Fernando Santa Cruz, Presente!

Há exatamente quatro meses, participei da banca da tese defendida por Gilneide de Oliveira Padre Lima: ‘Do corpo insepulto à luta por memória, verdade e justiça: um estudo do caso de Dinaelza Coqueiro’. A então doutoranda falou analiticamente do destino daquela conquistense nascida no São Sebastião, filha de Junília Soares Santana e Antônio Pereira Santana, … Leia Mais


Defender a UESB

A quem interessa a existência da UESB? Eu não faria esta pergunta nem a proporia ao leitor há décadas atrás. Eu e várias outras pessoas estávamos presentes e participando da luta pela criação de cursos superiores em Vitória da Conquista, para isso, por convocação de Jadiel Matos, Prefeito Municipal, foi criada a Fundação Educacional de … Leia Mais


Decretos Ilegais criam Parque Ambiental do Rio Verruga

  *Ruy Medeiros O senhor Prefeito Municipal de Vitória da Conquista, por meio dos Decretos n°s 18.720/2018 e 19.394/2019, criou o Parque Ambiental do Rio Verruga. Os referidos decretos são totalmente ilegais e, inclusive, a Câmara Municipal, por meio de Decreto Legislativo, pode torná-los inexistentes, isto é anulá-los. Basta aprovar projeto de decreto legislativo de … Leia Mais


A caça e a regra

Para Mário, que sabe que a caça possui regras. Ruy Medeiros Eles apareceram e apareceram muito, como queriam aparecer. De integrantes de uma instituição do Estado, eles queriam muito mais: normatizar condutas sob pretexto de melhor aplicar as normas de caçar e punir. Eles – não todos os membros da instituição – foram à caça. … Leia Mais


DIFFICILE EST SATYRAM NON SCRIBERE

Ruy Medeiros Apresso-me na tradução: é difícil não escrever sátiras. Horácio, poeta latino clássico, respondeu a um amigo, em versos, que lhe era difícil não escrever sátiras. A realidade circundante exigia versos satíricos. Vivemos em situação com desafio semelhante àquele com o qual Horácio se defrontou: há coisas que já não desafiam respostas comuns e … Leia Mais


O frasista e o ato


Professor Ruy Medeiros

 

Ontem, 8.04, o programa de entrevistas mais antigo da TV no Brasil, Roda Viva, da Cultura, conversou com o muito conhecido Delfim Neto por sua capacidade de ironizar e de produzir muitas frases de efeito, um frasista como se dizia.
O ex-Ministro, Delfim, criticou as politicas econômicas postas em prática após ditadura militar, mas elogiou o Plano Real ao qual, no entanto, fez reparos à política de câmbio escorada na taxa de juros.
Mas, o que aqui me interessa é aquilo que o ex-ministro (quase Primeiro Ministro) de alguns governos militares opinou sobre o Ato Institucional n° 5, de 1968. Delfim Neto disse não estar arrependido por aceita-lo e destacou o fato de que a proibição de Habeas Corpus aos presos e detidos por atos de natureza politica era uma garantia (!!!). Segundo o economista entrevistado, a supressão da garantia do Habeas Corpus significava que o Estado assumia toda a responsabilidade pelo preso e por sua integridade.
Nunca se ouviu uma falácia tão grande como a apreciação de Delfim em relação à proibição de juízes deferirem Habeas Corpus a aprisionados com motivação politica. Habeas Corpus é garantia democrática, garante a liberdade, inclusive a autonomia de conduta.
Historicamente, aquela apreciação do economista entrevistado é falsificação: a supressão do Habeas Corpus não garantiu o preso, nem sua proteção pelo Estado. Ao contrário disso, muitos presos foram torturados e assassinados nas prisões da ditadura militar, muitos foram tirados das prisões e assassinados. A história é bem conhecida.
O ex-ministro deixou de falar sobre outras atrocidades permitidas pelo Ato Institucional n° 5, depois incorporado à Constituição por sua Emenda n° 01/89, dentre as quais: permissão ao Presidente ditador para cassar mandatos, suspender direitos políticos, expropriar bens, decretar recesso do Congresso Nacional, expropriar bens de particulares, decretar como de segurança nacional municípios e indicar seu prefeito etc.
É sempre bom lembrar, pois estamos vivendo numa fase obscura de nossa história onde se pretende até negar a existência da ditadura militar e suas atrocidades.
P.S. Caiu o Ministro da Educação e já foi substituído. O atual é aquele que, em evento público e concorrido, declarou que as grandes empresas brasileiras e a grande imprensa do Brasil são controladas por empresários comunistas. De uma sátira na qual Horácio, velho poeta latino, respondia a um amigo que, diante da situação existente em sua sociedade, era difícil não agir como ele agia, ficou a conclusão assim sintetizada: é difícil não escrever sátira. É isso, diante da situação politica atual é difícil não fazer sátira. Stanilaw Ponte Preta (Sérgio Porto) faz falta.

