Um erro

Diferentemente daquilo que ocorreu em outros países, como a Argentina, por exemplo, o Brasil não puniu responsáveis pelo golpe de estado de 1964, nem por suas práticas sistemáticas de torturas e desaparecimentos contra opositores, na época da ditadura militar. Provocado a declarar a inconstitucionalidade da lei de anistia quanto ao perdão nessa previsto aos agentes … Leia Mais


A fala do General

A caserna volta à politica. Ontem, dia 09, à noite, a TV Band transmitiu entrevista do General Heleno. Este é o mentor ou um dos mentores do capitão candidato a Presidência da República. Dentre outras opiniões, o General manifestou contrariedade com audiência de custódia. Trata-se de, presa uma pessoa, ser necessária sua condução a um … Leia Mais


Nem sempre…

O tempo é sombrio. Entre raiva e indignação a consciência obscurece. A escolha pode estar maculada. Quem se dispõe à análise fria e necessária? Começar a dizer sobre aquilo que Dra. Rosa Weber e os meios de comunicação chamam de “a festa da democracia”, quanto a seus resultados, exige independência de espírito, pois o céu … Leia Mais


A patrulha

Chega-me aos olhos a troca de mensagem em que duas adultas tecem considerações sobre a atitude de um comerciante que, em seu automóvel, afixou propaganda eleitoral. Trata-se de comerciante filho de comerciante, com grau de parentesco com elas, que trabalha desde criança, é querido na cidade, e ele e irmãos sempre cultivaram o bom trato … Leia Mais


Dom Celso José Pinto da Silva

Por Ruy Medeiros Faleceu, em Teresina, Piauí, Dom Celso. Morre no Estado nordestino que o acolheu com grande camaradagem, quando deixou a Diocese de Vitória da Conquista para viver sua missão no Arcebispado da Capital do Piauí. Aí, inclusive, foi eleito membro da Academia de Letras. Dom Celso, antes de dirigir a Diocese Conquistense atuou … Leia Mais


Mulheres em Combate


Rui Medeiros

Mulheres Conquistenses estão convocando uma passeata/manifestação para o próximo dia de sábado, 29 de setembro, em Vitória da Conquista, pela manhã. O mesmo, conforme elas asseguram, ocorrerá em várias partes do Brasil e mesmo em cidades do exterior.
O foco contra o qual as mulheres protestarão no evento de sábado é Bolsonaro e suas “ideias”.
O capitão candidato cresceu nas pesquisas e isso é preocupante. Além daquilo que expressa, seu candidato a vice fala em adoção de outra Constituição sem constituinte e isso, em outras palavras, é anúncio de um Golpe de Estado. O postulante ao cargo máximo da República, que promete um ministério fardado, por mais de uma vez indicou que sua referência nas forças armadas é Carlos Brilhante Ulstra, militar que dirigiu o DOI-CODI, em São Paulo, órgão de repressão direta maior sob a ditadura militar, responsável por torturas de presos políticos, jovens de ambos os sexos, adultos, idosos, religiosos ou não religiosos. Há mesmo, com as torturas, prática de estupro contra mulheres presas.
O candidato capitão, ou capitão candidato, apresenta como seu futuro mentor no governo (se for eleito, é evidente), o economista Paulo Guedes. Na biografia desse há um fato que chama a atenção: serviu na Universidade Chilena, na era da sanguinária ditadura de Augusto Pinochet, dirigida por um general fascista, mais precisamente na Faculdade de Economia e Negócios, a convite de ninguém mais que Jorge Selume, Diretor de Orçamento da ditadura de Pinochet.
Entre Ulstra e Guedes seu coração balança. (mais…)


