser divulgados, seus agentes posam de honestos, pais da pátria, protetores. (mais…)


Em palpos de aranha


 

 

Ruy Medeiros é Advogado e Doutor em Historiografia

A administração pública municipal de Vitória da Conquista encontra-se em palpos de aranha.
Quando candidato a Prefeito Municipal, o atual gestor prometeu aos condutores de Vans que iria regularizar o serviço que realizavam sem qualquer cobertura legal. Passava a impressão que, assumindo a chefia da gestão pública, logo daria a todos aqueles condutores a possibilidade de continuarem o transporte público de passageiros legalmente e sem transtornos.
É provável que o candidato, hoje chefe do poder executivo local, soubesse que a coisa não podia dar-se por artes de berliques e berloques, pois se espera de qualquer candidato de um município importante que realmente conheça os desafios da administração pública e as limitações que a lei impõe ao trato da coisa pública. Apostou na promessa fácil e no voto dos interessados.
Hoje, é bem difícil que desconheça outros aspectos necessários à prestação do serviço público de transporte de passageiros. Afinal de contas, possui um bom corpo de procuradores jurídicos. Mas, mesmo tendo sido alertado (é o mínimo que se espera dos procuradores, alertar), e conhecendo a capacidade dos procuradores acredito que se manifestaram sobre o assunto, mas a administração continua dando passos e declarações de que oficializará o transporte coletivo de passageiros feitos pelos veículos tipos vans, hoje existente.
Os condutores daqueles veículos que fazem o transporte coletivo, incentivados pela administração municipal, distribuíram linhas, numeraram seus veículos, uniformizaram a pintura desses, ocupam uma garagem e vestem fardamento de trabalho uniformizado, tudo como se fossem verazes concessionários. Tudo às claras.
Recentemente, em programa da rádio, o chefe do executivo municipal, declarou que já está providenciando estacionamento para as vans. Disso e de outras manifestações existem gravações. Dá a coisa como decidida. (mais…)


Da Série O Professor Hemetério e seu detestável Aluno: Décima Conversa


Ruy Medeiros

Alô, alô. Pô, Hemetério! Até que enfim você atende minha chamada ao telefone! Que há? Chiquinho assistiu ao debate de que você participou. Nem perguntei qual a opinião dele. Tenho até medo de que ele vista uma dessas camisas que trazem propaganda do Bolsonaro. O que você está fazendo agora?
Era Isadora (grande mulher, grande mulher) ao telefone.
O professor Hemetério respondeu:
Escuta, o Chiquinho não cometeria esse absurdo. Quanto a mim, vivo em tremendo mal estar diante da desfaçatez política governamental. A coisa está tão retrógrada que simples liberal um pouco esclarecido passa por revolucionário. Para desopilar um pouco estou lendo coisas do Zé Limeira.
– Mas… Zé Limeira, Hemetério?
Sim, veja como ele começou uma de suas aparições em Campina Grande:
“Peço Licença aos prugilos / dos Quelés da Juvenia / dos tolfus dos audíocos / dos Baixos da silencia / do genuíno da Bribria / do grau da grodofobia”.
– Como?! Rararará… Você está brincando… Leia para mim a parte do texto que você escreveu sobre a temerosa propaganda da reforma previdenciária. Pode ser agora, por telefone.
– Então ouça: (mais…)


Da Série O Professor Hemetério e seu detestável Aluno – Nona Conversa


 

Ruy Medeiros

– Hemetério, Ó Hemetério, estou entrando, dá licença.

Era Isadora que entrava na casa do velho professor.

– Ora, ora, Isadora. Vou parafrasear os versos de Manuel Bandeira:

Imagino Isadora, entrando no céu:

– Licença, meu branco!

E são Pedro bonachão:

– Entra Isadora. Você não precisa pedir licença.