Ruy Medeiros


Enterrando ossos


Ruy Medeiros
À memoria de Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho

Estranha ordem do dia, ou mensagem de co(re)momeração foi lida nos quartéis por determinação do Presidente da República. Dela pode ser feito um resumo naquilo que respeita à história: não houve ditadura no Brasil.
Trata-se de negar para esconder algo de que se envergonha?
Em verdade, cabe pedido de desculpas, no mínimo, por aqueles que impuseram a ditadura:
Desculpa por atentar contra a democracia: depondo Presidente eleito cujos poderes, depois de limitados, foram restituídos pelos eleitores em plebiscito; cassando mandatos legislativos e executivos legitimamente conquistados em eleições; suspendendo direitos políticos; estabelecendo eleições indiretas para governadores e senadores (uma cadeira por Estado federado); extinguindo partidos políticos; impondo a um Congresso um Presidente e uma Constituição, para que esse os aprovasse sem recurso à recusa; impondo Decretos-leis aprovados por decurso de prazo;
Desculpa por atentar contra a ciência, a cultura, a inteligência, liberdade de pensar, cantar, ler e liberdade de informar: censurando livros, músicas, teatro, filmes, jornais e revistas; expulsando professores, estudantes e cientistas das escolas e universidades, impondo a necessidade de exilio a intelectuais, isto é, impedindo a vivência democrática.
Desculpa por atentar contra a liberdade: vigiando, coagindo, prendendo e ameaçando pessoas e grupos.
Desculpa por atentar contra a vida: matando e torturando.
Desculpa por fazer isso tudo e deixar como herança: pesada dívida pública, impedindo investimentos necessários para a implementação de direitos sociais; não esclarecimento de crimes perpetrados pelo poder, luto incerto, sofrimento, nódoa marcante e indelével na história do País;
Agora, como se não bastassem luto mal realizado e corpos ocultados, ao invés da voz da verdade – a negativa dessa.
Ossos, como em Perús, que eram enterrados clandestinamente com finalidade de apagar crimes de governantes, agora têm como sequência o vergonhoso enterro da verdade. Em nota, os ossos da verdade são sepultados à luz do dia, negando ossos escondidos.
Enterro da verdade feito ao modelo de qualquer república banana.
Antígona, filha de Édipo, foi proibida por Creonte de dar sepultura a seu irmão. Ergueu-se no entanto contra a proibição de seu tio e lançou terra sobre o cadáver insepulto que se destinava a ser pasto de abutres. Antígona foi punida: viva foi enterrada no túmulo dos labdácidas (ancestrais de Édipo).
Lá, na Grécia, o fato é lendário. E aqui?
O poder muitas vezes não devolveu corpos no Brasil e as Antígonas brasileiras não receberam sequer desculpas, no entanto, tanto tempo é passado.
Recebemos elas e nós a abominável mentira.
A ditadura também é isso, senhores. Ela existiu, deixou herança e herdeiros:
Esses que negam sua existência.