Tião: pelo maior cronista da História do Sertão da Ressaca


Em 1973, conheci Sebastião Rodrigues Castro, Tião. Eu havia sido convidado para ser Procurador Jurídico do Município de por J adiel Matos, Prefeito eleito com ampla margem de votos, e ele, como era de esperar- se, foi convocado para ser Secretário Municipal de Saúde. Demonstrou, desde os primeiros dias, capacidade de administrar, liderar e ser possuidor de grande capacidade de perceber o lado político das situações enfrentadas.
Com poucos recursos, realizou excelente gestão à frente da Secretaria Municipal de Saúde e ai contou com a valiosa colaboração de Josué Figueira. Mostrou logo a que vinha: conseguiu que a administração adquirisse duas unidades móveis de saúde, uma médica e outra, odontológica, com as quais levava atendimento à zona rural e às escolas.
Tião foi o principal assessor de J adiel Matos, mas sabia respeitar a decisão coletiva e gostava de amadurecer as discussões.
Quando da luta pela sucessão da bem sucedida administração de Jadiel, aceitava uma candidatura de consenso entre os grupos do MDB, mas isso tendo ficado inviável não teve dúvidas em pleitear sua candidatura. Em convenção partidária, obteve maioria de votos, porém Raul Ferraz obteve-os em número suficiente para ser candidato e o MDB, como era possível na época, concorreu com dois candidatos: Tião e Raul. Raul sagrou- se vitorioso e foi Prefeito.
Sebastião disputaria o cargo por mais duas vezes, sem sucesso. Em 1978, comigo e outros, criamos o Semanário o Fifó, que pretendia ser um jornal alternativo que chegasse a adotar um discurso e esquerda. Mais da metade das edições de o Fifó foram redigidas e planejadas em sua residência, em tempo que ele roubava da medicina e de sua família. Nevinha, sua esposa, recebia-nos, a mim, ao “datilógrafo” Hélio Gusmão, e a outros que, ás vezes apareciam com solidariedade. O Fifó sobreviveu por 15 edições e Tião foi responsável por alguns artigos e geralmente discutia comigo os
editoriais. (mais…)


Márcio Matos, Presente!


Ruy Medeiros

Trinta anos após o falecimento de seu pai (Jadiel Matos, ex-Prefeito de Vitória da Conquista), Márcio Matos foi assassinado. Não se afasta de mim a impressão de que seu assassino teve a mão armada por um desses latifundiários que teimosamente permanecem armados no campo e dispostos a contratarem o primeiro pistoleiro de seu conhecimento.
Trata-se de assassinato de um líder. Os líderes estão sendo livremente assassinados no Brasil. No ano passado (2017) dos 61 assassinatos no campo, neste País, 21 exerciam liderança de sua comunidade. O latifúndio está caçando líderes, não há outra conclusão diante dessa assustadora percentagem: um terço dos assassinados eram líderes.
Aos líderes de movimento pela conservação da posse da terra ou pela conquista dessa, assassinados soma-se agora o jovem de trinta e três anos, o conquistense Márcio Matos.
Conheci-o ainda bem novo, nos braços de sua mãe, professora na zona rural e integrante de comunidade Eclesial de Base, e do próprio Jadiel Matos, amigo e de quem fui assessor quando esse era Prefeito Municipal e ao qual auxiliei na disputa de um lugar na Assembléia Legislativa da Bahia, depois com seus onze, nos palanques onde Jadiel fazia política, como candidato. (mais…)


A canalha


Rui Medeiros

Já não há mais o menor escrúpulo do governo federal: ele declara abertamente que está negociando voto de parlamentares para que estes aprovem suas propostas legislativas, especialmente a criminosa reforma constitucional da Previdência Social.
Os governantes impõem aos Governadores dos Estados que façam gestões (pressão, leia-se) a Deputados e Senadores para que estes aprovem suas propostas legislativas como condição ao Estado de liberação de empréstimos em bancos oficiais. Os parlamentares têm os valores das emendas que consignaram no Orçamento da União (emendas parlamentares) liberadas desde que votem com o governo, ajoelhem-se na rampa do Palácio do Planalto. Aqui e ali não se trata de democracia, mas de cínico autoritarismo.
Partidos subservientes, que contam com filiados que ocuparam ou ocupam cargos no primeiro ou segundo escalões da administração da União, resolvem fechar questão para que as propostas do governo sejam aprovadas no Congresso Nacional. (mais…)


Vitória da Conquista


Ruy Medeiros

Adapto texto que escrevi e o publico neste 177º aniversário de nossa cidade:

Primeiramente, um rancho com cerca de 60 pessoas, conforme documento de 1780. Em 1817, um arraial com 40 casas e prédio de Igreja em construção, diz o príncipe Maximiliano Wied-Neuwied. As casas estavam construídas nas margens do riacho da Vitória (rio Verruga) e o arruado do arraial acompanhava o rio e assim continuou durante sua fase seguinte de sede do Distrito da Vitória, de Caetité (1820), e centro da Freguesia de N. Sra. da Vitória (1839), no Sertão da Ressaca (Mesorregião Centro Sul da Bahia, Brasil).
Vila, Imperial Vila da Vitória, isto é município, a partir de 1840, além da fileira de casas na margem do riacho, ruas travessas (hoje ruas do Lisboa e Ramiro Santos) para garantir o acesso à água por parte daqueles que edificaram suas casas no lado oposto, iniciando o desenho da rua Grande (Praças Tancredo Neves e Barão do Rio Branco).
Durante bom tempo, o rio direcionou o crescimento da Vila: na outra margem, a praça da Piedade (Praça Nove de Novembro) e, em ambos os lados da rua da Várzea (02 de Julho), também estrada, o beco da Sabina (Rua Moderato Cardoso) e a rua das Flores. A área central da Vila, com sua capela dedicada a N. Sra. Da Vitória, passa a crescer por adensamento do centro, seguindo estradas vicinais: rua/estrada da Várzea (02 de julho), Estrada dos Campinhos (Av. Fernando Spínola), Estrada da Muranga (Rua Siqueira Campos), Estrada de São Bernardo (ruas Elpídio Flores, 10 de Novembro/Sifredo Pedral Sampaio), Estrada do Periperi/Choça (rua dos Andrades – rua do Cruzeiro/Av. Antonio Nascimento), depois a estrada das boiadas (rua João Pessoa). (mais…)