– Acontece Hemetério que eu não sou Irene de Manuel Bandeira. Vejo que você está transcrevendo versos de Afonso Romano de Santana, e não de Bandeira.

– De fato. É do Afonso:

Mentiram-me. Mentiram-me ontem e hoje mentem novamente. Mentem de corpo e alma, completamente.

E mentem de maneira tão pungente que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, Impune/mente.

Não mentem tristes. Alegremente

Mentem. Mentem tão nacional/mente.

Que acham que mentindo história afora vão enganar a morte eterna/mente”. (mais…)


Da Série O Professor Hemetério e seu detestável Aluno- Oitava Conversa


O Professor Hemetério leu o texto que havia preparado a pedido da escola de sua rua. “O texto deve ser pequeno, professor, será colocado no mural junto a outros”, avisaram-no. Ele escreveu:
Neste 14 de março, devemos comemorar os 170 anos de nascimento de Antonio de Castro Alves, que nasceu em 1847 e faleceu em 6 de julho de 1871. Viveu pouco, amou muito, e tornou-se o poeta mais lembrado do Brasil.
Aqui eu escrevo sobre um dos atributos do poeta: a generosidade, em verdade, a solidariedade, que perpassa sua poesia e vida, dando pequeno exemplo.
A França foi derrotada na Batalha de Sedan pelas forças da Alemanha, em 01.9.1870. A fome passou a campear na França e as vítimas maiores eram as crianças. Fome. Fome. Franceses criaram o Comitê du Pain (Comitê do Pão) para angariar recursos para os necessitados.
A comunidade e o consulado franceses na Bahia, como em outros lugares, convocaram ato público (meeting) para angariar contribuições para as crianças francesas que passavam fome, para o dia 9 de fevereiro de 1871. (mais…)


Da Série “O Professor Hemetério e seu detestável Aluno” – Sétima Conversa


Ruy Medeiros

… Plash peat raash pal… O professor Hemetério levantou os olhos do jornal e olhou em direção ao passeio, de onde vinha o som de algum arrasto ou batida.
Só podia ser o Chav…, o Chiquinho, disse. E reparou melhor: a bicicleta do detestável aluno, conduzida sobre o passeio, colidiu sobre braço e sacola do bravo professor Andrade. E era de esperar que Andrade estivesse levando para distribuir, os livrinhos de cordel. Em cima do passeio espelharam-se “O Cantor e a Meretriz”, “Juvenal e o Dragão”, “O Soldado Jogador”, “Vicente, o Rei dos Ladrões”, “Canção de Fogo”, “A chegada de Lampião ao Inferno”, e outros. Uma verdadeira antologia da poesia popular. O professor ajudou Andrade a recolher os livros.
– O passeio é do pedestre, rapaz! Disse alguém. Chiquinho retrucou: não tem ciclovia, o moço quer que eu ande pela rua pra ser atropelado? E, logo, dirigindo-se ao professor:
O senhor sabe que querem destruir uma das principais ciclovias da cidade? É uma das maiores. Eu li na internet.
O professor, embora um tanto incrédulo com o absurdo, resolveu deitar comentário.
Ora, Chiquinho, as ciclovias apareceram como uma das principais vias para mobilidade humana. Elas estão nas principais cidades. Algumas metrópoles possuem bicicletário para que pessoas peguem uma bicicleta até outro bairro, onde o veículo é entregue, em outro bicicletário. Já há ciclovias entre cidades e cuida-se de executá-las entre países. Evita acidentes entre usuários e veículos maiores, serve a veículo não poluente, econômico, vinculado ao desenvolvimento físico. Algumas são utilizadas para a prática de esportes, ciclismo. Destruir ciclovia atenta contra o interesse do povo e de sua parca economia, contra o meio ambiente, contra a liberdade de escolha de seu meio de locomoção. Há planejadores urbanos que elaboram plano cicloviário, e quando projetam vias e sua hierarquia, estabelecem o plano cicloviário. (mais…)