Horror & Horror


Professor Ruy Medeiros

Ruy Medeiros
De tano martelar mensagens conseguiram fazer da reforma da Previdência u’a medida unânime. Unanimidade sobre o desconhecido. Unanimidade sobre o pior. Foram convocados bem pensantes, comunicadores assoldados, jornalistas com ânsia de agradar o governo fardado. Formou-se a santa aliança contra a Previdência Social para salvá-la daqueles que são o seu motivo de ser. Não se enuncia sequer o qualificativo social, pois isso pode direcionar o pensamento para outro modelo de análise, ou provocar alguma comiseração.
Depois de tornar a reforma uma unanimidade (falsa unanimidade), outra farsa se ergueu: somente aqueles que são contra o Brasil estão contra a reforma da Previdência Social. Agora é esse discurso patriopança que vale. Ser contra o próprio país, que crime! Não falta muito para os farsantes dizerem que aquele que é contra a reforma é um inimigo interno e que deve ser processado na forma da Lei de Segurança Nacional (lei da época da ditadura militar que alguns membros do Ministério Público consideram que foi recepcionada pela Constituição de 1988!). Lei de Segurança contra esses agitadores anti-reforma, brada a horda governante.
E a farsa segue seu curso.
A reforma será deliberada por um Congresso Nacional cujos integrantes, em sua maioria, não precisam de Previdência Social, têm como safar-se bem.
Quando da luta contra a ditadura militar, muito se falou em aposentadoria que considerasse que os mais idosos estavam mais sujeitos a enfermidades, precisavam alimentar-se bem e ter conforto, casa asseada, adquirir medicamentos, etc. Falava-se então de Welfare State – Estado de bem estar social.
Agora se diz que para salvar a Previdência Social é necessário que se aniquilem os pensionistas, aumente seu tempo de contribuição e diminua o valor da pensão.
Cinicamente os senhores escravocratas falam em acabar com os privilégios. Privilégios de quem? Há muitos que foram lesados pela forma inconstitucional (validada pelo STF) de reajuste de pensão e beneficio que não preserva o seu poder de compra. Há inúmeras ações contra o INSS junto à Justiça Federal, muitas das quais julgadas a favor dos contribuintes, com justiça, provocadas por erros da seguridade que aumentaram suas despesas. (mais…)


100 Anos do Falecimento de Meneca Grosso


Ruy Medeiros

Para:
Dilson Ribeiro de Oliveira e Maria Santos Oliveira,
sua esposa, Paulo Márcio Fernandes Cardoso,
Humberto Flores, Ubirajara Brito e
Francisco Paulo Ribeiro Rocha

Há cem anos, na Fazenda Baixa do Arroz, no município de Vitória da Conquista, faleceu Manoel Fernandes de Oliveira, mais conhecido como Maneca Grosso (08 de maio de 1869 – 11 de fevereiro de 1919).
Manoel Fernandes de Oliveira, filho de Manoel Fernandes de Oliveira e de Umbelina Maria de Oliveira, nasceu em 08 de maio de 1869, na Imperial Vila da Vitória, nome que então tinha o Município de Vitória da Conquista. Após o falecimento de seu pai, ocorrido em 18 de fevereiro de 1876, sua mãe contraiu núpcias com Ernesto Dantas Barbosa, pessoa com quem o enteado teve excelente relação.
Maneca Grosso mantinha uma escola em sua fazenda (Baixa do Arroz), onde lecionava. Não teve educação formal, escrevia artigos para jornais (A palavra, de Conquista, e Diário de Noticias, de Salvador, em seção “a pedidos”), professor, poeta, jornalista e político. A politica o envolvia e sua morte tem relação com essa.
Em Vitória da Conquista formaram-se dois grupos políticos: Meletes (oposição) e Peduros (situação). Embora dessas facções participassem pessoas das mesmas famílias e ambas seguissem o Governador J J Seabra, após a morte do coronel Gugé foi impossível controlar o acirramento das divergências. Os grupos possuíam seus veículos de comunicação: O “Conquistense” era porta-voz dos meletes e a “Palavra” representava a orientação dos Peduros. Em antigos e versos satíricos publicados nos jornais, Maneca Grosso atacava fortemente os meletes, especialmente o Coronel Pompilio Nunes, o juiz de Direito da Comarca (Antonio José de Araújo) e o Promotor de Justiça (Virgílio de Paula Tourinho).
A mudança na Constituição Estadual no sentido de tornar o cargo de Intendente (então era o titulo do chefe do Executivo Municipal) de eletivo para de nomeação pelo Governador obstaculizava, no entender dos Meletes, sua ocupação do Governo municipal, pois aquela alteração alimentava o continuísmo. Embora se declarassem seabristas, os meletes gradativamente afastavam-se de Seabra por perceberem que este não os prestigiava.
Em 5 de janeiro de 1919, Maneca Grosso saiu da cidade para a Baixa do Arroz em companhia de Cirilo, seu amigo. Ambos foram emboscados em Simão, localidade entre Campinhos e Baixa do Arroz. Pistoleiros a serviço dos meletes assassinaram Cirilo e espancaram fortemente Maneca Grosso. Este, tomado de grande dor moral e em consequência dos ferimentos veio a falecer em de 11 fevereiro de 1919. (mais…)