Administração de Vitória da Conquista Regulamenta Transporte em Vans. Regulamenta?


 

Ruy Medeiros

 

A administração pública municipal de Vitória da Conquista, na edição de 20 de outubro de seu Diário Oficial, estampa o Decreto nº 18.212, de 17 do mesmo mês, que “aprova o Regulamento do Serviço Público Seletivo complementar de passageiros do Município de Vitória da Conquista” (…).

O decreto mencionado encontra-se carregado de ilegalidades. Aqui menciono três delas.

Em primeiro lugar, encontra-se a regra do “Art. 9º: A exploração do Serviço de Transporte Seletivo Complementar – STSC/VDC obedecerá ao regime de permissão delegada pelo Município à pessoa física que demonstre capacidade para seu desempenho em prévio processo licitatório”.

Não se pode tomar o regime de permissão de serviço público como único para a sua realização. A regra continua sendo da concessão do serviço público. A permissão é forma excepcional, como está previsto na Lei 8.987/95, que “Dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos previsto no art. 175 da Constituição Federal, e dá outras providências”. Essa lei federal, que estabelece normas gerais (art. 22, XXVI da Constituição Federal) em matéria de licitações, de observação obrigatória pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, prevê a modalidade de permissão com características de precariedade e revogabilidade unilateral, indicando que a administração não pode a seu gosto definir previamente, em regulamento, se um serviço será prestado mediante permissão, pois a lei reconhece duas modalidades (concessão e permissão) e só as circunstâncias em cada momento e diante de cada necessidade e peculiaridades indicarão que modalidade deverá ser adotada. O caráter de precariedade da permissão e sua rescindibilidade unilateral o indicam. (mais…)


A Greve dos Trabalhadores na Cultura do Café


Ruy Medeiros (Digitado 10/2002)

Ruy Medeiros- blog do Paulo Nunes

Não se pode fazer uma avaliação do movimento grevista dos trabalhadores na lavoura cafeeira de Vitória da Conquista e Barra do Choça (Ba), sem o estudo da situação concreta dos trabalhadores e de seu estágio atual de organização.

A idade do proletariado rural conquistense, sua composição e origem, sua distribuição (grau de concentração), seus níveis de organização, etc., são fatores que ajudam a compreender o movimento grevista, seus aspectos positivos, seus erros, sua fraqueza.

Este relato salienta alguns aspectos do modo de ser dos trabalhadores rurais de Vitória da Conquista e de Barra do Choça, o momento em que o movimento grevista foi deflagrado e aspectos políticos locais, na forma de anotações, para avaliação (que deve ser trabalho coletivo) da greve dos trabalhadores rurais nas fazendas de café de Vitória da Conquista e Barra do Choça.

Este trabalho se divide em duas partes. Numa Parte são relacionados aspectos que dizem respeito à idade do proletariado rural das referidas localidades, sua composição, grau de organização, origem de sua liderança, distribuição espacial dos trabalhadores, a divisão no seio de suas lideranças, o momento político em que o movimento se desenvolveu, o relacionamento dos trabalhadores com os políticos e o papel da repressão diante do movimento grevista. Na segunda parte, são examinados aspectos diversos relativos ao movimento grevista em si mesmo.

1. Trabalhadores rurais – Tempo e Contexto

1.1 Um proletariado Rural Novo

Durante muito tempo, predominou em Vitória da Conquista e em Barra do Choça e pecuária. Esta atividade rural absorvia – durante todo o ano – pouquíssima mão-de-obra e o trabalhador deixava envolver-se, não faz muito tempo, por tratamento em que o “paternalismo” escamoteava a dura exploração. A ideologia do favor preponderava. O dono da fazenda batizava o filho do vaqueiro e dos “agregados” e o compadrio mascarava a relação de emprego entre ambos: em lugar do empregado, estava o compadre.

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