Tributo a Heleusa Câmara


Ruy Medeiros

Em antologia organizada por Jaime Martins de Freitas, de julho de 1980 (Poetas Contemporâneos de Vitória da Conquista), Heleusa escreveu em introdução a doze de seus pequenos poemas ali estampados:
Eu me apresento: há 36 anos no dia 14 de maio de 1944, nesta cidade de Vitória da Conquista, num domingo, por sorte de sol, chegava Heleusa, quarta filha de Ubaldino Gusmão Figueira e Maria Stela Morais Figueira.
Vim para ficar, e lutei contra a morte em muitas doenças infantis. Tive uma infância feliz numa conquista de poucas ruas calçadas e muitas brincadeiras de roda, tonga e anelzinho.
Casei-me aos 19 anos com Almir Querino Câmara e temos quatro filhos.
Há oito anos comecei a lecionar História, matéria que me encanta.
Não tenho pretensões literárias e o que faço retrata o que sinto.
Heleusa Figueira Câmara (14/05/1944 – 06/01/2019) marcou fundo Vitória da Conquista. Amada professora de literatura na UESB, destacava-se na cátedra por admitir abordagens diferenciadas dos textos submetidos aos estudantes e por sua capacidade de diálogo com esses. Aliás, capacidade de ouvir e responder a todos, independentemente de colorações ideológicas, religiosas ou de cultura, gênero e etnia. Embora de formação evangélica (Batista), teve como orientador de uma de suas pós-graduações um anarquista, que se tornou seu amigo. Heleusa sempre buscou o saber. Cursou mestrado e doutorado e era militante cultural.
Intelectual incansável: Professora de História (de 1972 a 1980) no Centro Integrado Navarro de Brito, Professora de Português Instrumental e Comunicação, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vice-Reitora dessa, fundadora (com outros escritores) da Academia Conquistense de Letras, a qual presidiu nos biênios 87/88 e 89/90, Presidente do Conselho (Penal) da Comunidade da Comarca de Vitória da Conquista, Secretária Municipal de Educação (gestão do Professor Doutor Historiador José Raimundo Fontes), Coordenadora do Proler (atividade da Biblioteca Nacional) em Vitória da Conquista por vários anos, sócia do Educandário Juvêncio Terra. Heleusa estimulou várias pessoas à atividade da escrita, resultando em publicação (pela qual trabalhava) de livros de ficção e memória.
Fez versos, contos e textos científicos. Sobre o valor de sua produção literária é bom que se diga: livros referenciados por escritores de destaque, inclusive críticos de literatura. Cito o caso de duas de suas obras ficcionais: “Mulheres Acorrentadas” (1982), publicada pela acreditada Editora Cátedra, tem prefácio de Afrânio Coutinho, destacado crítico cujo renome vai além do Brasil, autor de Introdução à Literatura no Brasil, e diretor da obra, em seis volumes, A Literatura no Brasil, dentre outros. “40 graus de outono” (1990), editado pela casa não menos famosa Massao Ohno Editor, tem apresentação de Antonio Carlos Vilaça, consagrado escritor ficcional, memorialista e crítico, e prefácio do poeta (e historiador da literatura) Carlos Nejar.
Heleusa escreveu contos, novela, poemas, texto científico e teatro. Dentre suas obras encontram-se as referidas Mulheres Acorrentadas, 40 Graus de outono, e A Baleia, Contas na Mesa, Fantasia Serrana (duas peças de teatro), Atrás das Paredes e das Grades (sobre a situação de encarceramento).
Almir Querino Câmara, seu marido, hoje viúvo, é engenheiro civil. Tem grande folha de serviços prestados a Vitória da Conquista. Em 1973, a convite do Secretário de Obras, Aliomar Coelho, passou a integrar a equipe do Prefeito Jadiel Matos. Permaneceu no serviço público municipal por trinta e alguns anos, destacando-se por sua competência e probidade. Prestou serviços, na qualidade de engenheiro, à Caixa Econômica Federal, e desenvolveu atividades de produtor rural.
Heleusa deixou filhos: Diana, Mônica, Danilo e Verônica.
A professora Heleusa, assim era mais conhecida, faleceu em 6 de janeiro de 2019, e era profundamente querida e admirada por todos aqueles que a conheceram.


Esse Cientista Político….


Professor Ruy Medeiros

Ruy Medeiros

Causa náusea à inteligência o mote mais repetido desde o resultado das eleições últimas: O país está divido (nunca a sociedade brasileira esteve tão dividida!). Segue-se daí que partido A e políticos B.C.D. dividiram a sociedade.
A credibilidade do mote é amparada em entrevistas e/ou depoimentos de sociólogos é cientistas políticos. Às vezes desrespeitosamente os apresentadores dizem: “esse sociólogo”, “esse cientista político”. Já não se preocupam em nominar, exceto quando se trata de mesas redondas.
No entanto, nenhum sociólogo (falo de sociólogo!) e nenhum cientista político (falo de cientista político!) não ficaria na superfície da coisa, ou na aparência simplesmente fática.
A sociedade está dividida porque é dividida. Essa divisão não é algo atual como, em tentativa ideológica, diversionista, a maioria dos comunicadores sociais fazem os mais apressados crer. Que tal falar em escravidão na Colônia e no Império? Uma sociedade sem profunda divisão? Para não voltar tanto, somente os que fazem jejum de História desconhecem que a ditadura militar instalada em 1964 aprofundou a divisão da sociedade brasileira. Lembram-se de Franco Montoro? Já ouviram falar nele? Esse homem, que foi Senador pelo Estado de São Paulo, denunciava que “no Brasil os ricos nunca foram tão ricos, e os pobres nunca foram tão pobres” e apontava as estatísticas produzidas pela própria ditadura militar, que assemelhavam a divisão de rendas no Brasil àquela existente entre os países mais desiguais do mundo (então, a segunda mais injusta divisão de rendas do mundo!).
Ora, Ora… Esse pessoal sequer suporta que a profunda divisão tenha expressão eleitoral, isto é, nos marcos da democracia burguesa. Se não aceitam a expressão eleitoral da divisão, que pretendem fazer dela?
Um imenso trabalho para reverter a expressão democrático burguesa da divisão foi comandado pelas redes televisivas. A própria expressão, por si mesma, de forma velada, subliminar, passou a ser combatida. Não combatem a eleição livre (a festa da democracia como dizem), mas a sua essência mesma de expressão dos anseios de alguns grupos sociais pobres, ou de opiniões de grupos, que são tidas como radicalização, algo muito nefasto. Combatem-na, mas dizem o contrário. Até a expressão de diferenças dentro da ordem eles não aceitam. A manipulação corre à solta e busca o colapso da consciência. Tomam como objetivo apagar a expressão do conflito e entendem que essa é zona de pensamento perigoso. Pobre democracia. Porém a alegação de provocar divisão só vale se assestada contra alguns, nunca vale contra a direita.
Nada mais propício a isso de que a fala de unidade nacional, de que o amedrontamento, que a preparação às vésperas do novo turno eleitoral do “Brasil ame-o ou deixe-o”. Busca-se o apagamento. (mais…)


Kit Goebbels – (À memoria de Péricles Gusmão Regis)


Professor Ruy Medeiros

O Tribunal Superior Eleitoral obrigou o capitão reformado candidato a Presidência da República a retirar de sua propaganda informação de que o candidato que lhe faz oposição (ou o partido desse) teria criado o kit gay a fim de precocemente induzir crianças a partir de seis anos de idade dirigir sua orientação para a homossexualidade.
O Tribunal deixou evidente que informação do capitão reformado e de seus partidários mais virulentos é gritante mentira.
O capitão não teve a decência de informar a seus eleitores que um de seus fortes argumentos de campanha era uma farsa.
Sei de mães, que não desconfiaram do absurdo do chamado Kit Gay, e direcionaram, em razão da existência dele, seu voto para o capitão reformado. Uma delas disse haver recebido mensagem na qual se esclarecida que dentre os componentes do kit encontravam-se reproduções de pênis e vagina “bem realistas” (sic) que eram entregues à manipulação de crianças.
Toda a mentira foi exaustivamente propagada e, entre indignação e revolta da consciência, mães, avós, tias pais, etc, apoiaram o capitão reformado em sua cruzada contra a deturpação do ensino das crianças na escola com a adoção do kit gay. Não pararam para desconfiar que aquilo não poderia ser verdade.
Seguramente muitos foram vítimas da orientação que Joseph Geobbels fixara para a propaganda nazista: repetir sempre a mentira para que essa se tornasse convenção entre as pessoas. Alguns sintetizavam: a mentira bastante repetida toma ares de verdade. É a orientação que se encontra na base de tudo o que foi divulgado envolvendo a (inverídica) existência do Kit Gay. (mais…)